Enfermeira acusada espancar yorkshire até a morte deve pagar APENAS indenização

A Justiça condenou a enfermeira Camila Correia, que agrediu e matou uma cadela da raça yorkshire em Formosa, em novembro de 2011, a pagar R$ 20 mil de indenização por danos morais coletivos. O crime, cometido na frente da filha de 2 anos, foi registrado em vídeo por vizinhos e ganhou grande repercussão nas redes sociais.
Responsável pela decisão, a juíza Marina Cardoso Buchdid, da 2ª Vara Cível, das Fazendas Públicas e de Registros Públicos de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, defende que as imagens provocaram comoção nacional e indignação generalizada. “O que reflete os sentimentos de tristeza e incredulidade com o comportamento da raça humana que dominaram a população brasileira”, destacou na sentença.
A indenização será destinada ao Fundo Municipal do Meio Ambiente e está sujeita a correção monetária e juros. A decisão cabe recurso.
Em setembro do ano passado, Camila já havia sido condenada pelo crime ambiental de maus-tratos aos animais, com o agravante de ter realizado a agressão na frente da filha. A pena foi de 370 horas de prestação de serviços à comunidade, além de uma multa no valor de R$ 2,8 mil.
Vídeo
Camila Correia aparece em um vídeo feito por vizinhos, no dia 12 de novembro de 2011, espancando um cachorro da raça yorkshire, no apartamento da família, em Formosa. As imagens mostram quando ela arremessa o animal contra parede, o joga várias vezes no chão e bate na cabeça dele com um balde.
Veja o vídeo clicando aqui.
A cadela foi levada para uma clínica veterinária, mas não resistiu aos ferimentos. Ela morreu dois dias depois das agressões. Vizinhos denunciaram o caso no 2ª Distrito Policial de Formosa.
Chamada para prestar esclarecimentos, a enfermeira relatou que bateu na cadela para corrigí-la. Segundo a Polícia Civil, a mulher disse que tinha saído para almoçar e estava tranquila, mas se irritou porque o cachorro fez cocô na casa toda.
Publicado na internet, o vídeo que mostra as agressões causou enorme comoção social. Houve protestos na porta do prédio onde a acusada vivia, no Setor Formosinha, e a família chegou a receber ameaças.
Fonte: G1
A LEI PRECISA MUDAR.
ASSINE A PETIÇÃO PARA AUMENTAR AS PENAS PARA CRIMES CONTRA ANIMAIS E PUNIR EFETIVAMENTE QUEM COMETE CRUELDADES CONTRA INDEFESOS 

Por que laticínios, ovos e mel são tão “alimentos vegetarianos” quanto frango e peixe



Está em avanço, na comunidade vegana brasileira, um processo descentralizado de redefinição do termo vegetarianismo, de modo que está passando a abranger apenas a alimentação totalmente livre de ingredientes de origem animal. Antigos tipos de “vegetarianismo”, como lacto e ovolactovegetarianismo, estão sendo consideradosprotovegetarianismo, um intermédio entre o onivorismo e o vegetarianismo. Nessa tendência, é hora propícia para justificar e defender esse processo de reconceituação e deixar claro (por) que laticínios, ovos e mel são “alimentos” tão “vegetarianos” quanto, segundo diria a velha confusão entre (proto)vegetarianismo e flexitarianismo, carnes de frango e peixe.

O século 20, mesmo antes da massificação da internet, vivenciou uma franca expansão daquele “vegetarianismo” clássico. Ele acredita(va) que o banimento das carnes das refeições e lanches já seria algo tão significativo que não seria (tão) errado dar-se o luxo de passar anos e anos sendo “vegetariano” sem se preocupar em abolir outros alimentos de origem animal.

Em tal linha de argumentação, falava-se que a carne era o principal “alimento” a ser expulso da mesa. Afinal, sua produção envolve obrigatoriamente a morte de incontáveis animais, além dos sofrimentos, privações e violências vivenciados pelos animais dos rebanhos “de corte” durante suas curtas vidas.

Já o leite, os ovos e o mel eram considerados mais aceitáveis, já que as vacas, galinhas, cabras, codornas, abelhas etc. não são mortas especificamente para se obter tais produtos, diferentemente da carne, vinda diretamente de animais mortos. Isso fazia as pessoas acreditarem que o lacto ou ovolactovegetarianismo já seria um patamar de consciência ética suficientemente superior ao onivorismo.

Mas a cada dia que tem passado, tem sido mais e mais denunciada a exploração existente na produção de “alimentos” animais não cárneos. E tem sido destacado o fato de que as atividades que exploram fêmeas para lhes obter secreções comestíveis necessariamente matam animais também.

No caso das criações de mamíferas e aves, as fêmeas são levadas para o abate em situações como fim da “vida produtiva”, produção insuficiente de leite ou ovos, problemas que ocasionam abortos espontâneos ou postura de ovos malformados e doenças infectocontagiosas. E muitos de seus filhotes, em especial os machos, são mortos muito precocemente, já que sua única “serventia” é serem “transformados” em carne de vitela ou matéria orgânica triturada. Isso sem falar na desmama forçada, que separa violentamente fêmeas “produtoras de leite” de seus filhotes nas primeiras horas ou dias de vida destes, para desespero de ambos.

Em relação à apicultura, as denúncias de exploração violenta também se multiplicam, com destaque recente para o artigo de Sérgio Greif intitulado “O mel”. No final das contas, a produção de leite, ovos e mel não é menos escravagista, violenta e cruel do que a de carne – ou pior, é ainda mais exploradora. E a produção de qualquer “alimento” de origem animal é essencialmente fundamentada em tratar animais como coisas, escravos, produtos.

Com isso, não é lógico considerar a produção de secreções comestíveis de origem animal menos antiética e inaceitável do que a de carnes vermelhas ou brancas. Protovegetarianos que se recusam a manter uma transição ao veganismo estão sendo tão cúmplices e financiadores da exploração animal quanto onívoros e pessoas que evitam carnes vermelhas mas continuam comendo carnes brancas.

Ou seja, quando juntamos isso à lembrança da tradicional confusão que muita gente ainda tem sobre a antiga definição de “vegetarianismo” – acreditando que “vegetarianos” comem carnes brancas e só evitam vermelhas –, amadurece em nós a ideia de que laticínios, ovos e mel são tão “vegetarianos” quanto carnes de peixe e frango. E percebemos também que aquele restaurante “vegetariano” com pratos ovolactos está sendo tão cumplicemente violento contra os animais quanto os estabelecimentos alimentícios que oferecem carne.

Daí pensamos que, com essa redefinição ética do termo vegetarian(ism)o em andamento, precisaremos fazer três tarefas:

1. explicar aos pouco conhecedores de veganismo e vegetarianismo que hoje ser vegetariano implica não só parar de comer carne, mas também abandonar o consumo de qualquer outro alimento de origem animal;
2. esclarecer que, mesmo com essa aproximação prática, o veganismo não deve ser confundido com a nova definição de vegetarianismo;
3. e, o mais difícil por lidar muitas vezes com o orgulho pessoal alheio, deixar claro aos protovegetarianos que eles precisam se esforçar mais para serem propriamente vegetarianos e, além disso, devem eticamente, ao invés de considerar o novo vegetarianismo um patamar suficiente e confortável, dedicar-se à transição ao veganismo.

Não temos que esperar pela posição oficial de alguma ONG nacional ou internacional sobre a nova definição de vegetarianismo. O que precisamos é difundir esse novo conceito e deixar visível que a abstenção de carne é insuficiente e muito menos do que um marco histórico individual simbolizador da consolidação do respeito aos animais.

Robson Fernando De Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do vlog Canal Veganagente. Articulista desde 2007, blogueiro desde 2008, vlogueiro desde 2011. Atualmente estuda Ciências Sociais na UFPE

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10 curiosidades sobre o boicote a produtos testados em animais



Uma das características mais conhecidas do veganismo é seu boicote a produtos testados em animais. Acredita-se muito que, se um número suficiente de pessoas deixar de consumir tais tens, os testes em animais serão abolidos, já que futuramente nenhuma empresa aceitará continuar colocando sua imagem institucional em risco com tais procedimentos. Mas pouca gente, ainda, percebe que o boicote vegano tanto é insuficiente para a abolição da exploração animal como é impossível de ser praticado perfeitamente.

Para esclarecer isso, vale trazer e descrever dez curiosidades sobre os limites do boicote a produtos submetidos a tais testes, e sobre a necessidade de você fazer seu veganismo transcender o simples hábito de consumo:

1. O veganismo, se tomado como mero hábito de consumo, não é perfeito. Nenhuma pessoa pode boicotar completamente todo e qualquer produto testado em animais.

Há diversos produtos que, de tão necessários para a sociedade moderna e até mesmo para a vida humana, são impossíveis de serem evitados. Desde alimentos até combustíveis, passando pelo tão conhecido caso dos medicamentos, foram ou ainda são, de tempos em tempos, testados em animais.

São itens que, se a pessoa boicotar – ou mesmo tentar utilizar menos –, não conseguirá viver minimamente bem na cidade ou no campo, ou mesmo colocará sua vida em risco. Alguns deles são descritos nos itens a seguir.

2. Remédios não podem ser boicotados.

A crença do senso comum de que vegans evitam tomar remédios convencionais é falsa. É inviável boicotá-los. Em situações de sofrimento e/ou risco de morte, eles serão muito necessários, muitas vezes não podendo seu consumo ser negado.

Por exemplo, pessoas com doenças crônicas, como diabetes, depressão, síndrome de Tourette, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e hemofilia não podem dispensar o uso de medicamentos, sob pena de uma vida de muito sofrimento ou mesmo de correr risco de morte.

Mesmo problemas como gripe, dor forte de cabeça, tosse excessiva, febre e feridas na pele muitas vezes não contam com alternativas (ervas medicinais, terapias distintas da medicina ocidental etc.) tão eficazes e acessíveis quanto a medicação convencional para serem aliviados ou curados. E mesmo essas alternativas, como será visto a seguir, não são propriamente livres de crueldade.

Afirma-se que a alimentação vegetariana (estrita), por ser mais saudável do que a que contém derivados animais, pode diminuir a quantidade total de medicamentos a ser consumida ao longo da vida do indivíduo. Mas esse é o limite, não sendo possível um boicote declarado a tais produtos.

3. Até terapias medicinais alternativas, como florais, homeopatia e medicação com chás, foram testadas em animais algum dia. Ou pior, há menos anos atrás do que se imagina.


Não adianta fugir dos remédios convencionais para terapias como a homeopatia, os florais de Bach ou as ervas caseiras, se a intenção for evitar produtos testados em animais. A medicina alternativa também teve, e ainda tem ocasionalmente, sua eficácia (ou falta dela) tortuosamente testada em cobaias.

Como exemplos, temos estudos de experimentação animal com homeopatia (exemplo 1,exemplo 2, exemplo 3, exemplo 4), florais (exemplo 1, exemplo 2), ervas medicinais (exemplo 1, exemplo 2, exemplo 3, exemplo 4, exemplo 5), Reiki (exemplo 1, exemplo 2), entre outras terapias.

Assim sendo, em se referindo a tratamentos de doenças, dores e outros problemas, as terapias alternativas acabam não sendo isentas de serem submetidas a testes com violenta exploração animal.

4. Até alimentos vegetais básicos, como cenouras, tomates e feijões, tiveram seus efeitos positivos ou negativos para o organismo humano testados em animais.
Nem tratamento terapêutico, nem prevenção baseada em alimentos saudáveis. Ambos não estão livres da sombra dos testes em animais. Alimentos ou substâncias presentes em algum deles também são, com certa frequência, testados em cobaias, visando-se verificar, por exemplo, seu efeito de aliviar doenças crônicas e dores agudas.

Exemplos não faltam por aí. Castanha, cogumelo, bardana, cenoura, feijão preto, soja,castanha-do-pará, tomate, entre tantos outros, tiveram seus efeitos à saúde testados em camundongos, ratos e outros animais ditos “de laboratório”.

5. Combustíveis também são testados em animais.

Indispensáveis para a sociedade moderna, os combustíveis também passaram, e talvez ainda passem de tempos em tempos, por testes de segurança em animais. Aqui vê-se exemplificar o teste de três combustíveis numa mesma pesquisa em camundongos.

Além disso, eventualmente pode-se ver avisos em postos de combustíveis sobre os vapores de combustível terem efeitos devastadores verificados em animais em pesquisas laboratoriais.

6. Muitos ingredientes utilizados hoje por indústrias que atualmente não realizam nem subsidiam testes em animais foram testados de maneira cruel no passado, por outras empresas.

A grande maioria dos ingredientes hoje presentes em produtos veganos tem um passado violento. Foram, décadas ou até poucos anos atrás, testados em animais, tendo sido os resultados das cruéis pesquisas guardados em arquivo para que não seja necessário repeti-los no futuro. Assim sendo, muitas empresas, mesmo não realizando nem subsidiando mais testes em animais atualmente, usam tais substâncias em seus produtos.

Porém isso não é motivo para boicotá-las. O que realmente importa é que elas não compactuam hoje com pesquisas em animais, como é descrito a seguir.

7. O boicote vegano a produtos substituíveis testados em animais não tem efeito retroativo.

Na curiosidade anterior, falou-se sobre ingredientes que foram testados em animais anos ou décadas atrás. Em relação a eles, não se pode fazer nada hoje, já que o passado não pode ser mudado. As cobaias torturadas e mortas não podem ser rematerializadas e ressuscitadas. O que importa é se as empresas que os usam promovem ou pagam testes cruéis ainda hoje ou não.

O veganismo determina o boicote a empresas que ainda não deixaram de testar produtos e/ou ingredientes em animais. Se a companhia não compactua mais com tais procedimentos – e não é envolvida, por exemplo, com patrocínio a rodeios ou exploração humana –, ela não precisa mais ser boicotada, mesmo que use ingredientes que foram testados em cobaias, digamos, 15 anos atrás.

Portanto, se você usa um xampu cujos ingredientes haviam sido testados em animais décadas atrás mas agora não tem nenhum ingrediente de origem animal e é produzido por uma empresa que já abandonou os testes com cobaias, você não deixa de estar usando um produto vegano.

8. Há estratégias alternativas para exigir o fim dos testes em animais para produtos que hoje não dispensam esse tipo de procedimento.

Para os itens para os quais não há hoje métodos de teste que substituam completamente o uso de animais, vale transcender o hábito de boicotar. Há várias alternativas de militância anti-testes em animais possíveis, destacando-se as seguintes:
a) Estudantes de cursos que hoje têm a tradição de envolver pesquisas em animais, como Medicina, Biomedicina e Medicina Veterinária, assim como alunos de cursos que mesclam Engenharia com algum ramo (bio)medicinal, pesquisarem e desenvolverem métodos alternativos/substitutivos de pesquisa de medicamentos e terapias alternativas e/ou testes de segurança de outros produtos industrializados;
b) Pensadores dos Direitos Animais escreverem livros problematizando as ciências experimentais vivisseccionistas, em campos de conhecimento como a Ética, a Filosofia da Ciência e a Biologia;
c) Realização de eventos (congressos, conferências, simpósios, palestras, debates etc.) sobre uso de animais em pesquisas científicas e testes industriais;
d) Realização de protestos nas universidades que exploram animais e nas sedes ou filiais de empresas que relutam em abandonar os testes cruéis.

Afinal, como diz a próxima curiosidade…

9. O veganismo vai além de boicotar produtos com ingrediente(s) de origem animal e/ou testados em animais

Veganismo que se restringe ao boicote a tais produtos é um mero veganismo de não agressão, que restringe o indivíduo a meramente, e incompletamente, não participar da exploração animal. O veganismo propriamente dito, aquele que é a manifestação prática do abolicionismo, busca transcender os limites nos quais o hábito de consumo antiespecista esbarra.

Portanto, como consciência ética que visa a luta pela abolição da escravidão animal, ao invés da mera não participação individual, o veganismo abolicionista, de libertação, induz o indivíduo a “dar seu jeito” de, por exemplo, aumentar a população vegana do Brasil e do mundo, fazer pressão ativa – ao invés de ser meramente um cliente a menos – para as empresas abandonarem de vez os testes em animais, reivindicar abertamente a expansão de estabelecimentos alimentícios veganos pelo país – o que ajuda a quebrar a resistência de quem já simpatiza com o veganismo mas ainda tem medo de não ter onde comer fora –, ajudar a reforçar a teoria vegano-abolicionista e amadurecer o movimento brasileiro defensor dos Direitos Animais, entre outras posturas politicamente ativas.

10. O boicote vegano, quando adotado de forma isolada, não acompanhado de táticas de ativismo abolicionista, é menos que insuficiente para promover a libertação animal.
Como dito acima, o veganismo que se restringe ao boicote daquilo que pode ser boicotado é meramente de não agressão, uma maneira conservadora de o indivíduo limpar a consciência e tocar sua vida para frente. Pouco ou nada influencia para libertar os animais da opressão humana.

O vegan que faz apenas um boicote silencioso, por mais que ache estar ajudando a esvaziar a clientela de empresas não veganas, é facilmente compensado, por essas companhias, por novos clientes não veganos, através de estratégias de marketing como a publicidade e a redução promocional de preços. Ou seja, em praticamente nada adianta só evitar o consumo de determinados produtos, se nenhuma ação abolicionista é tomada para transformar essa evitação em postura ativista que reivindique o fim dos testes em animais e de todas as demais formas de exploração animal.

Portanto, não desanime por causa da existência de produtos não veganos que você não pode hoje boicotar. Tampouco desista do veganismo achando que ele é “inviável” por não ser perfeito. Pelo contrário, procure outros meios de promover o abolicionismo, transcendendo – mas não abandonando – o hábito de consumo e adotando uma posição política ativista em prol da libertação animal. Enquanto isso, continue evitando o consumo daqueles itens não veganos que você pode evitar e substituir por alternativas veganas. Nisso o boicote e o ativismo se complementam um ao outro.

Robson Fernando De Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do vlog Canal Veganagente. Articulista desde 2007, blogueiro desde 2008, vlogueiro desde 2011. Atualmente estuda Ciências Sociais na UFPE

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10 dicas sobre produtos corriqueiros com ingredientes de origem animal



1. O corante carmim, que dá tons de cor variando entre rosa, vermelho e lilás a vários produtos, é feito a partir da tritura dos corpos de insetos chamados cochonilhas, e pode vir com nomes bem diferentes – “corante carmim de cochonilha”, “corante carmim”, “cochineal”, “E120”, “C.I. 75470”, “ácido carmínico”, “vermelho 4”, “vermelho 3”.Obs.: Vermelho 40 não é corante carmim;

2. Você precisa se atentar a dois produtos comuns em lanchonetes e restaurantes: sachês de catchup e de adoçante em pó. Algumas marcas de catchup vêm com corante carmim, e algumas de adoçantes em pó contêm lactose;

3. Alguns medicamentos em comprimido ou cápsula podem vir com lactose e/ou gelatina animal em sua composição. Verifique se há marcas alternativas com o mesmo princípio ativo ou a mesma finalidade que não contenham ingredientes de origem animal. Por exemplo: se você encontrou um remédio para sinusite e ele contém lactose, procure por um outro que também sirva contra esse problema e não tenha o infame ingrediente. Dica extra: Diga ao farmacêutico, mesmo que seja mentindo, que tem intolerância a lactose e gelatina e por isso está procurando um medicamento que não contenha nenhum dos dois ingredientes;

4. A glicerina pode ser de origem animal ou vegetal. Só há certeza de que ela é procedente de vegetais se a embalagem ou rótulo do produto se declarar como tendo “base vegetal” e/ou a glicerina constar nos ingredientes como “glicerina vegetal”. Se o produto glicerinado que você achar não se enquadra em nenhum dos dois casos, não o compre sem antes consultar fóruns virtuais de troca de informação sobre respostas de SACs ou, caso não encontre a informação desejada nesses fóruns, você mesmo entrar em contato com o SAC da empresa e perguntar a procedência da glicerina do item;

5. Nunca “baixe a guarda” em se tratando de guloseimas industrializadas (chocolates, biscoitos/bolachas, salgadinhos, bombons, picolés, pipocas, batatas fritas, sucos etc.), assim como granolas. Se você consome variedades veganas delas, existe sempre a probabilidade de elas a qualquer momento passarem a vir com algum ingrediente de origem animal (ex.: soro de leite, leite em pó integral, mel, aroma natural de manteiga, aroma natural de carne, [palmitato de] retinol/retinil etc.);

6. Quando comprar um cinto, bolsa ou sapato que aparente conter couro, sempre pergunte se o couro é sintético, vegetal ou de origem animal;

7. Nunca confunda lojas de produtos naturais com lojas veganas (que vendem apenas produtos livres de ingredientes de origem animal e fabricados por empresas não [mais] envolvidas com testes em animais). Há uma abundante variedade de produtos com ingredientes de origem animal em lojas “naturebas”. Você precisará ter, dentro desses estabelecimentos, o mesmo olhar investigador de rótulos e embalagens que tem em supermercados e mercearias comuns;

8. O mesmo se aplica a lanches rotulados como “naturais”, “integrais”, “light”, “diet”, “sem lactose”, “saudáveis”, “sem carne” ou mesmo “vegetarianos”. Eles podem conter algum ingrediente traiçoeiro, como por exemplo sanduíches “naturais” que levam carne branca e/ou queijo, bolos “sem lactose” que levam ovos, variedades de granola que levam mel e/ou manteiga, salgados “integrais” que levam ricota e hambúrgueres congelados “vegetarianos” que levam leite e/ou ovos;

9. Algumas marcas de pão de forma integral industrializado podem vir com derivados de leite ou mel na composição, portanto tenha cautela também ao comprar aquele pão integral de supermercado com o qual você queira fazer aquela torradinha bacana do café da manhã;

10. Sempre que você, intencionando comprar pão, for entrar numa padaria aonde você nunca tenha ido desde que virou vegan, pergunte ao padeiro ou aos balconistas quais os ingredientes do pão que você quer comprar. Há uma probabilidade de o pão que se vende ali conter, por exemplo, margarina (que leva leite como subingrediente), gordura animal, caldo de ovos ou leite.

Bônus: Os fóruns virtuais de trocas de informação sobre SACs de empresas são seus amigos. Consulte-os sempre que encontrar um produto industrializado novo que esteja interessando você a comprá-lo. Dois lugares do tipo recomendados são o grupo SAC Vegano, no Facebook, e o fórum de produtos do Guia Vegano.

Robson Fernando De Souza

Autor dos blogs Consciencia.blog.br e Veganagente e do vlog Canal Veganagente. Articulista desde 2007, blogueiro desde 2008, vlogueiro desde 2011. Atualmente estuda Ciências Sociais na UFPE

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10 curiosidades sobre fontes veganas de nutrientes



Aviso: Este artigo não substitui a orientação de um nutricionista.

1. Um banho de sol de 15 minutos pela manhã, além de ajudar você a despertar, também rende a seu corpo a produção de ótima vitamina D. Para melhorar, o sol que banha sua pele enquanto você vai ao trabalho, à universidade/faculdade ou à escola também ajuda seu corpo a produzir esse nutriente;

2. A linhaça é a melhor fonte vegetal de ômega-3 conhecida no Brasil, mas o azeite de oliva também ajuda você a obter esse nutriente;

3. A alegação de que “só existe vitamina B12 em alimentos de origem animal” é falsa. A B12 também pode ser encontrada em suplementos vitamínicos e em alimentos veganos industrializados fortificados – com destaque para algumas marcas de leite de soja em caixinha;

4. A tradicional dupla brasileira feijão e arroz do almoço é uma fonte de proteína tão rica quanto carnes e ovos;

5. Couve-folha refogada é uma fonte de cálcio melhor do que o leite de vaca. Enquanto100ml de leite proveem 115 mg do nutriente, 100g dessa variedade de couve fornecem 177,3 mg. Mesmo a couve crua, aliás, provê mais cálcio (130,9mg) do que o leite;

6. Se você quer vitamina C, um suco de acerola é uma fonte de 40 a 80 vezes melhor do que os sucos de limão e de laranja. Suco de acerola e feijão são uma dupla fantástica, já que a acerola ajuda o corpo humano a absorver o ferro do feijão;

7. Quer uma fonte saborosa e saudável de gordura? Coloque azeite de oliva no seu almoço;

8. Se você comprou uma abóbora (também conhecida como jerimum) para cozinhar, não jogue as sementes fora. Elas, além de deliciosas quando tostadas com sal, são ótimas fontes de nutrientes como ferro, zinco, magnésio e fósforo;

9. Além de ser duas das melhores fontes vegetais de ômega-3 no Brasil, a semente e a farinha de linhaça também são uma ótima fonte de fibras, magnésio, manganês e zinco. Duas colheres de sopa de farinha ou semente de linhaça no almoço são uma boa pedida;

10. Se você não gosta de produtos de soja (proteína texturizada, tofu, extrato/leite de soja, feijão de soja etc.) ou tem alergia à mesma, não se preocupe. A soja não é estritamente necessária para a saúde de vegans e vegetarianos, ao contrário do que algumas pessoas ainda acreditam. Um almoço minimamente diversificado, com arroz, feijão, alguns legumes, azeite de oliva, linhaça e uma saladinha simples de verduras, pode muito bem prover os nutrientes que a soja traz e não pesa no bolso. Além disso, há muitas outras opções, inclusive caseiras, de leite vegetal, igualmente saudáveis.

Bônus: Em restaurantes self-service, mesmo naqueles que não são nem protovegetarianos, você pode obter um almoço nutritivamente saudável, além de delicioso. Basta você caprichar nos legumes e verduras, além de colocar a tradicional dupla feijão e arroz – e tomar cuidado com opções que levem algum ingrediente animal escondido, como repolho banhado em manteiga e bolinho de soja que leva ovos. Os substitutos gastronômicos veganos de carnes e queijos não são estritamente necessários, embora deem um gostinho ainda mais especial ao prato de muita gente.

Robson Fernando De Souza

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A alimentação vegana e vegetariana não é 100% vegetal



Uma informação muito propagada entre vegans e vegetarianos é de que a alimentação vegana/vegetariana (não incluindo o protovegetarianismo) é “100% vegetal”. Essa crença é equivocada, ou seja, ao contrário do que se afirma por aí, nem todo alimento no veganismo e no vegetarianismo é vegetal.

Não falo isso em relação a produtos animais como laticínios, ovos e derivados da apicultura, que não são produtos vegetarianos – ao contrário do que muitos protovegetarianos ainda acreditam –, tampouco, obviamente, veganos. Mas sim pela presença de importantes produtos minerais e, opcionalmente, de fungos e algas numa alimentação ética.

O exemplo mais óbvio é a água. Ela não é um produto vegetal, mas sim um mineral. E mesmo não sendo originada de plantas, é indiscutivelmente essencial para a vida humana.

Além da água, o cloreto de sódio, sob a forma de sal de cozinha, também é um produto mineral comestível, a ser consumido em doses moderadas – ou bastante baixas, para quem tem hipertensão. É dele que provém a maior parte da quantia de sódio incluída nas necessidades diárias do corpo humano.

Somam-se a esses minerais alimentos opcionais originados de seres vivos que não são vegetais. São os fungos, na maioria das vezes cogumelos – como, por exemplo, o shimeji, o shitake, o champignon e os cogumelos em conserva vendidos em supermercados –, e as algas, hoje não mais consideradas vegetais – como exemplos, existem o ágar-ágar (gelatina extraída de algas), a alga nori, a “alface do mar”, a wakame e a microalga spirulina.

Por isso, é errado dizer que vegans e vegetarianos consomem uma alimentação “100% vegetal”, já que esta é composta também de minerais, fungos e algas. O mais lógico é dizer, ao invés, que a alimentação ética é 0% animal.

Robson Fernando De Souza

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Por que chamar o vegetarianismo de dieta “restritiva, logo ruim” é um tiro no pé



Ainda é comum que o vegetarianismo – como dieta livre de todo e qualquer alimento de origem animal – seja considerado “ruim” por ser uma dieta restritiva, que alegadamente“não permite” o consumo desse tipo mencionado de produtos. E a partir dessa restritividade, dirige-se contra a alimentação vegetariana a mais abrangente diversidade de críticas morais e “nutricionais”. Mal sabem os críticos do vegetarianismo que eles estão dando tiros no pé toda vez que usam a tática de dizer que uma alimentação restritiva é ruim simplesmente por assim ser.

Os carnistas que se investem nessa condenação partem da premissa verdadeira de que toda opção alimentar que, por decisão própria do indivíduo ou proibição, interdite o consumo de determinados alimentos é restritiva. Um segundo pressuposto dessas críticas, por sua vez falso, é que toda dieta dotada de alguma restrição – ou seja, ausência de um ou mais tipos ou espécies de alimentos – é carente de determinadas fontes de nutrientes e, portanto, seria ou correria o risco de ser “deficiente” e, por tabela, seria “menos aceitável” moral-culturalmente do que dietas “não restritivas”.

Nesse sentido, o feitiço vira contra o próprio feiticeiro. A crítica ao vegetarianismo como dieta “de restrição” acaba se aplicando diretamente às próprias dietas onívoras. No caso da cultura alimentar brasileira, o consumo de carne humana, carne de cachorro ou de gato, insetos “comestíveis”, leite de cadela e de porca, ovo de pássaras e outros itens de origem animal é moralmente interditado, mesmo que em alguns outros países alguns desses pratos sejam apreciados pelos onívoros locais. Ou seja, se alguém diz que o onivorismo não é restritivo, está faltando com a verdade.

Um outro detalhe ignorado é que a própria alimentação não vegana, quando vem acompanhada de preconceito contra o vegetarianismo, também acaba sendo configurável como restritiva quando fica claro que ela “não pode” recorrer a receitas veganas. Afinal, a mentalidade preconceituosa carnista reza que o ser humano “tem que consumir” alimentos de origem animal e “não pode”, por exemplo, prescindir da carne no almoço e dos laticínios nas refeições da manhã e da noite.

E um terceiro aspecto da alimentação não vegana brasileira constrangedor para opositores do veganismo é que, para muitas pessoas, ela não consegue prover uma completude de nutrientes sem o auxílio da fortificação industrial com minerais e vitaminas suplementares. Exemplos disso são o iodo, o ferro e o ácido fólico – que já são suplementados por fortificação de sal (com iodo) e derivados industriais do trigo (com ferro e ácido fólico) –, assim como a própria vitamina B12, deficiente em cerca de 20% da população dos países industrializados.

Nesse sentido, não existe no mundo uma dieta não restritiva, e o próprio onivorismo brasileiro interdita o consumo de muitos “produtos” comestíveis e enfatiza que a ingestão de muitos de origem animal é considerada imoral. Mas nem por isso os carnistas críticos da alimentação “restritiva” criticam ferrenhamente essa opção alimentar, até porque eles próprios são adeptos dela.

O fato é que uma dieta não precisa ser universalmente abrangente e dar liberdade total de consumo para ser saudável. O vegetarianismo, sendo o exemplo mais notável, não precisa de nenhum alimento de origem animal para ser saudável. E nem toda dieta cuja restritividade é ignorada ou inexistente consegue dar conta de todos os nutrientes para todas as pessoas.

Por isso, os argumentos de que tal dieta é “restritiva, logo prejudicial e inaceitável” podem ser aplicados ao que os próprios críticos carnistas comem. Em outras palavras, eles não têm moral nenhuma para falar de “restritividade nociva” contra vegans e vegetarianos. Esse tipo de argumento nada mais é do que uma manifestação de preconceito.

Robson Fernando De Souza

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