SHEILA LEIRNER Os elefantes pintores e a imbecilidade humana

Foto: Reprodução/Estadão


Uma pessoa que conhece o meu amor pela arte e certamente desconhece o meu sentimento pelos animais, marcou-me, entre outros, num post do Facebook onde ela apresenta o vídeo de um elefante que desenha com um pincel em sua tromba. Sob o olhar do adestrador – que, de tempos em tempos, molha o pincel na tinta – o animal traça a figura de outro elefante, três flores e uma palavra de quatro letras em guisa de “assinatura”. A legenda diz: “Se quiser aprender a amar, comece com os animais… eles são mais sensíveis.”

O vídeo (que me recuso a reproduzir aqui) foi visto 34 792 138 vezes, teve mil curtidas, 3 226 pessoas compartilharam e eu, que jamais vi coisa igual, detestei testemunhar o animal abusado. Um elefante respira 70% pela tromba, é o seu órgão mais precioso.

Quando o vemos controlar o pincel com ela, não é difícil supor a crueldade da adestração que precedeu este gesto. Como no circo e nos parques de atrações, estes campos de concentração de animais, adestramento e maus-tratos sempre estão na origem da sua suposta “sabedoria”. Que pulsão é esta que faz com que o homem, por ignorância, voracidade e/ou crueldade, esteja sempre tentando desnaturar o natural?

Procurei saber mais. Descobri que “elefantes pintores” são mártires. A metade deles morre: ou de septicemia (os pincéis os infectam) ou porque tornam-se incontroláveis e são mortos ou se suicidam por asfixia fechando a boca e deitando sobre a sua própria tromba.

Agora é carnaval e, tanto pior se em vez de falar de folia, resolvi lembrar da inteligência animal que perime nas florestas e da falta de inteligência humana que grassa no planeta!

Fonte: Estadão

JAQUELINE B. RAMOS - Precisamos conversar sobre passeios em zoológicos

Tigre no Higashiyama Zoo, Nagoya, Japão (janeiro 2017)


Me chamou a atenção a notícia da tratadora morta (mais uma) por um dos tigres que cuidava no Hamerton Zoo Park, em Cambridgeshire, na Inglaterra.

Entre os casos similares registrados nos últimos anos estão as mortes de uma tratadora em maio de 2013 na Inglaterra; de um homem depois de uma fuga de vários animais em um zoológico na Georgia, Estados Unidos, em junho de 2015; de um tratador com 20 anos de experiência em um zoológico na Nova Zelândia em setembro do mesmo ano; de uma tratadora em um zoológico na Flórida, Estados Unidos, em abril de 2016; de uma tratadora em um zoológico espanhol em julho do mesmo ano; e, no mesmo mês, uma mulher morta e outra gravemente ferida em um ataque no Beijing Badaling Wildlife World, na China.

Em alguns casos os “tigres assassinos” acabaram sendo abatidos, e em outros foram poupados. Os tratadores vítimas eram profissionais experientes, que conheciam, gostavam e cuidavam dos animais há anos. Mas nem isso foi suficiente para impedir o ataque. Por que, na verdade, a conta de manter grandes felinos (e animais selvagens em geral) em cativeiro não fecha.

O desafio do cativeiro já é enorme, com direito a dilemas éticos e incidentes, em locais conhecidos como santuários, nos quais o foco é o bem-estar e a conservação das espécies. Em zoológicos, nos quais um dos objetivos principais é atender os visitantes, proporcionar para o público em geral a experiência de ver um animal selvagem de perto – se é que isso é possível -, espera-se que os desafios, e, consequentemente, os riscos, sejam muito maiores.

Michael Nichols, fotógrafo e editor da revista National Geographic, produziu em 1996 um documentário sobretigres em cativeiro nos Estados Unidos e sua conclusão ainda é válida e muito perspicaz, mesmo passados 21 anos. “Simplesmente não tem como um predador viver tão perto de seres humanos”.

Voltando a pergunta inicial da minha breve reflexão, destaco um comentário da minha filha de sete anos quando viu um tigre em um zoológico em um “passeio” recentemente. “Meu Deus, como prendem uma coisa dessas, gente?!” Está mais do que na hora de atentar para esse tipo de impressão mais pura e livre de preconceitos, analisar fatos e dados e rever nossa relação com tigres, ursos, chimpanzés, golfinhos e todos os animais selvagens que temos a pretensão de manter bem em cativeiro para nos proporcionar bons passeios.

*Jornalista ambiental/Gerente de Comunicação do Projeto GAP Internacional

SOPHIA NGUYEN - O crescimento da cultura vegana


Distantes são os dias de Anne Hall, quando Woody Allen recusou um prato de brotos de alfafa e fermento. Com o decorrer dos anos, os alimentos veganos passaram de comidas insossas para o mainstream.


Um sinal dos tempos: em 2016, a Tyson Foods, a maior processadora de carnes dos Estados Unidos, comprou uma participação de 5% da empresa de proteínas vegetais, Beyond Meat.

Não mais retratado com associações a cozinheiros hippies ou políticos radicais, o veganismo ascendeu a um plano de ambições de vida. Hoje famosos como Tom Brady e Beyoncé possuem uma alimentação vegana.

A estudante de graduação em sociologia, Nina Gheihman, está pesquisando os aspectos sociais da propagação do veganismo. O veganismo, primeiramente, era associado intimamente à ideologia do movimento dos direitos animais. Ela explica que antes o movimento visava uma variedade de alvos, como a indústria da pele e testes em animais.

Quando os ativistas mudaram o foco para condições de fazendas e a alimentação, o veganismo assumiu o que os estudantes chamam de “movimento de estilo de vida”.

Ao longo do tempo, se tornou ainda mais associado com as preocupações gerais com o meio ambiente e com a saúde. O surgimento de números confiáveis de quantas pessoas se identificam como veganas é difícil, diz Gheihman, mas um número crescente de pessoas adota o veganismo.

Cientistas sociais estudaram o veganismo e suas relações com o ativismo pelos direitos animais, mas há menos pesquisas sobre os mecanismos e estrutura do estilo de vida atual. Gheihman tem interesse especialmente em analisar as figuras de destaque que ela, provisoriamente, chamou de “advogados do estilo de vida”, argumentando que eles mudaram a natureza do ativismo.

Eles normalmente são de áreas normalmente não associadas ao ativismo, ela diz, e são especialmente empreendedores. O “trabalho cultural” que fazem não é estritamente definido pelas suas ocupações oficiais. Esse trabalho expandiu o veganismo além do seu núcleo ideológico, permitindo que uma grande variedade de pessoas participe mesmo que não sigam todos os aspectos e princípios do veganismo.

Gheihman classifica essas pessoas em três categorias. algumas defensoras do estilo de vida criam oportunidades para o consumo – por exemplo, começando um serviço de alimentos veganos, abrindo um restaurante ou armazenando proteínas vegetais nas suas mercearias.

Outro grupo trabalha no que ela chama de “produção de conhecimento”, produzindo pesquisas educacionais – filmes, livros e postagens em blogs – que as pessoas usam para compartilhar dicas e conselhos culinários ou para persuadir outras a mudarem suas dietas.

O terceiro, e o mais abstrato, é o tipo de advocacia que ela chama de “produção significativa”, ou “trabalho interpretativo”. Essas pessoas mudam a associação cultural atrelada ao veganismo: “a essência simbólica do que o veganismo significa”, como Gheihman coloca.

Gheihman planeja realizar uma pesquisa de campo com entrevistas para examinar a evolução do veganismo em dois outros contextos nacionais. O primeiro é a França, “o lugar óbvio para estudar um movimento alimentício porque isso é muito central para as noções que possuímos do que faz um alimento ser bom ou adequado”.

A culinária do país pode parecer inimiga do queijo de caju ou à aquafaba como um substituto do ovo, mas a estrutura hierárquica da sua cultura alimentar poderia pavimentar o caminho para uma mudança dramática. Nos últimos anos, os chefes de culinária gourmet, atendendo a uma clientela internacional de ponta, tiveram que experimentar menus veganos.

Sua influência foi ampliada por uma rede de blogs de comidas veganas e autores de livros culinários – mesmo que outras instituições resistam à propagação desse estilo de vida. Segundo Gheihman, o Ministério da Saúde da França diz que o vegetarianismo resultara em deficiências nutricionais e riscos de saúde em longo prazo e os padrões nutricionais do governo para as cafeterias escolares exigem um laticínio em cada refeição.

O segundo caso é Israel, onde estimativas apontam que em torno de 5% da população é vegana. Tel Aviv ganhou a reputação de ser uma das capitais veganas do mundo. A Força de Defesa Israelense fornece cardápios livres de produtos animais e botas e capacetes sem couro para soldados veganos. Além dos números, Israel representa um interessante exemplo contrastante, explica Gheihman.

Isso ocorre em parte porque o veganismo permanece firmemente enraizado nas preocupações com os direitos animais e é praticado no espectro político e religioso. Ela também está interessada em como o estilo de vida vegano evoluiu dentro do contexto cultural de Israel, apoiado pelo simbolismo nacional sobre o uso da terra e da água, e com as tradições agrícolas do país e a dieta Mediterrânea.

O estilo de vida vegano de Gheihman, entretanto, vai muito além do seu prato individual. Ela está envolvida com o Conselho de Sustentabilidade, a Sociedade Vegana de Harvard, a Conferência Vegana da Ivy League e o Boston Plant-Based Millennials, que realiza reuniões mensalmente.

* Texto publicado na Harvard Magazine e traduzido por Andressa Aricieri

E as fraldas descartáveis? - por Eduardo Corassa


É claro que são convenientes pelo ponto de vista ocidental, de dar menos trabalho e serem “descartáveis”. Mas sabemos que lixo como plástico e compostos sintéticos não são bio-degradáveis e...


É claro que são convenientes pelo ponto de vista ocidental, de dar menos trabalho e serem “descartáveis”. Mas sabemos que lixo como plástico e compostos sintéticos não são bio-degradáveis e perduram por décadas ou centenas de anos (no caso das fraldas até 500 anos) no meio ambiente, assim como toxinas, gasto de recursos naturais em sua produção, entre outras questões que não são pertinentes a este livro, pois lida com saúde da criança, mas extremamente pertinentes a todos os pais que devem se preocupar com o meio ambiente até mesmo para o futuro do seu bebê, já que mesmo que essas fraldas sejam enterradas em aterros, sua toxicidade vai se espalhar pelo solo, água e ar e retornar a um ciclo sem fim de contaminação a tudo que vive.

Muitas dessas fraldas são feitas de polietileno, tem “fragrâncias” sintéticas que dão odor agradável e corantes que colorem as fraldas, são derivados do petróleo e outras fontes químicas sintéticas, contendo obviamente, dioxinas e compostos similares. Só no Brasil, são descartadas 17.625.600 fraldas por dia, sendo aproximadamente 6 bilhões e meio ao ano sendo jogadas fora, indo parar em aterros, então gera uma questão de saúde pública na produção e disseminação destas toxinas ambientais que vão obviamente alcançar os lençóis freáticos, assim como na contaminação direta da criança devido ao contato com a fralda.

Estas fraldas descartáveis são branqueadas com cloro e possuem um gel absorvente (SAP – Poliacrilado de Sódio), resultando na formação de dioxinas que contaminam o meio ambiente e as fraldas, e consequentemente a criança. E como previamente mencionado, tais toxinas são relacionadas a reações cutâneas, alteração do funcionamento hepático, prejudicam o funcionamento do sistema imune, nervoso, endócrino e reprodutor. A maioria dos pais não compreende que estas fraldas, em contato diário e frequente por anos com os órgãos reprodutores de seu bebê, podem surtir efeitos nocivos e de duração a longo prazo, como erupções cutâneas, alergias e asma, infertilidade masculina, hepatopatias, câncer testicular etc.

Além dos compostos tóxicos, a temperatura do escroto é elevada em até 1ºC para crianças que usam fraldas descartáveis, comparado a crianças com fraldas de pano. A hipotermia do escroto é essencial para sua saúde. Todos estes fatores, de acordo com as pesquisas podem prejudicar na maturação testicular e na espermatogênese na fase adulta e ainda facilitar o desenvolvimento de câncer nos testículos e prejudicar a qualidade do esperma. Tornando as fraldas descartáveis com certeza, um fator contribuinte ao aumento da infertilidade nas últimas décadas.

Tirando obviamente a questão econômica, que para os pais, fraldas de pano podem consumir talvez mais tempo, mas economizam consideravelmente o orçamento.

Peça que os senadores da Comissão de Assuntos Sociais e Michel Temer mantenham a rotulagem de transgênicos


Caro (a) amigo (a), 

Precisamos da sua ajuda para continuar apoiando a rotulagem de transgênicos, que sofreu outra ameaça esta semana. 

Senadores da CRA (Comissão de Agricultura e Reforma Agrária), ignorando todos os protestos e repúdios registrados por dezenas de milhares de consumidores, estudiosos e órgãos públicos de todo o país, aprovaram no último dia 19, o PLC (Projeto de Lei da Câmara) 34/2015, que retira o símbolo “T” de produtos que contenham transgênicos em sua composição. 

A aprovação foi feita a partir de uma manobra sorrateira, conhecida como “extrapauta”: o relator do projeto na Comissão, senador Cidinho Santos (PR/MT), com apoio de outros parlamentares, incluiu o assunto nas discussões do dia sem que o mesmo estivesse presente na pauta oficial, que precisa ser divulgada com dois dias de antecedência. 


Ao mesmo tempo, continuamos aguardando um posicionamento oficial da presidência sobre o decreto para alterar a rotulagem de transgênicos, que pode ser assinado a qualquer momento. 


Para o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), essas ações representam um grave retrocesso e uma afronta aos direitos dos consumidores, pois impedem a informação clara e precisa sobre o uso de ingredientes transgênicos nos produtos alimentícios. 

O Idec é uma Organização não Governamental que luta pelos direitos dos consumidores. Apoie o Idec nesta luta, seja um associado ou assinante da nossa revista. Saiba como em www.idec.org.br/associe-se

Escola de culinária reconhecida mundialmente oferece aulas sobre veganismo



As vendas para a aula se esgotaram em tempo recorde e a instituição decidiu oferecer outra aula na primavera. Além disso, a escola quer disponibilizar uma série de aulas sobre alimentação sem crueldade em um futuro próximo.

No cardápio das aulas, existe uma variedade de cozinhas e de pratos clássicos, incluindo maionese sem ovos, pesto de brócolis, molho de queijo sem leite, risoto, curry de grão-de-bico, entre outros.

Um grupo de chefs preparados para trabalhar sem produtos animais se graduará com ótimas ideias e habilidades e isso pode motivar alguns deles a abrir seus próprios negócios, segundo o Metro.

“Percebemos um aumento direto na demanda por conhecimento nutricional combinada com habilidades práticas de culinária nos últimos anos, o que levou ao lançamento do nosso curso de Nutrição na Prática”, explicou Camilla Schneideman, diretora-gerente da Leiths School of Food and Wine.

“Desde então, o veganismo tem se popularizado cada vez mais no Reino Unido, com restaurantes como Mildred’s, Temple of Seitan e Fed By Water atraindo enormes multidões. Nossa primeira classe totalmente vegana, The Essential Vegan, é feita para orientar as pessoas nessa transição inicial. A resposta que tivemos para o lançamento da aula é incrível. Isso mostra que a percepção do veganismo está mudando em grande escala. Temos outra aula em Abril de 2018 e estamos trabalhando em um curso noturno, com sessões para abordar nutrição, receitas para o jantar, assados e nossos melhores bolos veganos”, completou.

A Leiths School of Food and Wine foi considerada a melhor das 10 melhores escolas de culinária do Reino Unido pelo The Guardian, Independent, Country Life e Trip Advisor. Além disso, ganhou o prêmio Food and Travel Magazine Readers em 2014.