PEGADA HÍDRICA - Indicador aponta gasto de água em produtos consumidos no dia-a-dia




A conta final de um simples almoço pode bater a marca dos 20 mil litros gastos; confira outros números

Só para produzir um quilo de carne, gasta-se 15,5 mil litros. Nessa soma entram desde a água para irrigar o capim que alimenta o boi até o volume médio ingerido por ele até o abate. 

Quer trocar pelo frango? Prepare-se para consumir 3,9 mil litros.

A proposta da Pegada Hídrica é exatamente esta: alertar para o alto gasto de água que costuma passar despercebido junto com cada produto que consumimos diariamente. “O objetivo é tornar a Pegada Hídrica um fator de escolha na hora da compra dos produtos. Sabendo o volume de água gasto em cada produto, o consumidor vai poder decidir levar para casa aquele que economizou mais. Isso acaba pressionando os fabricantes a utilizarem menos água no processo de produção”, avalia Estanislau Maria, coordenador da organização que prega um consumo consciente, o Instituto Akatu.


Controle no rótulo
Uma das ideias da organização é obrigar os fabricantes a colar nas embalagens dos produtos rótulos com o volume de água gasto. A preocupação não é para menos. Cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com menos de 20 litros de água por dia, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Além da escassez do recurso, em alguns cantos do mundo, o mau uso pode fazer da água artigo de luxo até onde não costuma faltar tanto.

Segundo dados da Organização Water Footprint, responsável por uma série de estudos relativos à Pegada Hídrica, apenas 5% da água no Brasil é gasta com consumo doméstico. Os outros 95% correspondem ao consumo de produtos industriais e agrícolas.





Rios monitorados
Baseado na experiência francesa de gestão, o país “tem uma discussão ampla e participativa” sobre o assunto, mas não sem desafios, pontua. “É preciso conhecer os usuários desses recursos, os pequenos produtores, e cadastrá-los para que seja possível compatibilizar a demanda e a oferta dos recursos hídricos”, afirma o especialista em Recursos Hídricos da Agência Nacional das Águas (ANA) Luiz Henrique Pinheiro.

O trabalho é grande e envolve ainda monitorar os rios e mananciais, tanto do ponto de vista da quantidade, quanto da qualidade da água. “É importante saber quem está consumindo esses recursos e quanto esse manancial pode ofertar, para que se possa fazer um balanço hídrico adequado, sempre atento à questão do consumo consciente”, conclui.

No setor privado, a Pegada Hídrica é hoje em dia utilizada principalmente por grandes empresas nacionais e internacionais de diversos setores como um instrumento de gestão.

“A Pegada Hídrica auxilia a entender quanto de água está sendo utilizada na produção, qual a origem dessa água e a quantidade necessária para que ela possa voltar ao ambiente. Conhecendo essa dinâmica, o setor produtivo pode utilizar essas informações para orientar suas ações no aumento da eficiência do uso deste recurso”, explica a engenheira agrônoma e pesquisadora pela USP Vanessa Empinotti.

Entre as formas citadas pela especialista para melhorar essa eficiência estão a implementação de novas tecnologias que promovam o reuso da água, monitoramento da água durante o processo produtivo, investimento no tratamento de efluentes, entendimento dos processos de contaminação e irrigação que utilize pouca quantidade de água.

“Há muito investimento sendo feito em tecnologias que criam equipamentos capazes de reduzir o consumo de água, como temporizadores, sensores de presença, captação de água da chuva, e muitos outros. A indústria da construção civil, por exemplo, já entendeu essa demanda e constrói prédios considerados verdes (edifícios sustentáveis) a partir desse princípio”, explica a gerente de desenvolvimento sustentável da Fieb, Arlinda Coelho.





A discussão sobre o veganismo e seus benefícios ao meio ambiente e ao futuro é extensa e muito mais complexa do que simplesmente parar de comer carne. Envolve a diminuição da poluição atmosférica, a preservação de recursos vegetais e hídricos, e muitas outras questões.

Numa linguagem descontraída, o filme tem a participação voluntária da modelo e apresentadora Ellen Jabour e do ator Eduardo Pires, ambos vegetarianos, e tem o objetivo de alertar e levantar algumas questões como "Você já se perguntou de onde vem nossa comida? Quais os impactos que ela nos traz? A Engrenagem responde."

Com informações de iBahia

O argumento de que os animais não são prejudicados ao morrer


Os seguintes argumentos são muito comuns:
“Os animais não são prejudicados ao morrer; logo, não é errado matá-los sem dor”
“Os animais não são prejudicados ao morrer porque não são capazes de fazer planos para o futuro”
Existe uma visão que mantém que, para alguém ser prejudicado ao morrer, tem de ser capaz de ter desejos quanto ao futuro. Algumas pessoas que adotam essa visão mantém, então, que os animais não humanos não são prejudicados ao morrer porque são incapazes de fazer planos para o futuro. Essa posição é baseada na teoria sobre o bem individual conhecida como preferencialismo [1]. Em termos gerais, o preferencialismo é a visão que diz que a única forma de se prejudicar alguém é não realizar suas preferências (ou seja, desejos), e a única forma de beneficiar alguém é realizar suas preferências. Assim sendo, especificamente quanto à morte, o preferencialismo mantém que, para alguém ser prejudicado ao morrer, é necessário que possua algum desejo quanto ao futuro (pois então, a morte impediria a realização desse desejo). Por exemplo: se vou dormir agora e não tenho nenhum desejo a ser realizado, de acordo com essa interpretação do preferencialismo, não serei prejudicado se morrer agora. É interessante notar que, se o preferencialismo for correto, então não é somente os animais não humanos que não são prejudicados ao morrer: também todos os humanos que não são capazes de ter desejos que digam respeito ao futuro (bebês, crianças pequenas, portadores de determinadas doenças mentais, etc.), ou, que sejam capazes mas não tenham nenhum no momento. Assim, o preferencialismo não serve para sustentar o especismo.
Existe outra interpretação do preferencialismo que afirma que, para alguém ser prejudicado ao morrer, não é necessário que tenha algum desejo que faça referência ao futuro, mas sim, que tenha alguma preferência presente que não poderia ser mais realizada caso morresse. Assim, segundo essa interpretação, os bebês, as crianças pequenas e os portadores de determinadas doenças mentais, por exemplo, seriam prejudicados se morressem porque isso impediria de eles fazerem as coisas que gostam de fazer. Mas, se é assim, então essa interpretação do preferencialismo oferece iguais razões contra matar qualquer ser que tenha alguma preferência. E, como todo ser senciente prefere o prazer, então isso daria razões para se pensar que todo ser senciente, independentemente de espécie, é prejudicado ao morrer, pela mesma razão. Assim sendo, essa outra interpretação do preferencialismo também não sustentaria o especismo.
Contudo, existe uma outra perspectiva sobre de que se constitui o bem e o mal para um indivíduo, oposta ao preferencialismo: o experiencialismo [2]. Segundo o experiencialismo, existem duas maneiras de alguém ser beneficiado: ou pela presença de estados mentais positivos (como quando acontece algo que dá prazer, por exemplo), ou pela ausência de estados mentais negativos (como quando acontece algo que impede que um sofrimento aconteça, por exemplo). E, existem, respectivamente, de acordo com a mesma teoria, duas maneiras de alguém ser prejudicado: ou pela presença de estados mentais negativos (como quando acontece algo que causa sofrimento, por exemplo), ou pela ausência de estados mentais positivos (como quando acontece algo que impede de a experiência de estados mentais positivos). Assim, segundo o experiencialismo, o dano da morte seria explicado devido à privação de experiências positivas. Ou seja, supondo que não haja vida após à morte, então o indivíduo que morre é prejudicado porque é privado de experimentar toda e qualquer experiência positiva. Note que isso é assim com total independência de se o indivíduo em questão possui preferências quanto ao futuro ou se tem alguma preferência quanto ao presente que ainda queira realizar: para o experiencialismo, o prejuízo da morte se dá pela perda do tempo de desfrute de sensações positivas que alguém ainda teria no futuro, e que não terá mais. De acordo com o experiencialismo, qualquer ser senciente, independentemente de espécie, que tenha possibilidade de desfrutar experiências positivas no futuro é capaz de ser prejudicado a morrer. Portanto, o experiencialismo também não sustenta o especismo.
Quais das perspectivas deve-se adotar? Existe pelo menos uma boa razão contrária ao preferencialismo e favorável ao experiencialismo. A razão é que o preferencialismo parece inverter a ordem entre algo ser bom e termos um desejo por esse algo [3]. Temos preferências por ter certas coisas (por exemplo, estados mentais de felicidade) e por evitar outras (por exemplo, estados mentais de sofrimento) porque sabemos que essas coisas são, respectivamente, boas e ruins – e não, que se tornam boas e ruins porque as desejamos. Se fosse assim, então haveria grande variedade de preferências quanto à felicidade e o sofrimento. Mas, todos que já sofreram uma experiência de dor extrema (ter o corpo em chamas, fraturado membros, etc.) criam uma preferência por evitar esses estados. Isso parece mostrar que o sofrimento é uma experiência intrinsecamente ruim, e que é por isso que criamos a preferência por evitá-lo. O mesmo com a felicidade: é uma experiência intrinsecamente boa, e por isso criamos a preferência por tê-la Se sofrimento e felicidade são experiências intrinsecamente ruins e boas, respectivamente, independentemente de nossas preferências quanto a elas, então é possível afirmar que alguém é prejudicado se experimentar sofrimento e beneficiado se não experimentá-lo; e que é beneficiado se experimentar prazer e prejudicado se não o experimenta, com total independência do fato de esse alguém ter ou não preferências, desejos com relação a esses acontecimentos.
O argumento acima é uma razão para se rejeitar o preferencialismo e se adotar o experiencialismo. É possível que a satisfação de preferências se constitua como uma parte do bem individual. Mas, o argumento acima aponta na direção de que não é uma condição necessária para existir um bem individual. Para existir um bem individual, basta que alguém seja capaz de experiências positivas e negativas. Assim sendo, uma condição suficiente para alguém ser prejudicado ao morrer é a morte privar esse alguém de desfrutar sensações positivas no futuro (desde que, é claro, a quantidade de experiências positivas no futuro seja de número tal, comparadas às experiências de sofrimento, que faça viver valer a pena.). Concluindo, então existem razões para se pensar que todo ser senciente, independentemente de espécie, com possibilidade de experimentar sensações positivas no futuro pode ser prejudicado ao morrer, independentemente de ter ou não preferências quanto ao futuro. Assim sendo, é falso que os animais não humanos não são prejudicados ao morrer devido a carecerem de certas habilidades cognitivas para fazerem planos para o futuro.
Notas:
[1] Uma abordagem do dano da morte com base no preferencialismo pode ser encontrada em SINGER, Peter. Ética Prática. 3 ed. Trad. Jefferson L. Camargo. São Paulo. Martins Fontes, 2002, cap. 5.
[2] Um argumento experiencialista a favor de que os animais não humanos possuem interesse em viver pode ser encontrado neste artigo: HORTA, Oscar. El argumento de por qué los animales sintientes tienen un interés en vivir. Ética mas allá de la espécie. Disponível em: http://masalladelaespecie.wordpress.com/2013/09/09/el-argumento-de-por-que-los-animales-sintientes-tienen-un-interes-en-vivir/
Esse argumento contra o preferencialismo pode ser encontrado em HORTA, Oscar. Metacognition, Language and the Preference Satisfaction Theory: Can Nonhuman Animals Have Intentional States? Methode: Analytic Perspectives, n. 2, p. 120. Disponível em:www.methodejournal.org.
Outras leituras recomendadas:
KAGAN, Shelly. Is Death Bad for You? Disponível em: http://chronicle.com/article/Is-Death-Bad-for-You-/131818/
NÄGEL, Thomas. Death. Noûs, 4(1), 1970, pp. 73-80. Disponível em:http://mugwump.pitzer.edu/~bkeeley/CLASS/ip/spr04/nagel_death.pdf

Abolicionismo x regulamentarismo

Abolicionismo e bem-estarismo são dois termos recorrentes no debate sobre a consideração moral dos animais não humanos. Eu utilizarei, contudo, o nome regulamentarismo, ao invés de bem-estarismo (o porquê dessa mudança será explicada mais abaixo). Assim sendo, o texto de hoje é sobre a seguinte pergunta:
“Qual a diferença entre abolicionismo e regulamentarismo?”
O primeiro ponto importante a ser observado é que existe a divergência entre abolicionismo e regulacionismo enquanto perspectivas morais (ou seja, aquelas perspectivas que dizem qual a decisão correta) e enquanto posturas estratégicas (ou seja, aquelas posturas que dizem qual o melhor meio para realizar a decisão correta). Basicamente, a divergência moral é que, segundo o abolicionismo, a exploração sobre os animais não humanos é injusta e deveria ser abolida; já para os regulamentaristas, a exploração não é injusta desde que cumpra determinadas exigências (e, portanto, não há necessidade de ser abolida). Já a divergência estratégica acontece entre perspectivas abolicionistas morais: alguns abolicionistas mantém que regulamentar a exploração conduzirá, pouco a pouco, à abolição (estes seriam então os regulamentaristas estratégicos, ainda que não regulamentaristas morais); já outros abolicionistas negam que haja esta conexão (estes, além de abolicionistas morais, seriam também abolicionistas estratégicos). Este texto é sobre o abolicionismo e o regulacionismo enquanto perspectiva morais. Em outro texto, falaremos um pouco mais sobre o abolicionismo e regulamentarismo enquanto perspectivas estratégicas.
Abolicionismo e regulamentarismo enquanto perspectivas morais:
abolicionismo é a perspectiva que afirma que há a obrigação moral de se abolir a exploração sobre os animais não humanos completamente (abolir o seu uso no setor culinário, em testes, entretenimento, vestuário, etc.) devido a esta ser injusta. Assim como os abolicionistas do século XIX defendiam com relação à escravidão humana, os abolicionistas da escravidão não humana defendem que esta é injusta e deve ser abolida, não importando se a escravidão é feita visando interesses banais ou interesses importantes dos exploradores e não importando se cada exploração específica causa maior ou menor número de mortes ou maior ou menor sofrimento.
A visão regulamentarista, pelo contrário, defende que a exploração sobre os animais não humanos não é moralmente objecionável, desde que sejam cumpridas determinadas condições. Por exemplo, os regulamentaristas defendem que não é errado causar morte e sofrimento aos animais não humanos, mas sim, que é errado apenas causar sofrimento extremo aos animais não humanos. Em algumas outras versões do regulamentarismo, defende-se que é errado causar qualquer sofrimento, mas que não é errado causar a morte. Existem inúmeras variações com relação ao dano que é permitido causar nas várias formas de regulamentarismo, mas, todas elas caracterizam-se por manter que é correto causar algum tipo de dano nos animais não humanos para beneficiar os humanos. Sendo assim, os regulamentaristas, diferentemente dos abolicionistas, geralmente lutam apenas para que a exploração cause menor sofrimento. Por exemplo, ao invés de 11 galinhas viverem espremidas durante toda a sua vida em uma única gaiola, sem poder se mover, os regulamentaristas lutam para que, por exemplo, essa jaula seja ocupada por 10 galinhas e não 11, ou então, que seja aumentado alguns centímetros nessa jaula.
Um reivindicação típica abolicionista é, por exemplo, que é errado assassinar animais não humanos e que, por isso, ninguém deveria comer produtos de origem animal. Já uma reivindicação típica regulamentarista é que o abate cause menor sofrimento, por exemplo. Muito importante: estamos a falar aqui da divergência moral, e não estratégica, entre abolicionismo e regulamentarismo. Assim sendo, no exemplo anterior, alguém defenderia um abate com menor sofrimento não por acreditar que o abate deveria ser abolido e acreditar ao mesmo tempo que defender um abate com menor sofrimento não é o ideal mas ajuda um pouco, e sim, por acreditar que o abate não deveria ser abolido, e sim, ser feito com menor sofrimento.
Por que chamar de regulamentarismo, e não de bem-estarismo?
O regulamentarismo é geralmente conhecido como “bem-estarismo”, mas esse rótulo é enganoso, pois tende a passar a idéia, para os que não conhecem o regulamentarismo e o abolicionismo, que os regulamentaristas estão preocupados com o bem-estar dos animais e os abolicionistas não. Isso é falso. Os abolicionistas estão (pelo menos, de acordo com a definição do termo) muito mais preocupados com o bem-estar dos animais, tanto que não toleram que estes sofram quaisquer tipos de sofrimento e não toleram que sejam assassinados.
Essa confusão dos termos acabou por criar uma confusão mesmo entre os abolicionistas: alguns abolicionistas, baseados nessa confusão, acreditam, por exemplo, que se alguém se preocupa com os danos que os animais padecem que não são fruto da exploração (por exemplo, morte por inanição, catástrofes naturais, doenças, etc.), ou, que de alguma maneira se preocupa com o bem individual dos animais (e não apenas com sua liberdade) então está a defender o regulamentarismo, porque está a se preocupar com o bem-estar dos animais. Ironicamente, essa confusão leva esses abolicionistas a defenderem que não devemos nos preocupar com o bem-estar dos animais, mas apenas em abolir a exploração (a dificuldade aqui seria explicar por que haveria o dever de abolir a exploração se o bem individual dos animais não importasse). Assim sendo, é falso que uma posição abolicionista implique que a nossa única preocupação deva ser fomentar a liberdade para os animais e não nos preocuparmos com o que acontece com o seu bem-estar. Aliás, se dá o contrário: a rejeição do especismo implica que temos de levar em conta todos os interesses dos seres sencientes, e não apenas o interesse na liberdade.
Essa confusão tem ainda outra implicação: leva algumas pessoas também a rejeitarem o abolicionismo. Por exemplo, algumas pessoas, tendo em mente a posição dos auto-denominados abolicionistas que mantém que não devemos nos preocupar com o bem individual dos animais, e sim, apenas com sua liberdade, afirmam: “abolicionistas não estão preocupados com o bem-estar dos animais, só querem libertá-los e não se importam com o que acontece com eles depois disso”. Como vimos acima, a idéia de que uma postura abolicionista não deve se preocupar com o bem individual dos animais (seja esta idéia pronunciada por seus defensores, seja por seus detratores) resulta de uma confusão. E, conseguimos evitar essa confusão utilizando o termo regulamentarismo, ao invés de bem-estarismo.

VEGANISMO - A acusação de imposição

Os seguintes alegações são algumas das mais comuns nos debates sobre ética animal. Todas elas tem como base o mesmo argumento:
“Isso que você está a defender é moralmente opcional. Você quer ser vegano, que seja. Tenho o direito de não ser”.
“Sou vegano, mas quem quiser, tem o direito de explorar os animais”.
“Defendo meu direito de ser vegano, mas, quem quiser, tem todo o direito de não ser”.
“Quem quiser tem o direito de ser vegano, mas, impor o veganismo é uma coisa errada; quem quiser tem o direito de não ser vegano”.
Nossa postagem de hoje discute esse argumento. A conclusão do argumento é a de que seria errado defender que existe a obrigação moral de adotar o veganismo. A adoção do veganismo seria uma conseqüência da obrigação moral de se respeitar os animais (porque, como sabemos, para existir comida de origem animal é necessário haver morte e/ou sofrimento de animais).
Critérios para estabelecer o que é moralmente obrigatório e moralmente opcional
Defender que é uma obrigação se tornar vegano só seria errado se violar a integridade física e assassinar animais não humanos fosse moralmente opcional (ou seja, se alguém que viola a integridade física e assassina animais não humanos não estivesse a fazer nada de errado). Assim, o que precisa ser discutido é se é moralmente opcional violar a integridade física dos animais não humanos ou se é uma obrigação moral respeitá-los. E, é aí que aparece um grande problema para os que acusam os anti-especistas de estarem a fazer uma imposição injustificada quando defendem o dever de se praticar o veganismo: exatamente as mesmas razões que explicam o que há de errado em violar a integridade física (o fato de o sofrimento ser uma experiência intrinsecamente ruim) e assassinar humanos (o fim da possibilidade de ter experiências, para a vítima ser algo ruim) explicam ao mesmo tempo o que há de errado com violar a integridade física assassinar qualquer outro ser senciente, independentemente de espécie.
Compare com outras coisas que são moralmente opcionais, como por exemplo, escolher que cor de camiseta vestir: nesse caso, há boas razões para se pensar que é errado obrigar alguém a vestir esta ou aquela cor de camiseta. Faria todo sentido dizer: “assim como você tem o direito de vestir azul, eu tenho o direito de não vestir”. Mas, decisões que violam a integridade física de alguém, causam a morte, causam sofrimento são diferentes de decisões que são valorativamente neutras. Não faria o menor sentido dizer, por exemplo: “quem não quiser estuprar crianças, que não estupre; quem quiser estuprar tem todo o direito de fazê-lo”. Mas, se todas as razões que explicam o que há de errado com violar a integridade física, assassinar, fazer sofrer seres humanos estão presentes quanto as vítimas são seres sencientes de outras espécies, então também não há sentido em se reivindicar um suposto “direito de não ser vegano”, pois isso é o mesmo que reivindicar um suposto “direito de violar a integridade física dos animais não humanos”.
Por que, seja lá o que defendermos, estamos reivindicando que uma determinada imposição é correta
As pessoas que fazem a acusação de imposição não acreditam que toda e qualquer imposição seja errada. Isso porque, quem faz essa acusação está a defender que determinadas imposições são corretas. Por exemplo, a imposição que se faz sobre os animais não humanos (sofrimento e morte) e a imposição que se faz sobre os outros humanos, em terem de respeitar o alegado “direito” de matar e torturar os animais não humanos. Isso não fica tão nítido, e parece que apenas os que estão a defender a obrigação de se respeitar os animais é que estão fazendo uma imposição. Isso é assim por dois motivos:
(1) Quando se defende que algo é moralmente obrigatório fica mais escancarado que se está a fazer uma imposição (pois “moralmente obrigatório” remete à uma obrigação), e quando se defende que algo é moralmente opcional isso não fica tão nítido porque é comum se esquecer que, quando se defende que algo é moralmente opcional, também se está a reivindicar uma obrigação (a saber, a obrigação de se respeitar que alguém escolha ou não aquilo que é moralmente opcional).
(2) No caso, quando se defende que “ser vegano é moralmente opcional”, se está a focar o discurso nos humanos. Não se fala, por exemplo: “assassinar os animais não humanos é moralmente opcional”. Isso é assim porque não se considera os animais não humanos como dignos de consideração. É por isso que os que defendem que o veganismo é moralmente opcional afirmam que não estão a fazer oposição a ninguém. Para eles, os seres sencientes de outras espécies são “ninguém”. Assim, parece que somente quem defende o dever de não se assassinar os animais está a fazer uma imposição porque nesse caso a imposição recai sobre humanos. Quando se defende que assassinar animais é moralmente opcional a maioria não percebe que se está a fazer uma imposição porque, nesse caso, os que recebem a imposição são os animais não humanos.
Imposições e imposições…
E, comparemos os dois tipos de imposição: os defensores de que respeitar os animais é moralmente obrigatório estão apenas a argumentar a favor dessa posição. Quem consome os animais está, literalmente, a causar sua vida inteira de intenso sofrimento e a morte de alguém. Assim sendo, se causar assassinato a alguém e condenar alguém a viver uma vida inteira de intenso sofrimento a cada segundo (nesse caso específico, a muitos seres) não é considerado imposição, ou é considerada uma imposição justificada, então, ou nada mais pode ser considerado imposição, ou então tudo o mais também pode ser considerado imposição justificada. Se impor sofrimento e morte aos animais não fosse uma imposição, impedir isso também não seria. É irônico que alguém que esteja a defender que é correto condenar alguém a uma vida inteira de sofrimento intenso a cada segundo e que esteja a defender é correto assassinar esse alguém reclame que os outros estejam a lhe fazer uma imposição apenas por argumentar a favor de que o que ele está a fazer é errado.
A necessidade de distingüir imposição justa e imposição injusta
Mas, supondo que não fosse assim. Supondo que os defensores dos animais não estivessem a reivindicar que cada um, individualmente, deve escolher não consumir produtos de origem animal, e sim, que estivessem a reivindicar direitos legais para os animais (ou seja, haveria uma obrigação legal de se respeitar os animais). A grande questão não é saber quais práticas são formas de imposições (já que praticamente todas são, quer se defenda que algo é moralmente obrigatório, quer se defenda que algo é moralmente opcional), mas sim, saber quais imposição são justas e quais são injustas. Reivindicar direitos legais para os animais não humanos seria defender uma imposição justa ou injusta?
Uma imposição é justa quando visa barrar uma imposição injusta (no caso do que acontece com os animais não humanos, a imposição injusta já está a ser feita anteriormente, com a sua exploração). Uma imposição é mais injusta quanto mais básicos forem os interesses violados com ela e maior for o dano causado. E, no caso do consumo de produtos de origem animal, está-se a violar a integridade física, tirar a vida, e fazer com que os animais não humanos tenham, desde o nascimento até a morte, uma vida que é apenas sofrimento intenso a cada segundo.
Uma imposição é mais injusta quanto mais fracas forem as razões a seu favor. Todas as razões que explicam o erro em se assassinar e violar a integridade física de humanos explicam ao mesmo tempo que é tão errado fazer as mesmas coisas com os seres sencientes de outas espécies (para entender, clique aqui). Assim sendo, há todas as razões possíveis para se afirmar que a imposição causada por se violar a integridade física e assassinar os animais não humanos é injusta – e não apenas isso: extremamente injusta. Assim, há todas as razões possíveis para se concluir que obrigar a se respeitar os animais não humanos, seja através de argumentação, seja através de uma reivindicação de direitos legais, é justa. Não há nada de absurdo com isso. Todos nós, incluindo aqueles que acreditam ser absurdo esse tipo de imposição, estão a fazer exatamente a mesma imposição sobre todas as outras pessoas, pois ninguém abdica de seus próprios direitos legais.

Por que aceitar o abolicionismo e rejeitar o regulamentarismo?


Em outra postagem, foram definidas e expostas as principais características de duas posições divergentes quanto à moralidade da exploração animal: o abolicionismo e o regulamentarismo. O presente texto aborda a seguinte questão:
“por que deve-se aceitar o abolicionismo e rejeitar o regulamentarismo?”
As três principais razões são as seguintes:
(1) O regulamentarismo é especista. Utiliza a espécie a qual um ser pertence para determinar quem deve ser o explorado e quem deve ser o explorador, quem deve ser morto e quem deve viver, quem deve estar bem e quem deve sofrer, assim como os escravagistas de humanos utilizavam a raça de alguém para determinar as mesmas coisas. A espécie de alguém, assim como sua raça, não é relevante para se saber se alguém é passível de ser prejudicado ou beneficiado. A razão básica para não se prejudicar e para beneficiar alguém devem-se ao fato de os prejuízos serem coisas ruins e os benefícios serem coisas boas. Todos nós reconhecemos esse ponto quando trata-se de prejuízos e benefícios sobre nós mesmos, por exemplo. A raça e a espécie de alguém não modificam a característica dos prejuízos serem coisas ruins e os benefícios serem coisas boas. Logo, basear-se na espécie ou raça para determinar quem deve e quem não deve ser prejudicado ou beneficiado é cometer uma injustiça grave. Veja mais detalhadamente as razões para se rejeitar o especismo clicando aqui.
(2) O regulamentarismo, muitas vezes, é fundado na ideia de que os animais não humanos são prejudicados com o sofrimento, mas não são nunca prejudicados com a morte. Há fortes razões para se rejeitar essa perspectiva e, então, concluir que os seres sencientes com possibilidades de vidas significativas, independentemente de espécie, são prejudicados ao morrer. Essas razões podem ser encontradas aqui.
(3) Em outras vezes, o regulamentarismo não é fundado na ideia de que os animais não humanos não são prejudicados ao morrer, mas sim, na ideia de que, mesmo que sejam prejudicados ao morrer, esse prejuízo não deve ser levado em consideração porque as vítimas não pertencem à espécie humana. Essa posição é ainda pior do que a posição que defende o regulamentarismo por acreditar que os animais não humanos não são prejudicados ao morrer: enquanto uma comete uma discriminação devido a um erro factual (cometer o engano de pensar que os seres sencientes não humanos não são prejudicados ao morrer), e então a injustiça só acontece por se pensar que não se está a prejudicar as vítimas, a outra comete uma injustiça mesmo reconhecendo que as vítimas são prejudicadas. Tal posição é extremamente especista e deve ser rejeitada pelas mesmas razões endereçadas no item 1.

ESPECISMO - A acusação de que “isso é apenas a sua opinião”



Nos debates sobre a consideração moral dos seres sencientes, um argumento muito comum que é utilizado para defender o especismo é o seguinte:

“o dever de rejeitar o especismo e dar igual consideração aos animais não humanos é apenas a opinião de quem defende os animais; ninguém mais tem que aceitar isso se não desejar”.

Essa objeção parte da premissa de que, se algo é a opinião de alguém, ninguém mais (a não ser esse alguém e os outros que concordam com tal opinião) tem o dever de adotar o que tal posição prescreve. O dever de rejeitar o especismo, prossegue a objeção, é apenas a opinião dos que rejeitam o especismo. Logo, conclui a objeção, quem não concorda com isso não tem o dever de rejeitar o especismo.

Para analisarmos esse argumento, é crucial saber o que se está a querer dizer com o termo “opinião”. Existem pelo menos dois sentidos aos quais comumente refere-se com o uso do termo “opinião”. Em um sentido, quando alguém usa o termo “opinião”, quer dizer uma posição de alguém sobre um assunto tal que não existem razões para se preferir esta ou aquela posição. Por exemplo, alguém poderia dizer “é sua opinião que a cor laranja é mais bonita, mas, sou da opinião que a cor amarela é mais bonita”. Ou seja, está-se a referir a questões onde toda e qualquer posição é igualmente arbitrária.

Em algumas outras vezes, usa-se o termo “opinião” para referir-se a qualquer posição que alguém defenda em um assunto, quer seja possível raciocinar sobre tal assunto, quer não seja. Assim, por exemplo, utilizando esse sentido, alguém poderia dizer: “segundo a opinião dele, 2+2 é 4”, ou “é a opinião dele que o peso desse saco é de 1Kg” ou “é a opinião dele que deveria-se abolir a escravidão” ou “é a opinião dele que o cheiro de café é bom”. Ou seja, está-se a referir a posição de alguém em qualquer questão, independentemente de ser uma questão possível ou não de se raciocinar sobre.

Em que contextos faz sentido o argumento “isso é apenas sua opinião; não tenho por que aceitá-la”? Ora, apenas quando se está a usar o termo “opinião” para descrever posições sobre questões onde o raciocínio é impossível. Faz sentido dizer, por exemplo, “sua opinião é que verde é mais bonito, mas eu prefiro azul”. Mas, não faz sentido dizer, por exemplo, “sua opinião é que 2+2 é 4, mas, na minha é 5 e assunto encerrado”. Isso é assim porque existe uma verdade objetiva sobre quanto é 2+2 e existe um método de raciocínio para investigar essa questão.

Muitas pessoas que defendem o argumento “isso é apenas sua opinião” no contexto da ética animal o fazem devido ao especismo. Ou seja, se alguém estivesse a dizer “estuprar humanos é errado” não diriam “isso é apenas sua opinião”. Concordariam, por exemplo, que é possível de se oferecer várias boas razões para se mostrar que estuprar humanos é errado, e que não há como justificar tal ato. Contudo, quando as vítimas são os animais não humanos, essas mesmas pessoas pensam que o argumento de que “isso é apenas sua opinião” funciona. O motivo de não funcionar é que todas as razões que podem ser endereçadas para se mostrar que há o dever de se respeitar humanos implica que há o dever de se respeitar todo e qualquer ser senciente, independentemente de espécie. Para essas razões, clique aqui.

Mas, outras pessoas utilizariam o argumento “isso é apenas sua opinião” mesmo quando os humanos fossem as vítimas. Na maioria dos casos, isso acontece porque essas pessoas estão a pensar que questões sobre ética são como questões sobre o gosto das cores: tudo não passa de expressões arbitrárias de cada indivíduo. Essa visão só seria plausível se não houvessem formas de se raciocinar, a partir de um ponto de vista não arbitrário, sobre as questões éticas. Ou seja, se não fosse possível de se avaliar a plausibilidade dos princípios adotados sem assumir este ou aquele princípio prático; se não fosse possível de se avaliar se um determinado princípio baseia-se em uma característica relevante ou irrelevante sem assumir este ou aquele princípio prático de antemão, etc. Mas, existem algumas razões para se rejeitar essa visão das coisas. Para ver como é possível um raciocínio objetivo sobre questões éticas, em termos de avaliação sobre que princípios baseiam-se em características relevantes e quais baseiam-se em características irrelevantes, clique aqui.

Assim sendo, argumentar que há o dever de se respeitar todo e qualquer ser senciente não é uma mera opinião no sentido de que é um escolha arbitrária sobre a qual não há o que se raciocinar sobre. É uma “opinião” no sentido em que se está a defender uma determinada conclusão baseando-se em determinados argumentos. Para se ter justificativa para se rejeitar essa “opinião” (no caso, a conclusão de que tem-se o dever de respeitar os seres sencientes), não é suficiente dizer “isso é uma opinião”, pois isso não diz nada sobre se há ou não uma verdade objetiva sobre o assunto em questão e, caso houver, não diz nada sobre se o argumento endereçado para sustentar a “opinião” é bom ou ruim. O que tem-se que fazer, para estar-se justificado a rejeitar o que a “opinião” diz, ao invés, é outra coisa: refutar os argumentos que sustentam a conclusão em questão (ou então, mostrar que é impossível de se raciocinar sobre o tema em questão). Isso é muito mais difícil de se fazer. É por isso que muitas pessoas preferem partir para a alegação de que toda e qualquer opinião sobre ética é igualmente plausível.

Partamos, então, para a discussão dos próprios argumentos que visam sustentar as posições morais em questão. Algumas razões iniciais para se rejeitar o especismo estão aqui.


VEGANOS - O problema do estrelismo


“Eu sei até que parece sério, mas é tudo armação
O problema é muita estrela, pra pouca constelação.”
Raul Seixas
O educador vegano não pode se dar ao luxo de se achar o pop star do movimento animalista. Você não é o centro da questão, o centro está no combate ético ao especismo, está no respeito à vulnerabilidade inerente a todo ser vivo.
O estrelismo que leva a rivalidades tão comuns entre ONGs de defesa dos (de alguns) animais não pode fazer parte da práxis do educador vegano. Os educadores veganos devem ser guiados pela convicção ideológica ético-politica animalista. A prática é individual, direcionada pelo contexto singular ao qual ele está inserido. Cada escola, cada universidade, cada bairro, cada cidade, cada vilarejo tem suas particularidades, a ação do educador vegano deve ser construída dentro desse contexto especifico, tendo como foco o combate ao especismo ali reinante. A ação é particular, mas a ideologia que o guia, que o norteia é universal: o modo de vida vegano.
Há tempos é moda, é chique ser protovegetariano. Hoje, muitas pessoas estão vendo no movimento animalista uma bela possibilidade de aparecer, estão fazendo seu marketing pessoal em cima de uma causa seríssima de defesa ética dos mais vulneráveis de outras espécies. São oportunistas, especistas eletivos e elitistas. Desconhecem algumas virtudes fundamentais para quem se dedica a essa causa. Nas palavras de Sônia Felipe, elas são: “Discernimento, coerência, justiça, proposito existencial sincero de não violência contra qualquer ser capaz de sofrer, coragem, serenidade, persistência, humildade, e… vontade sincera de aprender muito sobre a vida dos outros animais”.
O movimento animalista no Brasil está infestado de “estrelas”. Penso, assim como Raulzito, que “até que parece sério, mas é tudo armação. O problema é muita estrela, pra pouca constelação”.
Essas “estrelas” aparecem “do nada” e querem organizar eventos ou querem usar eventos já conhecidos para fazer seu nome. A preocupação dessas “estrelas” não é com a mudança de status de coisas dado secularmente aos animais para o de pessoas sujeitas de direitos, mas com seu marketing pessoal, por exemplo: ovo-lactomanos bem-estaristas que organizam seminários e simpósios, ou passeatas e manifestações de “direitos animais”.
Outras “estrelas” criam sites e blogs que se intitulam a principal referência sobre vegetarianismo, veganismo e direitos animais. É devido a falta de coerência, senso de justiça e humildade (ou seja, entender que não é ele o foco, o centro das atenções, mas os animais usados e explorados) dão sucessivos tiros no pé do movimento, passando para as pessoas que estão no inicio do processo de conscientização animalista, falsas informações, ideias contraditórias em termos, uma repetição constante de clichês.
Temos também as “estrelas cadentes”, aqueles que “viram” ativistas e não duram seis meses no ativismo, mas essa passagem rápida pelo movimento é o suficiente para fazer estragos, deixando assim, para os teóricos e ativistas sérios a limpeza da sujeira que fizeram ao passar pela causa. Como se já não bastasse o trabalho que temos diariamente e que sabemos que irá se prolongar pelo resto de nossas vidas, temos também o trabalho de desfazer os estragos que alguns meteoritos causam, exemplo: insistência conceitual na definição de vegetarianismo como abstenção apenas de carne vermelha, ou a defesa da insanidade chamada “segunda sem carne”.
Não podemos esquecer que muitos veganos também são oportunistas deixando de se focar nos animais para fazer seu show particular.
Como já foi dito, temos muitas estrelas e pouquíssimas constelações. Como vamos nos livrar das “estrelas” que ao contrário de abrilhantar o céu da causa animal, caem como meteoritos causando pequenos estragos, pequenos, mas sucessivos, constantes?