VEGANO - Coca-Cola relança marca Ades, que terá leite de coco e amêndoas

Novo visual da marca Ades, relançada pela Coca-Cola (Coca-Cola/Divulgação)

Comprada pela Coca-Cola por US$ 575 milhões, a Ades agora será uma marca global da companhia, terá apelo aos veganos e um visual mais clean.


A Coca-Cola chegou ao nicho dos leites vegetais. Há dois anos, a companhia comprou a fabricante de bebidas de soja Ades, por 575 milhões de dólares. Agora, relança a marca com nova fórmula, identidade visual mais clean e bebidas que vão além da soja. O nome Ades, que antes significava “alimento de soja”, agora é “alimento de semente”, ampliando as possiblidades da marca.

A aposta é a maneira da gigante dos refrigerantes chegar à mesa de um público que só cresce: o das pessoas que buscam alternativas ao leite de vaca, seja por opção ou por algum tipo de intolerância à lactose.

Os novos produtos, que chegam ao mercado entre essa semana e a próxima, são: coco, amêndoas e amêndoas com baunilha. Além disso, as bebidas de soja foram reformuladas para conter mais proteína, uma demanda do público vegetariano. Agora, o leite de soja Ades terá 6,4 gramas de proteína por 200 ml, a mesma quantidade de um ovo.

“O mercado de bebidas vegetais vai crescer 100% ao ano nos próximos seis anos. É muito promissor”, afirma Pedro Massa, diretor de novos negócios da Coca-Cola no Brasil.

Segundo dados da Euromonitor, o setor cresceu 31,7% no Brasil, em 2017. O número, no entanto, não inclui as bebidas de soja, que tiveram queda de 8% no mesmo período. Segundo Massa, a expectativa da companhia é de que, nos próximos anos, metade do crescimento da Ades venha das bebidas de soja, e metade venha de produtos feitos com outras sementes.

Outro número que vem crescendo é o de vegetarianos. No Brasil, 14% da população declara não comer carnes – percentual 75% maior do que em 2012.

Com isso, a Ades também está se adaptando para atender melhor a este público e aos veganos, que não ingerem nada de origem animal. A vitamina D das bebidas de soja da marca, por exemplo, agora vem de fontes vegetais. Já os novos produtos já nascem veganos.

Os transgênicos também ficam de fora da nova fase da Ades: um selo na embalagem deixa claro que a soja das bebidas não é transgênica. Além disso, toda a cadeia produtiva foi certificada para garantir a sustentabilidade do produto.

Barreiras para o crescimento

Na visão de Pedro Massa, há três barreiras principais para a ampliação do consumo de bebidas vegetais no Brasil: sabor, preço e disponibilidade.

O executivo propagandeia que o sabor das novas bebidas da Ades é ótimo. Em relação ao preço, o valor sugerido para as novas bebidas de amêndoas e coco é de 12 e 10 reais, respectivamente, um pouco abaixo da média encontrada no mercado.

Já no gargalo da disponibilidade, a estrutura de gigante da Coca-Cola vai ajudar. “Vamos usar a alavanca do sistema Coca-Cola. Atendemos mais de 1 milhão de pontos de venda no Brasil”, afirma Massa. Segundo o executivo, desde que foi adquirida pela Coca, a Ades já duplicou o número de pontos de venda (os números totais não são revelados).

Oi, sumida

A Ades tem 60% do mercado de bebidas vegetais e uma forte presença entre os brasileiros – 85% conhecem a marca. Porém, estava um tanto sumida nos últimos tempos. Para se ter ideia, o último post da página da Ades no Facebook é de junho de 2016. Agora, ela vai voltar com campanhas para redes sociais e televisão, previstas para começar no dia 16 de junho.

A nova fase também tem capítulos no exterior. Criada em 1988, na Argentina, a marca está presente principalmente na América Latina. Agora, passa a ser uma marca global da Coca-Cola, com presença em 16 países da Europa.

A Coca-Cola não revela quanto investiu na reformulação da marca e desenvolvimento de novos produtos. A companhia só divulga que prevê investir 3 bilhões de reais no Brasil em 2018. O lançamento de outras bebidas vegetais está no radar da empresa, mas sem previsões

Deputado nega, mas quer legalizar a caça no país, denunciam ambientalistas


Lei prevê que agricultores que se sentirem ameaçados por animais silvestres, como a onça pintada, já em vias de extinção, poderão abatê-los sem serem incriminados. | Foto: CHARLESJSHARP / CC 2.0 / WIKIMEDIA

PL de Valdir Colatto (PMDB-SC) introduz no país reservas de caça e a comercialização de animais oriundos de áreas de preservação, além de autorizar abate dos que supostamente ameacem a agropecuária

Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 6268/2016, do deputado federal Valdir Colatto (PMDB-SC), que reintroduz no país a caça de animais silvestres, o que é proibido no Brasil desde 1967. Embora revestido de retórica legislativa, ambientalistas consideram o projeto uma brutal violência ao meio ambiente e à fauna. Não apenas abre brechas para a caça, mas a torna legal, além de introduzir a comercialização de animais oriundos de áreas de preservação.

“Não tem nada a ver com a caça. Tem a ver com controlar animais que viraram praga. Precisa fazer uma legislação para controlar”, defende Colatto. O parlamentar cita morcego, barata, rato, escorpião e javali, para justificar seu projeto. Segundo ele, são “animais que prejudicam a economia e trazem problemas de doença. O javali traz raiva, peste suína e aftosa, não tem controle nenhum, está solto e entrando nas propriedades”. Pela atual legislação, apenas o javali europeu tem caça permitida no Brasil pelo Ibama, pois o animal não é nativo e é considerado uma praga.

Para ambientalistas, o PL 6268 vai muito além do que diz o deputado. Por exemplo, cria as chamadas reservas cinegéticas, ainda inexistentes no país. “Isso nada mais são do que lugares autorizados para a caça esportiva de animais”, explica Marcio Astrini, coordenador de políticas públicas do Greenpeace Brasil.

Em seu artigo 20, o PL de Colatto diz expressamente que “a eutanásia e o abate de animal silvestre só são admissíveis quando o animal for considerado nocivo às atividades agropecuárias e correlatas, mediante apresentação de laudo comprobatório pelo órgão competente”. Em outras palavras, se uma onça for considerada uma ameaça por agricultores, o abate do animal será respaldado pela lei.

Segundo Colatto, a campanha contra seu projeto “aconteceu porque o Greenpeace colocou (a foto de)
O deputado do PMDB de Santa Catarina Valdir Colatto.
 | Foto: RBA
uma onça atravessando um lago e dizendo que estou autorizando a caça à onça. Não sabem o que estão falando”.

“O que o deputado tenta é culpar o termômetro pela febre”, diz Astrini. “Mas foi ele quem escreveu o PL. Ele deveria assumir o que escreve e dizer que escreveu porque pensa assim. Ele escreve e quer no discurso enganar as pessoas dizendo que o que escreveu não existe.”

Colatto também nega a interpretação de que a “bancada da bala” estaria articulada com a sua, a ruralista, na defesa do projeto, já que o PL incentivaria a venda de armas. “Eu sou favorável à liberação das armas”, reconhece. “Mas dizer que é por causa disso e que estamos trabalhando para liberar as armas… Fazem isso para enganar a população.”

Para Mariana Napolitano Ferreira, coordenadora do programa de ciência da WWF Brasil (ONG que atua pela conservação da natureza), a proposta de Colatto, além de ser clara em seus propósitos, não representa o brasileiro de modo geral. “Quem esse projeto de lei representa? Não representa a sociedade brasileira. É um retrocesso em relação a uma sociedade preocupada com a questão ambiental, que respeita os animais e vê a natureza como um patrimônio do país.”

Mariana destaca o fato de que o PL 6268 regulamenta a caça de animais silvestres, proibida desde 1967, sem um amplo debate com a sociedade. A autorização do abate de animais que supostamente ameacem a produção agropecuária é uma inversão de valores. “Temos que reverter essa lógica: a produção é que está ameaçando as espécies”, afirma. “Hoje, a produção agropecuária se expande cada vez mais, o desmatamento cresce, a fronteira de expansão das atividades humanas deixam animais como as onças cada vez mais isolados. Confinada a uma área pequena, quando chegar perto das propriedades rurais, ela poderá ser abatida.”

Tramitação

O PL 6268/2016 está na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara. Seu relator é o deputado Nilto Tatto (PT-SP), também presidente do colegiado. Segundo ele, pela legislação atual, o Estado tem a prerrogativa de liberar ou não a caça, como ocorre no caso do javali. “Isso é uma coisa dos últimos 50 anos. Antes disso, era privado, quem quisesse caçar era livre para isso. O que Colatto quer é voltar no tempo, tirar do controle do Estado a capacidade de regular a caça”, diz Tatto.

“O pensamento do projeto é o próprio pensamento da bancada ruralista para o conjunto das suas proposições na Casa”, prossegue o relator. De acordo com ele, o PL de Colatto é fruto de “um pensamento articulado entre bancada ruralista e bancada da bala”.

Marcio Astrini, do Greenpeace, destaca o simbolismo do projeto e de sua ideologia. “Esse PL e o comportamento do deputado são simbólicos da bancada ruralista: escrevem coisas e dizem que não é aquilo que escreveram, promovem legislações absurdas em benefício dos amigos e financiadores de campanha. Infelizmente, têm grande participação no caos político que acontece hoje no país e são responsáveis pelo Brasil estar perdendo a crença na política.”

O PL de Colatto é alvo de um ofício da vereadora de Itajaí (SC) Renata Narcizo (SD), enviado à presidência da Câmara dos Deputados. Ela solicita a retirada urgente do projeto, que classifica como “terrível”. “Trata-se de uma imensa agressão contra a fauna silvestre e uma afronta à Constituição”, completa.



Por Eduardo Maretti

SOMOS CONTRA A LIBERAÇÃO DA CAÇA


A caça é considerada um dos principais fatores da redução de populações e extinção de espécies.



O deputado Valdir Colatto, PMDB de Santa Catarina, membro da bancada ruralista, apresentou duas proposições que representam diversos riscos para biodiversidade brasileira: o Projeto de Lei (PL) 6.268/2016 - aqui, que “Dispõe sobre a Política Nacional de Fauna e dá outras providências”, e o Projeto Decreto Legislativo (PDC) 427/2016 - aqui, que susta os efeitos legais da lista de animais em extinção definida pela Portaria nº 444 do Ministério do Meio Ambiente, que lista os animais da fauna silvestre em perigo de extinção ou já extintos, protege as espécies de modo integral e proíbe a captura, transporte, armazenamento, guarda, manejo, beneficiamento e comercialização.

Na prática, as proposições se integram e abrem caminho para a liberação da caça da fauna silvestre, inclusive de animais em risco de extinção, em escala nacional. O deputado ruralista pretende liberar a caça de animais silvestres e, retirá-los da lista de extinção do IBAMA e revogar a legislação proibitiva​, desta forma agricultores ou qualquer pessoa que vive na zona rural, ou em regiões onde há incidência d​e​s​t​es animais, poder​ão​ caçá-los sem o risco de cometer crime e ser punido com pagamento de multas, como ocorre atualmente.​

Os riscos iminentes das duas proposições estão além da crueldade contra animais, e são elencados abaixo: 
  1. Na lista do IBAMA, que o deputado catarinense Valdir Colatto pretende extinguir, conta com animais como onça pintada, onça parda, tatus, tartarugas, boto cor-de-rosa, peixe-boi, macacos e capivaras, além de diversos tipos de ave, cobras e roedores. 
  2. O PL 6268/16 , sob a égide de Política Nacional de Fauna, revoga a Lei 5197 de 1967, que proíbe a utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha da fauna e autoriza que os agentes fiscalizadores usem armas para este fim. Ao revogar a Lei 5197/67, o autor claramente pretende dificultar a fiscalização, pois irá proibir os fiscais de usarem armas, sendo que para caçadores as armas estarão livres. 
  3. Revoga também o § 5° do Artigo 29, da Lei 9605/98, que aumenta a pena para caça esportiva de Animais Silvestres no Brasil. 
  4. Autoriza a comercialização de animais capturados na Natureza (in situ), fomentando o tráfico de animais silvestres, uma vez que abre oportunidade de fraudes na documentação, com a finalidade de dar aparência de legalidade a animais capturados ilegalmente da vida livre, possivelmente de regiões onde esta atividade estará proibida, como Unidades de Proteção Integral. Aumentando, desta forma, a possibilidade dos criadores comerciais recepcionar​em, legalmente​,​ animais silvestres, aumentando seus planteis de matrizes reprodutivas, e às fazendas de caça (criadas no projeto do Colatto), que por sua vez, receberão estes animais para serem caçados recompondo seus lotes​. 
  5. Cria as reservas de caça em propriedades privadas (denominadas no projeto como cinegéticas), das quais 30% do lucro líquido devem ser aplicados em planos de ação, projetos de pesquisa ou planos de manejo de fauna para criar mais animais para serem caçados. 
  6. Vigora no país a Instrução Normativa nº 3 de 31 de janeiro de 2013, do IBAMA, que autoriza a caça de javalis europeus, como forma de controle populacional. No entanto, afirmamos que caça não é controle populacional, muito menos biológico. Isso porque a capacidade de reposição é superior à capacidade de matar estes animais. 
  7. O atual Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali (Sus scrofa) no Brasil, face às imensuráveis dificuldades de fiscalização, mostra-se criminoso, cruel e ineficiente. São comuns os casos de uso irregular de cães na caça para confronto direto (como Sabujos, Dogos Argentinos, entre outros), armas de grosso calibre ou não registradas, caça a espécies nativas como queixadas e os catetos, dentre outros animais silvestres, além do uso de armadilhas com venenos ou laços. Lembramos ainda que os animais alvejados nesta atividade, considerada esporte ou diversão pelos seus praticantes, podem permanecer vivos, em agonia, por dias após serem baleados. 
  8. Na justificativa do PL consta que a caça é necessária, principalmente para moradores do ambiente rural, por sofrerem ataques destes animais, no entanto um recente estudo Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, concluiu que os caçadores esportivos brasileiros são residentes urbanos de bom poder aquisitivo que viajam para áreas rurais para caçar.
  9. O Poder Público é incumbido pela Constituição Federal de vedar práticas que submetam animais à crueldade ou que provoquem extinção das espécies, além disso o Brasil é signatário de Convenções Internacionais que fornecem o arcabouço legal para o tratamento diferenciado das espécies consideradas ameaçadas de extinção: a Convenção para a Proteção da Flora, da Fauna e das Belezas Cênicas Naturais dos Países da América, DECRETO Nº 58.054, DE 23 DE MARÇO DE 1966, a Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD), DECRETO LEGISLATIVO Nº 2, DE 1994, entidade vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) e apresenta um relatório anula sobre a situação da biodiversidade brasileira, no Panorama da Biodiversidade Global (Global Biodiversity Outlook – GBO). a Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção – CITES - DECRETO No 3.607, DE 21 DE SETEMBRO DE 2000, no qual se compromete a adotar medidas no sentido de assegurar o cumprimento das disposições contidas na Convenção, com vistas a proteger certas espécies contra o comércio excessivo, para assegurar sua sobrevivência. 
  10. A caça é considerada um dos principais fatores da redução de populações e extinção de espécies. 
  11. PROBLEMA DE SEGURANÇA PÚBLICA - O Brasil lidera o número de assassinatos no mundo. Neste contexto, introduzir um suposto esporte (como é tratada a caça hoje, por seus adeptos), ou mesmo transformá-la numa atividade de cunho cultural, como propõe a justificativa do projeto de Colatto, que está intrinsecamente ligada ao uso de uma arma de fogo, significa empurrar o Brasil na trilha de mais violência. Além disso, a liberação da caça potencializa o tráfico de armas no país. 
  12. PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA - A maior parte das balas utilizadas na caça possui chumbo em sua constituição. O chumbo é um metal altamente tóxico, levando ao envenenamento, agudo ou crônico, conhecido como saturnismo, O chumbo não é metabolizado pelos animais e sofre o processo de bioacumulação, levando-os à morte por envenenamento. A contaminação do ser humano e dos animais pelo chumbo pode se dar de diversas maneiras: inalação de poeira ou ingestão de alimentos (como os animais caçados que foram abatidos com balas de chumbo), água ou solo contaminados. 
  13. Um hábito comum dos caçadores é o fato de se alimentarem das carnes dos animais caçados após a atividade. No entanto esse hábito pode ser grave e, muitas vezes, fatal. Animais silvestres são considerados potenciais reservatórios de doenças infecciosas como Doença de Chagas, Leishmaniose e Hanseníase. Um estudo foi realizado no Espírito Santo e mais de 90% dos casos analisados na rede hospitalar no Estado estavam relacionados à manipulação do Tatu. 
  14. Hoje, mais de 70% dos casos agudos de doença de Chagas no Brasil são resultado da transmissão alimentar, através do consumo de frutos populares na Amazônia e consumo de carne de animais contaminados e abatidos através da caça. 
  15. FUTURAS GERAÇÕES - Uma criança que é educada numa sociedade que o incentiva sentir prazer no sofrimento e na agonia da morte de um animal indefeso, pode se tornar um adulto potencialmente perigoso para a sociedade. 
Na verdade, a caça esportiva ou com a desculpa de eliminação de “pragas” tem sido usada como subterfúgio para quem sente prazer na agonia, no sofrimento e derramamento de sangue. É uma atividade que aguça o instinto cruel do ser humano, coloca em risco a biodiversidade, incentiva a violência e pode provocar a extinção das espécies nativas, por não haver fiscalização efetiva dos animais que foram caçados.

Amparados por estudos científicos, pela legislação vigente e por Convenções Internacionais das quais o Brasil é signatário, além de dados oficiais acima elencados, os defensores dos animais manifestam sua posição de repúdio total à aprovação do PL 6268/16 e do PDC 427/2016. Tais proposições colocam em risco nossa biodiversidade, provocam a extinção de espécies, fomentam o tráfico internacional de animais (terceira atividade criminosa que mais movimenta dinheiro sujo no mundo - CPI do Tráfico de Animais Silvestres 2001), contribuem para o aumento dos índices de violência, colocam em risco as vidas das pessoas, pelo fato de animais silvestres serem depositórios de diversas doenças graves e fatais. 

Nossa proposta é que a proibição da caça no país seja mantida e ampliada, que os agentes fiscalizadores sejam devidamente apoiados e aparelhados para combater os caçadores que fazem da atividade cruel uma diversão, bem como sejam estabelecidas ações ordenadas de controle dos criatórios ilegais de javalis, além de um controle racional, sem a aplicação de técnicas cruéis como é hoje, das crescentes populações do Javali no território nacional

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Lilian Rockenbach
Movimento Crueldade Nunca Mais

Empresas veganas podem ser multadas por usar rótulos de alimentos que ‘lembrem carne’


Termos como ‘salsicha vegana’ 'leite de soja' ou ‘hambúrguer vegetariano' são proibidos na rotulagem de alimentos à base de plantas, na França 

Rotulagem de alimentos veganos com termos que lembrem os da indústria de carne pode resultar em multas de até 370 mil euros para varejistas franceses, que serão obrigados a abandonar termos que lembrem carne na rotulagem de alimentos baseados em plantas, incluindo os termos ‘hambúrguer’ e ‘linguiça’.

Políticos locais declararam que a proibição está acontecendo porque os rótulos “enganam” os compradores. Parlamentares franceses votaram, então, na proibição de termos como ‘salsichas vegetarianas’ no início desta semana, sugerindo que é proibida a relação de termos de alimentos de carne com alimentos vegetarianos ou veganos.

Sendo assim, as empresas não podem mais utilizar usar ‘hambúrguer’, ‘bife’ e outras palavras para comida vegetariana, como ‘hambúrguer vegetariano’ ou ‘linguiça vegana’, e terão que apresentar novas maneiras de descrever os alimentos de quem não come derivados de carne ou de animais.

A proposta foi apresentada pelo deputado Jean-Baptiste Moreau, alegando que a rotulagem é enganosa para os consumidores. A proibição foi aprovada, e simboliza o resultado da ameaça representada pela indústria vegana a indústrias de carne e produtos lácteos, já que a popularidade das alternativas à base de plantas tem crescido entre os consumidores, conforme dito pelo Plant Based News.

endy Higgins, da Humane Society International (Sociedade Humanizada Internacional), disse ao DailyMail: “É uma pena que, em vez de abraçar comida vegana e vegetariana, a França tenha adotado uma posição de paranoia defensiva. Mas isso não impedirá o aumento da alimentação compassiva, porque os benefícios deliciosos, nutritivos e ecologicamente corretos da Terra prevalecerão, independentemente do que você chamar de ‘produtos’”.

As proibições de tal rotulagem ainda não estão em vigor na América do Norte, mesmo os Estados Unidos já tendo pressionado a Administração de Alimentos e Medicamentos a proibir o uso do termo ‘leite’ em alternativas à base de plantas.

MESA REDONDA VAI DISCUTIR A LIBERAÇÃO DA CAÇA NO BRASIL


Está em tramitação na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei nº 6268/16, que pretende liberar a Caça de Animais Silvestres no Brasil.

Proibida por 53 anos no Brasil, a caça esportiva, profissional e comercial de animais silvestres poderá voltar a ser legalizada em nosso país graças ao Projeto de Lei (PL) 6.268/2016 do deputado VALDIR COLATTO (MDB/SC).

Dia 12/04, às 18h30m, a Câmara dos Deputados vai promover uma consulta publica, em São Paulo-SP, para apresentar e discutir o PL. Um evento da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, denominado, oficialmente, de Mesa Redonda. Todos os resultados desse dia serão diretamente levados aos Deputados que estão discutindo o projeto de lei.

EXPOSITORES: 

i) ROBERTO CABRAL BORGES, Coordenador de Operações de Fiscalização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - Ibama

ii) ANGELA MARIA BRANCO, Coordenadora do Núcleo Técnico de Gestão Ambiental da Prefeitura de São Paulo

iii) VANIA TUGLIO, Promotora de Justiça GECAP/MPSP

iv) ROGÉRIO CUNHA DE PAULA, Coordenador Substituto do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio

Serviço
DEBATE SOBRE A REGULAMENTAÇÃO DA CAÇA NO BRASIL (PL 6268/16)
Data: 12 de Abril
Horário: 18H30
Local:
São Paulo – Sala dos Estudantes de Direito da USP
Largo São Francisco, 95 - Centro

Proposta de concessão ameaça aprisionar aves no Parque Ibirapuera, em SP

Sabiá laranjeira (turdus rufiventris), Parque Ibirapuera. Foto: Pedro Cristales EL.



O edital prevê a criação de um cativeiro de aves e a demolição do Viveiro Manequinho Lopes.


Um edital de concessão para prestação de serviços de gestão, operação e manutenção do Parque Ibirapuera, em São Paulo, está sob consulta pública no portal da Prefeitura do município.

A proposta desvaloriza e desvirtua o valor ambiental e histórico do parque e afeta também o Viveiro Manequinho Lopes, que tem demolição proposta pelo Plano de Ocupação Referencial do edital. Tanto o Ibirapuera quanto o viveiro, responsável por pesquisas e pela produção de mudas de plantas destinadas aos plantios das áreas públicas da cidade, são tombados pelo Condephaat segundo a Resolução da Secretaria de Cultura 01/92, de 18/12/1992.
Driblando a resolução do tombamento, a demolição visa possibilitar que seja construído um restaurante de 400 m² no local onde atualmente está situado o viveiro.
O edital prevê ainda o cruel aprisionamento de aves em cativeiro. A área, que hoje é refúgio de aves silvestres que desfrutam de plena liberdade, daria lugar ao chamado “parque de aves”, que as manteria presas.

Viveiro Manequinho Lopes (Foto: Reprodução / Site do Parque Ibirapuera)
Um abaixo-assinado online, contrário à proposta, está recolhendo assinaturas pela proteção do parque e do viveiro. “O alto número de estabelecimentos comerciais reflete a intenção de originar fontes de lucro para as concessionárias que arrematarem o Parque Ibirapuera e o Viveiro Manequinho Lopes, desvirtuando a vocação ambiental e de lazer contemplativo da natureza proporcionados para toda a população da Cidade de São Paulo”, diz a petição.
Uma audiência pública irá discutir o assunto no dia 14 de março, às 10h, no Auditória da UMAPAZ, no Parque Ibirapuera, localizado na Av. Quarto Centenário, 1268, Jardim Luzitânia.
“Sim à conservação dos prédios e serviços públicos e espaços naturais do Viveiro Manequinho Lopes e do Parque Ibirapuera. Não à mercantilização dos parques públicos da cidade de São Paulo!”, conclui o abaixo-assinado.
Nota da Redaçãoa ANDA repudia a proposta que prevê a destruição de um viveiro de produção de mudas de plantas e a implantação de um cativeiro de aves no Parque Ibirapuera por entender que é de suma importância a defesa da flora para preservação do meio ambiente e que aprisionar aves é uma prática extremamente cruel, que fere o direito à liberdade desses animais.  

Veganismo não é religião



Por Márcio Linck

É muito evidente que nos dias atuais o veganismo tem servido para aglutinar denuncias legítimas em relação à teia de crueldade e exploração dos animais e as devidas reivindicações justas em defesa dos seus direitos. Mas, mais que um veículo, não único obviamente, para a conquista desses direitos, é em si um conceito que idealiza uma condição e modo de vida de estar vegano e com isso evitar hábitos e práticas que impliquem o sofrimento e a dor alheia a seres indefesos e sencientes. Para uns, movimento ativista que tenta romper paradigmas culturais moldados no antropocentrismo e especismo “civilizatório” e para outros o cotidiano traduzido numa ética prática de se fazer o dever de casa. É claro que ambas situações/condições se mesclam e se fundem na vida de muitos que assim assumem esse modo de vida vegano.

Como conceito que abrange essas inúmeras possibilidades pertinentes a uma decisão individual por escolhas de consumo que não impliquem exploração/utilização de animais é possível substituir o termo “vegano” por libertador ou abolicionista, pois na prática é esse o resultado mais imediato que se deseja, o de interromper esse sistema de escravização dos animais. É preciso ter em mente que cada indivíduo decreta a sua “Lei Áurea” aqui e agora, e a soma desses decretos individuais é que transformarão a grande estrutura desse sistema perverso.

O grande perigo de todo e qualquer idealismo é o apego aos rótulos que o identificam e com o veganismo não está sendo diferente. Assim como o “hábito não faz o monge”, apenas o rótulo “vegano(a)” não torna necessariamente alguém “superior” ou melhor que os outros. Se o espelho estiver embaçado e não for possível um olhar para si, basta a convivência real ou virtual com nossos pares de causa. Nesse sentido o veganismo acaba tendo semelhança com uma espécie de seita ou religião, onde o recém “convertido” tenta impor na marra sua crença ou mensagem de salvação, esquecendo sua condição “pecadora” pré-vegana! E muitas vezes a pregação pode mais afastar do que trazer “fiéis” para a causa e o fanatismo acaba sendo pior apenas para os animais. Nesse sentido basta reparar o que acontece nas redes sociais ou grupos de discussão. Se quiseres afastar um simpatizante ou futuro vegano para a causa basta colocá-lo num desses grupos.

O veganismo não é religião. E se assim for encarado, daí sim terá mais desafios e problemas para além daqueles intrínsecos ao mesmo. E a cartilha com mandamentos e deveres a serem cumpridos serão cobradas e patrulhadas, principalmente por colegas de dentro da “Igreja”. E ai daquele irmão que pecar e ainda tiver um resquício pregresso de conduta não vegana, seja por um detalhe em algum calçado ou vestimenta, seja pelo consumo desinformado de um produto (ainda que isentos de origem animal), porém de uma marca não vegana, seja por ocasião de uma confraternização entre familiares ou amigos e for visto entrando num restaurante do “mal”, seja por beber desinformadamente uma marca de bebida que patrocina eventos de exploração animal.

Enfim, há muitos exemplos desses “pecados” alvo de patrulhamento e condenação, que conforme o contexto, tornam-se piores que os ataques oriundos dos “infiéis não convertidos”. Até parece que os “puros” não frequentam mercados ou estabelecimentos que ofereçam produtos com ou sem exploração animal; que se utilizam de ferramentas da internet como as redes sociais que abrem espaço ou patrocínio também para a indústria da exploração! Interessante é que muitos veganos tem gasto mais energia entre si do que com aqueles que exploram e se beneficiam da vida animal.

É de suma importância que nessa caminhada alguém possa auxiliar o simpatizante, o protovegetariano e o vegano com alguma informação e esclarecimento (que implique ou não dar um passo adiante) a respeito de alguns produtos, marcas ou instituições que explorem ou não os animais, mas com uma didática respeitosa que não aponte o dedo arrogante de um “pastor” ou juiz da vida alheia. Impor modelo único de conduta e comportamento é coisa de religião. O contexto psicológico, familiar, social e local é extremamente diverso e complexo para ser encaixado ou engessado num único modelo a considerar-se “válido”. A vida de um vegano numa pequena cidade do interior, por exemplo, terá um modelo diferente comparado com a de um vegano de uma cidade grande ou de uma metrópole, onde este conta com inúmeras alternativas de produtos e comércio apropriado à disposição. Outra questão que não implica estar “certo” ou o “errado”, mas sim ter posturas distintas frente a uma mesma situação é daquele vegetariano ou vegano que é convidado a ir num almoço ou janta que terá animais ou derivados destes na refeição: Um prefere não frequentar esse ambiente e o outro decide levar um generoso prato vegano e mostrar que se pode comer saborosamente bem sem crueldade animal. Bem, ambas posturas devem ser respeitadas e nenhuma está sendo mais ou menos vegana. Porém, não faltará algum “guru” para julgar que um vegano “autêntico” não deva frequentar lugares profanos com rituais “pecaminosos”. Pois é, coisa de seita. E no fundo nem preciso dizer qual dos dois casos trará mais simpatia e possibilidades de adesão para a causa animal! Mas, ambos deverão ser respeitados em suas condutas.

Estar vegano ou ter propósitos veganos, ou ainda propósitos abolicionistas e libertários em prol dos animais? O que é mais razoável levando em conta que apenas as escolhas individuais não resolvem em sua totalidade os mecanismos de exploração animal e que devemos também atuar de modo coletivo a fim de um dia atingir um ideal 100% “vegano”? E nesse momento estou me referindo apenas ao ideal vegano sem entrar no ecoveganismo, que não só amplia como aprofunda a questão! Daí sim, parafraseando um ensinamento religioso, não sobraria um para atirar a primeira pedra.