Reduzir ingestão de carne pode salvar 5 milhões de vidas até 2050, diz estudo


Foto: Paul Saad/Creative Commons
Agora o alerta vem da Universidade de Oxford, da Inglaterra. Pesquisadores se dedicaram a entender melhor as consequências de quatro diferentes tipos de dieta (tanto para a saúde quanto para o meioambiente). E mais: fizeram projeção de quantas vidas seriam salvas se a dieta mais saudável fosse adotada pelo mundo inteiro.
Segundo eles, se toda a população aderisse a uma dieta livre de derivados de animais – como carne, leite e queijos -, oito milhões de vidas seriam poupadas e as emissões de gases de efeito estufa cairiam em 70% até 2050. Confira o estudo completo!
Mas e se durante o mesmo período todo mundo reduzisse a ingestão de carne e investisse em legumes e verduras? Cinco milhões de vidas seriam poupadas! E se a dieta vegetariana fosse adotada globalmente? Mais de sete milhões de mortes seriam evitadas e as emissões reduziriam em 63%.
Quer mais motivos para repensar a dieta? De acordo com a pesquisa, 40% das mortes registradas no mundo em 2010 foram recorrentes de doenças causadas ou agravadas por má alimentação, como obesidade e diabetes. 
E aí? O estudo te motivou a dar uma chance para a alimentação saudável? Então acompanhe as dicas da nossa chef de cozinha, que posta semanalmente dicas de receitas deliciosas (e fáceis de fazer) para testar em casa.

28/05 - 1º VEIJUCA AMIGA VEGAN

A melhor FEIJOADA VEGANA quem faz é a Cintia Frattini, fundadora do Santuário Terra dos Bichos. Você não pode perder a oportunidade de experimentar esta delícia e ainda ajudar duas ONGs de proteção aos animais.
O Santuário Terra dos Bichos se uniu ao Quintal de São Francisco para fazer a 1º FEIJUCA AMIGA VEGAN, com a finalidade de angariar fundos e manter suas atividades.
No evento também haverá um Bazar com produtos de vestuário, decoração, presentes, bijuterias, doces e bolos, música dos anos 60,70,80 e os produtos da Dog’s Sleep para seus peludos neste inverno rigoroso.

Santuário Terra dos Bichos - mantém acolhidos vários animais retirados de sofrimento e de corredor da morte como as mais de 100 porcas "MARIAS", vítimas do caminhão que tombou no Rodoanel, no ano de 2015.
Quintal de São Francisco - abrigo de cães e gatos idosos e indesejados pela sociedade e que possuem necessidades especiais, inerentes a idade.
28/05 das 12h às 17h – à Rua Teodureto Souto, 592 – Cambuci – Paralela da Avenida Lins de Vasconcelos – CONVITE – R$ 50,00 (venda limitada) 11-2062-8263 ou e-mail quintalfrancisco@terra.com.br

video

Considerações sobre a vida não humana, por David Arioch


Como podemos subestimar o sofrimento de um animal reduzido à comida, quando nós mesmos não estamos na mesma situação que eles? Não se pode menosprezar o sentimento de um animal diante do abate, a não ser que tenhas sentido na pele o desespero da iminência do canibalismo ou de ser morto para tornar-se comida para ser d’outra espécie.

O ser humano é embrutecido pela naturalização do destino terrível dos animais que são colocados à nossa mesa. Sobre isso, Voltaire cita como exemplo crianças que choram com a morte do primeiro frango que eles veem matar, mas riem da morte do segundo.

Quando comes um animal e este animal padeceu em privação e diante da morte, ao ingerir seus pedaços, você consome também a energia concentrada naquela carne, o que não é uma energia positiva, já que todo animal abatido morre de forma não natural, sem chegar ao limite de sua existência.

Depois de ler a fábula “O Lenhador e a Raposa”, vai-te às lágrimas pela morte do gentil animal golpeado mortalmente pelo lenhador, mas não divide a mesma emoção com o bezerro, que sem pai nem mãe agoniza como um órfão enquanto aguarda sua vez de ter o mesmo fim precoce determinado pela indústria.

Ensine seu filho a ser justo com os animais e assim ele também será justo com os seres humanos. Mas se permite que ele seja pernicioso com os animais não humanos, provavelmente ele entenderá que não há problema em ser injusto também com os de sua espécie, já que o seu senso de justiça há de diluir-se em seu ego.




ANDA

Desrespeito com animais é uma das marcas da humanidade, por Amelia Gonzalez



Caros leitores, quero dizer que haverá um tom de amargura neste texto. Perdi meu cachorro há dois dias. Ele era pequeno, saudável, lindo, tinha 9 anos e, aparentemente, foi vítima de envenenamento. Digo aparentemente porque não foi feita a necropsia, portanto nada posso comprovar. Mas todos os sintomas da hora da morte levam a essa conclusão. Se foi envenenamento, a hipótese mais provável é que ele tenha ingerido chumbinho, aquele remédio contra rato que é proibido no Brasil mas que se vê fartamente oferecido nas ruas do Centro do Rio onde há camelôs. E que muitos condomínios usam para acabar com os roedores. Matam-se os ratos e mais quem estiver em volta, em nome da “saúde” dos humanos. É bom registrar que já existe tecnologia suficientemente capaz de acabar com as “pragas” urbanas sem causar impactos ao redor.

Uma vez esclarecidos sobre o meu estado de ânimo, sinto-me mais confortável para compartilhar meu pensamento pouco otimista quando li hoje a notícia de que a Nasa acaba de descobrir um sistema solar semelhante ao nosso. Se a humanidade decidir habitá-lo também, provavelmente ele já estará em risco. Em algum tempo (bem, nós não estaremos aqui para comprovar), não sobrará mais meio ambiente para contar história. Porque o homem é assim: não vê obstáculos naturais quando quer preservar sua espécie. Com esse objetivo, flora e fauna estarão sempre servindo como obstáculo.

E não é sempre para preservar a espécie que o homem decide exterminar com animais e matas. Às vezes a atrocidade acontece por um simples capricho, como por exemplo, ter objetos de marfim puro. Segundo a organização não governamental de conservação alemã Pro Wildlife, no ano passado, em apenas quatro apreensões em toda a Europa,foram confiscados 2.972 quilos de marfim. Aumentou muito em comparação ao ano de 2015, quando foram confiscados 554 quilos e 1.043 esculturas de marfim.

Vale a pena lembrar que para obter marfim puro é preciso matar um animal que chega a pesar 7 toneladas e é o maior mamífero terrestre sobrevivente de uma extensa radiação no período eoceno. Come ervas, frutas e folhas de árvores, o que contribui para manter árvores e arbustos sob controle nas savanas. Não costuma ser agressivos contra humanos, a menos que seja invadido e desrespeitado no período do acasalamento, quando libera uma quantidade enorme de hormônio testosterona e, por isso, é capaz de se enfurecer e não suportar, por exemplo, rituais dos quais muitas vezes é obrigado a
protagonizar, já que, para alguns povos, o elefante é um animal sagrado.

Não é difícil imaginar que os caçadores dessa espécie tranquila e calma devem usar métodos bastante invasivos e agressivos para matá-los. Prefiro não investigar a respeito porque já estou suficientemente abalada.

Mas a boa notícia é que a União Europeia deve proibir a exportação de marfim bruto a partir de julho deste ano, segundo reportagem do jornal britânico “The Guardian”. É boa notícia porque a Europa vende mais marfim cru e esculpido para o mundo do que qualquer outro lugar, alimentando um apetite aparentemente insaciável por presas de elefante na China e no leste da Ásia, conta o repórter Arthur Neslen. A Alemanha já proibiu as exportações brutas de marfim com dimensões superiores a um quilo – ou 20 cm de comprimento – desde 2014 e é agora um dos principais intervenientes nas conversações em Bruxelas destinadas a implementar o plano de ação da União Europeia para combater a criminalidade contra a vida selvagem.

“Embora o comércio internacional de marfim tenha sido largamente proibido desde 1990, os vendedores europeus exportar legalmente o marfim “colhido” antes dessa data, sejam crus – presas inteiras, pedaços de marfim ou sucatas – ou trabalhados por escultura, polimento ou gravura”, diz o texto.

Por sorte, esse crime bárbaro contra criaturas indefesas que já estão entrando na lista das espécies em extinção está sendo denunciado por celebridades. Isso colabora para que o mundo inteiro se dê conta do que está acontecendo e, quem sabe, há de pôr alguma dúvida, ao menos, nas pessoas que contribuem para a matança quando decidem ostentar acessórios de marfim.

Não, isso não é bonito, lembra a vencedora do Oscar, Lupita Nyong’o, ao posar com um bebê elefante resgatado de uma armadilha de caçadores. Na legenda da foto, postada no Instagram, a atriz escreveu: “Por ano, 33 mil elefantes são assassinados para que as pessoas possam usar joias e acessórios com o marfim extraído desses animais”.

Nicky Campbell, jornalista apresentador de televisão britânico, também aderiu à causa e decidiu pôr o dedo direto na ferida em recente artigo, perguntando aos leitores se, ao olharem para uma faca ou palito de marfim eles conseguem se lembrar de um animal com o rosto cortado, sangrando até a morte, para enfeitar aquele objeto.

“Elefantes choram, choram e demonstram empatia. Isso não é Disney. É ciência. Qualquer biólogo irá dizer-lhe porquê, e qualquer etólogo e cientista irá enviar-lhe artigos que são uma revelação total sobre a vida desses animais (eles foram para mim). Isto (o marfim) não é bonito.”, escreveu ele.

Leonardo DiCaprio, Arnold Schwarzenegger, Jared Leto, Kate Middleton, Susan Sarandon, Kathryn Bigelow, Kristin Davis e outros também decidiram abraçar a causa. Isso pode ser bom.

Fato é que a verdade mais óbvia, conforme Campbell lembra muito bem, é que o marfim só tem valor verdadeiro para o elefante. Somente a vaidade e a ganância dos humanos é que deu a ele um valor financeiro.O jornalista termina seu artigo com uma frase esperançosa, dizendo que a humanidade há de mostrarque somos melhores do que isso. Ele acredita que vamos conseguirrecuperar os elefantes e desvalorar o marfim.

Já eu, por causa do trauma que passei com a perda do meu cão, aparentemente vítima da ignorância humana, confesso que hoje não tenho muita esperança numa conscientização sobre a importância de se acabar com o comércio de marfim em respeito à vida dos elefantes. Vai ser preciso ter lei a respeito e, mesmo assim, sempre haverá alguém a burlá-la. Assim são os humanos.

* Jornalista, editou o caderno Razão Social, no jornal O Globo, durante nove anos, e nunca mais parou de pensar, estudar, debater e atualizar o tema da sustentabilidade, da necessidade de se rever o nosso modelo de civilização.

Fonte: G1

Febre amarela: a crueldade e a ignorância andam juntas, por Reinaldo Canto

Tiago Falótico
Se já não bastassem as corriqueiras barbaridades cometidas contra o Meio Ambiente, especialmente na nossa já tão debilitada Mata Atlântica, ainda somos obrigados a assistir a essa irracional caçada e assassinato de primatas, sendo que várias dessas espécies já se encontram na lista de animais em processo de extinção, tais como, Bugio, o Macaco-prego-de-crista, além do Muriqui do sul e do norte.
A situação ficou tão grave pelos diversos casos registrados nos estados de São Paulo e Minas Gerais que levou o Ministério do Meio Ambiente a emitir um alerta à sociedade sobre a gravidade desses atos de violência. Além de informar que os agressores estão cometendo um crime passível de detenção, a nota do ministério esclarece que os macacos não são responsáveis pela transmissão da febre amarela aos humanos.
Em recente declaração, o diretor de Conservação e Manejo de Espécies do MMA, Ugo Vercílio alertou: “É importante que a população tenha plena consciência de que os macacos não são responsáveis pela existência do vírus e nem por sua transmissão a humanos. Eles precisam ser protegidos”.
Os macacos muitas vezes são os primeiros a serem infectados e as primeiras vítimas, contribuindo até mesmo para deixar populações em alerta. “Os primatas agem como verdadeiros anjos da guarda dos seres humanos, pois quando ocorre a morte desses animais em escala anormal, como vem ocorrendo em determinadas regiões da Mata Atlântica, isso é um indicativo da presença do vírus”, ressaltou Danilo Simonni Teixeira, presidente da Sociedade Brasileira de Primatologia.
Sem computar as brutalidades humanas, o Ministério da Saúde já registrou 968 mortes de primatas com suspeita de febre amarela, desde dezembro de 2016. Desses 386 já foram confirmadas como sido causadas pela doença.
A RESPONSABILIDADE DA TRAGÉDIA DA SAMARCO
Tão grave quanto responsabilizar animais indefesos pela febre amarela em humanos é a forte suspeita de que a doença tenha surgido em cidades mineiras próximas ao Rio Doce e que foram afetadas pelo rompimento da barragem da Samarco, em Mariana. Só em Minas Gerais o surto atingiu 152 cidades e mais de 100 mortes de pessoas já foram confirmadas sendo que outros casos permanecem em análise.
O desmatamento provocado pela tragédia e o forte impacto na saúde dos animais dessas localidades podem ter desencadeado o surgimento da doença. Essa suspeita foi levantada pela bióloga Márcia Chame, coordenadora dos estudos de Biodiversidade e Saúde Silvestre na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo. Segundo ela, “Com o estresse de desastres, com a falta de alimentos, eles se tornam mais suscetíveis a doenças, incluindo a febre amarela”.
Este episódio revela mais uma vez como a ignorância acompanhada muitas vezes de suas irmãs siamesas, a irresponsabilidade e a ganância vitimam com frequência alarmante o nosso meio ambiente.
Os primatas que habitam as nossas já escassas florestas de Mata Atlântica cumprem um papel fundamental para a preservação da biodiversidade e, portanto, merecem todo o nosso respeito.
Mata-los de maneira estúpida e sem sentido, nos tornam menos humanos e nossa existência neste planeta ainda mais pobre.
LEGISLAÇÃO E DENÚNCIA
A legislação ambiental é clara: matar ou maltratar animais é crime, cuja pena pode chegar a um ano de detenção, além da aplicação de multa. De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a população deve denunciar casos de violência contra animais da fauna brasileira pelo serviço Linha Verde.
Fone:0800-61-8080
E-mail: linhaverde.sede@ibama.gov.br
Fone 136: informar às autoridades em saúde a ocorrência de animais mortos ou com suspeita da doença.
** Jornalista especializado em sustentabilidade e consumo consciente, é professor de Gestão Ambiental
Fonte: Carta Capital

China: mente evoluída, consciência retrógrada, por Carol Zerbato


Sendo a mente a parte incorpórea, inteligente e sensível do ser humano, e a consciência o sentimento ou conhecimento que permite ao ser humano vivenciar, experimentar ou compreender aspectos ou a totalidade de uma situação e a percepção que o ser humano tem do que é moralmente certo ou errado, separar as duas seja uma boa estrada para tentar entender porque um país evoluído como a China é absolutamente retrógrado no modo como trata seus animais. Afinal, a China é a segunda maior economia do mundo.
É o país que, no ano passado, superou os Estados Unidos em número de supercomputadores. É o país que, neste ano, vai enviar uma sonda à Lua e, se a missão for bem sucedida, se igualará ao Japão na capacidade de recolher amostras de asteroides para serem estudadas na Terra.
É o país que planeja fazer sua primeira expedição à Marte até 2020. É também o país que mantém um urso polar em exposição dentro de um shopping em Guangzhou. É também o país que quer transformar a cidade de Turpan referência em brigas de galo. É também o país que acaba de abrir seu primeiro centro de reprodução de orcas em cativeiro para suprir a demanda do turismo doméstico chinês.
A decisão da criação do centro não espanta mais que o aumento da procura por lazer desse tipo pela população chinesa. Enquanto países como Suíça e Chile, e alguns estados americanos, como a Califórnia, proíbem a reprodução de orcas em cativeiro, a China vai na contramão da evolução de consciência de que os animais não nasceram para nos servir.
Agora, as nove orcas do centro de reprodução do Chimelong Ocean Kingdom Park se juntam a grupo de 45 orcas mantidas em cativeiro ao redor do mundo – número que aumentará ainda mais conforme o planejamento do parque for cumprido. É, China. Você não é tão boa em números quanto parece.
* Carol Zerbato é publicitária e ativista pró-animais e parceira da Arca Brasil (Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal

Cálcio na Dieta Vegana, por George Guimarães



A noção de que o leite e derivados são a melhor (se não a única) fonte de cálcio é tão arraigada na nossa sociedade que a maioria das pessoas tem dificuldade em aceitar a idéia de que é possível ter ossos saudáveis sem o consumo de laticínios. Mas o fato é que o cálcio não é exclusividade do produto secretado pelas glândulas mamárias dos animais mamíferos.

A noção de que o cálcio é exclusividade do leite da vaca é fruto de um elaborado trabalho de propaganda por parte das indústrias de laticínios. Apesar de não poderem afirmar diretamente que o leite de vaca é a única fonte de cálcio (isto seria propaganda enganosa) a indústria busca passar esta noção ao consumidor. Faz pouco mais de um ano que a Vegan Society do Reino Unido processou uma multinacional que lançou uma campanha que trazia a frase: “Leite – essencial para ossos saudáveis”. Em poucos dias, a campanha foi tirada do ar, pois essencial é aquilo que não pode ser substituído, o que não é o caso dos laticínios como sendo fonte de cálcio.

Se uma associação de feirantes pudesse desenvolver uma campanha para promover os alimentos vegetais como boas fontes de cálcio, o que eles promoveriam? Os vegetais verde-escuros (brócolis, couve e quiabo) são excelentes fontes de cálcio e estão acompanhados de uma série de outros nutrientes importantes para o metabolismo do cálcio, como o potássio e a vitamina K. As frutas secas (figo, damasco, uva-passa) e as castanhas e sementes (nozes, avelãs, amêndoas, castanha-do-Pará, semente de girassol, gergelim, entre outras) são fontes bastante concentradas deste mineral e são muito fáceis de serem armazenadas, transportadas e consumidas. Já as leguminosas (soja, tofu, lentilha, ervilha, grão-de-bico, feijões), muitas delas tão presentes no cardápio do brasileiro, são também boas fontes e o melado-de-cana completa a lista oferecendo uma grande concentração de cálcio. Estas são as principais fontes de cálcio em uma dieta livre de produtos de origem animal.

Assim como quando discutimos sobre a existência de boas fontes vegetais de proteína e ferro, uma vez demonstrada a possibilidade da dieta vegetariana fornecer estes nutrientes em quantidades adequadas, a questão que segue é sobre a sua qualidade, ou biodisponibilidade. De fato, há uma diferença com relação à eficiência com que o organismo humano aproveita o cálcio dos alimentos de origem vegetal quando comparada à eficiência com que aproveitamos o cálcio de origem animal. Esta diferença é que o cálcio dos alimentos vegetais é mais bem absorvido. Isto é demonstrado por muitos estudos científicos: os alimentos de origem vegetal oferecem um cálcio que é mais bem utilizado pelo organismo do que o cálcio que tem origem no leite e derivados. Isso significa dizer que, quando a ingestão se dá em quantidade adequada, a qualidade do cálcio vegetal não deixa nada a desejar ao cálcio de origem animal.

No que diz respeito à saúde óssea, as vantagens de se obter o cálcio dos alimentos de origem vegetal não param por aí, pois uma dieta isenta de produtos de origem animal (inclusive os laticínios) tem muitos outros aspectos que favorecem a saúde dos ossos. Quando um nutriente tem efeito positivo na retenção do cálcio no organismo, dizemos que o balanço de cálcio é positivo. O inverso vale para o termo balanço negativo. Os fatores dietéticos que afetam positivamente o balanço de cálcio são a vitamina K, o potássio, um pH sangüíneo alcalino e, é claro, o próprio cálcio. Os fatores que afetam negativamente o balanço de cálcio são o consumo excessivo de sódio, proteínas e vitamina A.

Uma dieta vegana é mais rica em vitamina K e potássio, enquanto ela é mais pobre em sódio. Ela também é mais provavelmente abundante em alimentos alcalinizantes ao mesmo tempo em que não excede com facilidade a quantidade recomendada de proteínas. Além disso, a dieta vegana não excede na ingestão de vitamina A. Na verdade, ela é isenta desta vitamina, fornecendo o beta-caroteno, que é convertido pelo organismo em vitamina A (retinol) apenas na quantidade necessária, evitando assim o seu excesso. Do ponto de vista dietético, a eliminação dos produtos de origem animal, concomitante com o aumento da ingestão de alimentos de origem vegetal, favorece em muito a saúde óssea.

Além do aspecto alimentar, devemos considerar a vitamina D e a atividade física. A vitamina D pode ser produzida pelo organismo e tem papel fundamental para o balanço positivo de cálcio. Ela é sintetizada quando ocorre a exposição adequada da pele à luz solar. Para pessoas de pele clara, uma exposição de cerca de 20 minutos em uma pequena porção de pele (mão e rosto, por exemplo) quando o Sol está a um ângulo acima de quarenta graus do horizonte é o suficiente para estimular a produção de vitamina D em quantidade adequada. Pessoas de pele escura devem estender este tempo de exposição para até uma hora. A atividade física também é muito importante para uma boa saúde óssea. Pense nos seus ossos como se fossem os seus músculos: se você os utilizar pouco, eles se desenvolverão pouco. Uma dieta vegana está relacionada a alguns aspectos que favorecem a prática de atividades físicas, como por exemplo um índice de massa corpórea mais próximo do saudável, e por isso o vegano ganha mais uma vantagem com relação à sua saúde óssea, já que a dieta como um todo favorece a prática de atividades físicas.

Vale notar que quando optamos por ingerir o cálcio a partir de fontes vegetais, estamos optando por ingerir alimentos que são também boas fontes de ferro, fibras e outros nutrientes importantíssimos e que não são encontrados nos laticínios. Aqueles que ainda acreditam que o leite é um produto adequado à alimentação de mamíferos adultos devem estudar mais a fundo os benefícios resultantes da eliminação deste alimento do cardápio, inclusive e especialmente no que diz respeito ao cálcio e outros fatores relacionados à boa saúde óssea.