Autora britânica credita à sua dieta saudável e vegana cura de síndrome


Ella Woodward, autora de um livro de receitas que se tornou best-seller no Reino Unido, tinha 21 anos quando foi diagnosticada com SPOT (síndrome postural ortostática taquicardizante), uma doença que não permite que o enfermo fique em pé sem que seu coração aumente a frequência em até 30 batimentos por minuto, o que afeta múltiplos sistemas do corpo e força quase uma inatividade total.

Hoje aos 23, Ella diz que, à época, dormia 16 horas por dia, sentia dores crônicas, desmaiava frequentemente, sofria de palpitações, problemas estomacais e constantes dores de cabeça.

Depois de seis meses sob remédios que incluíam corticoides –e que não melhoraram seu quadro–, a hoje professora de culinária e blogueira decidiu trocar sua dieta baseada carregada de sorvete, doces e outras modalidades de gordura+açúcar por uma vegana, livre de industrializados, de refinados e de glúten.

“Percebi uma diferença depois de só algumas semanas comendo bem”, disse ao “DailyMail”. “Um ano e meio depois, eu pude deixar de tomar qualquer tipo de medicação –sob a qual eu teria de continuar para o resto da vida– e agora me sinto incrível.”

A criação do blog Deliciously Ella foi para manter um diário on-line de seu progresso e para anotar suas receitas favoritas. Ela também mantém canais populares no Instagram e no YouTube.

Pode-se dizer que parte da fama de Woodward pode derivar do fato de ser a filha mais velha de Camilla Sainsbury, herdeira da rede Sainsbury’s de supermercados, e de Shaun Woodward, membro do parlamento britânico.

Esta segunda-feira (2) marca o 40º dia em que o livro “Deliciously Ella – Ingredientes incríveis e comida incrível que você e seu corpo vão amar” está entre os cem mais vendidos do site britânico da loja Amazon. Há 12 dias, relata o “Daily Mail”, a obra está no topo da lista –posição que ocupou durante mais de uma semana só em regime de pré-venda, antes do lançamento.

A ideia da coletânea é oferecer receitas fáceis, livres de quaisquer ingredientes de origem animal e boas para o corpo. Veja uma, de torta de limão (divulgada por Ella ao jornal britânico).

KEY LIME PIE
A “key lime pie” de Ella Woodward (Divulgação/Instagram.com/DeliciouslyElla)
Ingredientes:
400g de amêndoas
600g de tâmaras sem caroço
2 colheres de sopa de óleo de coco
5 avocados (ou aproximadamente dois abacates médios) bem maduros
3 limões (suco)
225 ml (3/4 de xícara) de xarope de bordo (maple syrup), pode ser melaço ou outro adoçante líquido, como xarope de tâmaras
4 colheres de sopa de leite de coco
1 limão (raspas da casca)

Modo de preparo:
Processe as amêndoas num processador ou liquidificador até ficar uma farinha grosseira.
Adicione a essa farinha (dentro do processador) as tâmaras e o óleo de coco, e processe até que a mistura se torne homogênea.
Pressione a massa resultante em uma forma de bolo usando uma espátula. Ela deve ficar bem prensada.
Ponha a polpa dos abacates no processador com o suco dos limões, o maple syrup e o leite de coco. Bata até ficar homogêneo.
Despeje a mescla sobre a massa.
Ponha a torta no congelador por uma hora e meia.
Retire, raspe o limão por cima e sirva.

Veg Folha

Mãe cura doença de pele crônica da filha somente através da alimentação vegana



A fotógrafa polonesa Ullenka Kaczmarek mudou radicalmente a alimentação da família para livrar a filha Maya, de 9 anos, de um sintoma na pele chamado eczema. A doença crônica pegou os pais de surpresa, que também não sabiam o que fazer para reverter o problema.
Eis que descobrem o vilão: a alimentação. Alguns elementos químicos, que ingerimos como se fosse a coisa mais normal do mundo, são os grandes responsáveis pelas manchas vermelhas por todo o corpo de Maya, além de descamação e perda de peso. A reação alérgica da menina fez com que a família toda mudasse sua rotina alimentícia e hoje eles só consomem frutas e alimentos crus, com leves exceções que envolvem legumes cozidos.
Foi essa dieta que salvou a pele de Maya, segundo um texto texto de Ullenka publicado em um site. Ela ainda é mãe dos meninos Troy, de 1 ano e sete meses, e Travis, de 5 anos, que tiveram 100% de melhorias em sua saúde. Como a garota é a filha mais velha, foi também a que teve mais dificuldades para se adaptar a dieta, já que consumia muito leite, glúten e carne. Enquanto isso, o garotinho mais novo sequer ingeriu esse tipo de alimento em seu primeiro ano de vida.
Ullenka escreveu em seu depoimento: “Estava assustada e nervosa [com a doença], e pronta para retornar aos remédios para que Maya tivesse algum alívio. Então, descobri uma comunidade vegan no Instagram e aprendi sobre o tratamento de doenças do tipo seguindo uma dieta de baixo carboidrato”. No dia seguinte, ela deu início ao programa de 10 dias chamado de “Banana Island“, que só permite a ingestão de bananas. A experiência, segundo ela, foi incrível. Nos três meses seguintes, as crianças entraram no detox.
Atualmente, a família viaja o mundo em seu carro cheio de frutas, descobrindo novos sabores ao longo do caminho. Com essa história, não podemos negar que é realmente surpreendente o que a natureza pode fazer por nós. Assista ao vídeo feito por eles mostrando a transformação de Maya e veja os resultados.


Fonte: Hypeness

Amante de casacos de pele, Beyoncé lança serviço de entrega de comida vegana

Alguém mais acha estranho que Beyonce, rainha das roupas de pele, esteja envolvida de alguma forma com o veganismo?

É inegavelmente importante chamar atenção para a questão da alimentação, porém não quando isso significa tornar o veganismo apenas uma dieta da moda.

Beyonce Knowles e seu treinador, Marco Borges, estão lançando um serviço de entrega de comida vegana por 22 dias. O serviço será chamado de 22 Days Nutrition, e é a mesma dieta “responsabilizada” por dar à cantora sua invejável boa forma no pós-parto. O plano de refeições afirma transformar a sua dieta, tornando-a saudável com ingredientes veganos.

No entanto, sabemos que Beyoncé está longe de ser uma ativista dos direitos animais. Após o marido de Beyoncé, Jay-Z, anunciar que o casal estava experimentando uma dieta à base de vegetais, ela espantou a todos quando foi jantar em um restaurante vegano vestindo pele de animais. Beyoncé está sempre na berlinda devido a sua firme escolha em vestir peles e usá-las em suas linha de roupas, desenhadas por ela. Apesar das críticas, Beyoncé parece simplesmente não se importar com os animais que explora pela moda.
Com casaco de peles na na posse do presidente Barack Obama

Então, por que Beyonce e Jay-Z são definidos como veganos, se eles não estão preocupados com os animais? Pode ser apenas por razões de saúde; ou, eventualmente, por vaidade, já que seu treinador credita a famosa silhueta de Beyonce à dieta estritamente vegetariana.

A cantora, sua dieta e seu novo empreendimento de entrega de alimentos veganos podem ser apenas business. Talvez Beyoncé esteja lucrando com o “estilo de vida vegano”, uma vez que é popular no momento. O que continua soando muito mal e definitivamente contraditório.

Será que a estrela se tornará verdadeiramente vegana após o lançamento de sua empresa de entrega de refeições? Será que ela vai parar de usar peles agora ou seu “veganismo” vai parar na alimentação?

É curioso pensar no tipo de cliente que o serviço de entrega de refeições da estrela vai atrair. Será que vai ser,na maior parte, pessoas querendo perder peso ou melhorar a saúde? Seguramente vai atrair um monte de fãs da cantora, que desejam emular o estilo de vida fugaz da diva. Não há dúvida de que é destinado aos fãs jovens e impressionáveis.

O lado positivo da história toda é que o serviço de entregas fornecerá alimentos orgânicos, sem transgênicos, totalmente vegetarianos e livre de glúten e soja.




Com informações do Care 2.

Veggi&Tal

Vegetariano ou vegano? Há quem confunda... os outros



"Há quem reaja contra a avalanche de "vegetarianos" ou de "veganos" que confundem as pessoas por aplicarem a si mesmos conceitos que suas práticas diárias contradizem.

Entendo a reação de quem fica confusa com tanta gente se dizendo vegetariana e devorando tudo que é oferecido, mesmo que na receita artesanal ou industrial o alimento ou a junk food esteja carregada de derivados animais.

Então, para clarear, vamos lá: comer vegetais, ainda que sejam muitos, não transforma uma pessoa em "vegetariana". Se assim fosse, boa parte das brasileiras e dos brasileiros poderia denominar-se vegetariana, porque botam bastante comida vegetal em seus pratos: arroz, feijão, batatas, cenoura, beterraba, grão-de-bico, lentilha, vagem, tomate, cebola, alho, chuchu, abóbora e tantos outros alimentos.

Entretanto, se no prato a gente leva qualquer produto feito à base de carnes, ovos, leite ou mel, ainda que esses produtos estejam tão disfarçados que a gente não veja nenhum pedaço do animal ali, a gente não segue uma dieta vegetariana, ainda que vegetais rodeiem no prato as carnes, peixes e queijos.

Mas há derivados animalizados menos visíveis. Exemplo: corante carmim, ou, corante cochonilha que é o mesmo. Não se vê nada dos 150 mil insetos usados para se produzir 1 kg daquele pó vermelho usado em tudo que é hidratante, bala de goma etc. Outro exemplo: gelatina. Você não tem a menor ideia (você é força de expressão) de que a gelatina é feita do boi ou de uma misturada que pode até conter ossos e sabe-se-lá-mais-o-que, feito somente com a morte de algum ou de muitos animais.

Se a pessoa come sorvete feito com leite da vaca, ela não vê o leite, ali, só sente o sabor delicioso (composto com sabores e fixadores de sabores artificiais) que escolheu. Essa pessoa não é vegetariana, muito menos vegana.

Não se é vegano, se houver consumo de produtos feitos à base dos corpos dos animais, vivos ou mortos, não importa.

E, para se dizer vegetariano, não basta tirar as carnes do prato, mas deixar peixes, ovos, queijos, manteiga, iogurte, frozen, tortas, biscoitos e sabe-se-lá-mais-o-que produzido com o leite.

A confusão é porque muita gente que só para de comer as ditas "carnes vermelhas" (na verdade, originalmente, todas as carnes são vermelhas, o que acontece é que de muitos animais o sangue é escoado do corpo e das carnes no matadouro, por isso a carne vendida parece sem sangue. Havia sangue ali, sim.) e outras tantas pessoas que só não as comem um dia da semana já saem por aí dizendo que são vegetarianas.

Que a gente tenha clareza disto: peixes, frangos, ovos, manteiga, leite, carnes de todos os tons (a de vitela é meio rosada, a do salmão é ... "salmão") não dão em árvores, não brotam do solo, nem amadurecem em trepadeiras.

Dizer-se vegetariano só porque também come vegetais, é distorcer o conceito e arredondar para baixo. E não há como dizer-se vegano sem abolir tudo isso e mais os couros dos sapatos, bolsas, cintos, os pingentes de marfim e de madrepérola, as pérolas, a seda, a lã, o mel, os produtos de maquiagem testados em animais etc.

Dizer-se vegano sem defender radicalmente os direitos dos animais, ir a circos que usam animais, participar de gincanas que envolvam manipulação de animais, divertir-se ou passear (subir em charretes) usando animais, tudo isso contradiz o propósito vegano mais radical, a abolição de todos os usos e costumes fundados sobre a criação e matança de animais para atender a fins humanos.

Tem muita gente que sequer "vegetariana" é, mas gosta de dizer que é. E quando é vista comendo queijo, sorvete feito com leite de vaca, cachorro-quente, sanduíche recheado de tudo que é presunto, queijo, omelete e sabe-se-lá-mais-o-que, quando é questionada sobre a hipocrisia (fazer-se passar pelo que não se é, do grego), acusa, então, os veganos de radicais.

Eis aí uma característica positiva vegana: a radicalidade (não confundir com fanatismo e outros termos depreciativos que geralmente usam para nos atingir). E olha que, apesar de toda nossa radicalidade, os animais continuam com a senha da morte colada à testa, para encher o prato dos "vegetarianos" de vitrine.

Fiquei feliz quando li uma notícia de que Paul McCartney havia publicado um livro de receitas "vegetarianas". Quando fui consultar estava cheio de receitas com laticínios e não eram leites vegetais, eram de vaca, mesmo.

Leite de fêmeas animais não dá em árvores, não brota do solo, não se pendura em arbustos. Só se confunde quem precisa. O jeito é desmascarar, até que ninguém mais que costuma comer bastante vegetais junto com outros derivados de animais se diga "vegetariano".

Não basta "comer vegetais" para ser vegetariano. Não basta "não comer" animais para ser vegano. Veganas e veganos são ativistas abolicionistas, hostilizados por muitos ovo-galacto-carnistas. Mas a hostilidade passará. "Eles passarão,[nós], passarinhos"."

Razão e emoção juntas pelo reconhecimento dos Direitos Animais


É inegável que os Direitos Animais têm um fato biológico como sua base ética: a senciência de muitas espécies animais, cada vez mais reiterada pela Ciência – a Declaração de Cambridge, que atestou a consciência neurológica para mamíferos, aves e moluscos cefalópodes, não deixa mentir. Mas esperar pela Biologia é problemático quando se trata de se escorar completamente numa hipotética confirmação de que a senciência deles é igual à humana para se tornar vegano, postura de algumas pessoas da área de Biologia. Também constitui problema esnobar as descobertas científicas em promoção de critérios subjetivistas sobre por que respeitar ou não determinados seres.
Ao contrário do que esses indivíduos pensam, nem a Ciência – seja lá em que métodos e conceitos se baseie – nem a subjetividade emocional pessoal devem ser o único fundamento do nosso reconhecimento e respeito aos interesses individuais dos animais não humanos.
Desde o seu surgimento enquanto prática ética, o veganismo se fundamenta tanto na confirmação científica da senciência animal como também na alteridade, na empatia, na compaixão intuitiva. Ambas trabalham em conjunto, de tal forma que não precisamos esperar que a Biologia comprove por a+b que a senciência deles é exatamente igual à nossa para só assim nos tornarmos contra, por exemplo, as pesquisas cientificas em cobaias.
Na verdade, essa comprovação jamais vai chegar, visto que o indivíduo humano não pode se tornar completamente ciente da experiência da consciência e sensibilidade de nenhum outro ser fora ele mesmo. Não podemos saber nem o quão senciente nossos pais, irmãos ou namorados são. E nem por isso nós os consideramos moralmente inferiores a nós ou esperamos a Ciência dizer algo sobre a senciência de uns humanos ser maior do que a de outros.
Esperar só pela Biologia para nos dar uma certeza sobre se devemos reconhecer os direitos, por exemplo, dos camundongos explorados em laboratórios ou das abelhas exploradas pela apicultura é um cientificismo. É escorar toda a ética humana em verdades científicas em detrimento de outros meios de atestarmos o desejo do outro de viver fisicamente íntegro, como a observação cotidiana – que nos mostra todos os dias que mesmo os menores insetos têm um desejo, ainda que não abstraído por eles, de continuar vivos e inteiros – e o benefício da dúvida – que nos dissuade de considerar terminantemente que, por exemplo, ostras e gafanhotos não são sencientes como os mamíferos e podem ser comidos por isso.
No ser humano, Razão e emoção, mente e coração, funcionam em conjunto. Interligam-se quando sentimos a necessidade de respeitar o outro, sem que nos escoremos totalmente em um em detrimento do outro. Mesmo quando não temos provas científicas de que insetos têm avançados consciência neurológica e desejo de viver, a intuição empática e compassiva nos faz respeitá-los, da mesma forma que temos empatia por outros seres humanos mesmo quando não sabemos se eles querem, tanto quanto nós, viver e ser felizes.
Isoladamente, nenhum dos dois é suficiente para nos fazer prestar o autêntico respeito ao outro senciente. Ser isoladamente racional e escorado na Ciência nos faz correr o alto risco de estarmos violando os interesses daquele cujas características não conhecemos totalmente, e também nos faz prestar um respeito frágil e não compassivo pelo outro. E ser apenas emocional no respeito, não dando nenhum crédito ao racional e ao científico – seja lá como o método científico for – , pode nos inundar de crenças falsas e prejudiciais, como acreditar que plantas sentem dor e são conscientes – mesmo havendo evidências científicas contrárias a isso –, e isso ou ameaçar fazer a pessoa restringir demais seu direito de interagir com o meio ambiente, ou achar que a dor e a consciência, por serem supostamente onipresentes, não podem nos fazer respeitar os animais a ponto de não comê-los.
Portanto, não convém esperar pela Ciência para nos dar todas as certezas sobre senciência animal ou nos escorarmos exclusivamente em nossas mais emocionais e falíveis crenças. Precisamos da razão e da emoção ao mesmo tempo e agindo em conjunto para respeitarmos os animais não humanos. Sem emoção, faltará compaixão e empatia. Sem razão, faltará convicção e motivação pelo qual prestarmos esse respeito.

O carnismo como ideologia reacionária


Possivelmente em crescimento como nêmese da rápida expansão da população vegetariana e vegana brasileira, o carnismo se mostra como uma autêntica ideologia reacionária, defendida por pessoas idem que literalmente não querem largar o osso que vem nas carnes. É conservador em todos os sentidos políticos da palavra, tendo em vista a manutenção da ordem de opressão contra os animais não humanos e do privilégio dos humanos de, protegidos pela lei, não serem tratados como propriedade de outrem, e também a “proteção” ordeira dos onívoros contra um suposto caos que seria causado pelas mudanças radicais defendidas pelos Direitos Animais.
E também, como toda boa ideologia conservativa, costuma ser defendida por uma maioria raivosa e uma minoria que tenta argumentar com calma mas não deixa de desferir ataques contra a ideologia de esquerda que é o vegano-abolicionismo. Essa minoria de “soldados de elite”, representada por lobistas pró-carne (como a Weston A. Price Foundation, entidade carnista mais reconhecida da atualidade) parece (só parece) tender a racional, mas abusa das falácias, manipulações e preconceitos para desinformar os incautos, enquanto os “soldados rasos” vomitam ofensas e ódio contra veg(etari)anos, ou piadinhas idiotas tratando com galhofa uma causa séria como o abolicionismo animal, nas redes sociais e blogs.
E é basicamente assim que a argumentação carnista “funciona”: na base de uma grande variedade de falácias; na baixaria; nas crenças fantasiosas que as ciências, das biológicas às humanas, refutam com facilidade; no ataque não só à ideologia adversária, mas também às pessoas que a defendem; na distorção de fatos, desde notícias até estudos científicos, de modo a parecerem que inviabilizam o veganismo e a libertação animal.
Por causa disso as pessoas mais leigas sobre veganismo acabam caindo nos contos carnistas e passam a ver os veganos como fanáticos histéricos que odeiam onívoros e matam crianças de desnutrição. E quanto mais gente acreditando nisso, mais a salvo os lucros dos pecuaristas e das indústrias ovolacto-frigoríficas estarão a curto e médio prazos e mais lentamente o veganismo avança em sua conquista de mentes e corações.
Deve-se deixar claro também que, tal como todas as demais ideologias conservadoras, o carnismo vem para proteger e beneficiar os poderosos contra a perda dos privilégios que hoje lhes representam lucro e riqueza, e é ingenuamente defendido por quem é induzido a acreditar que quem tem dinheiro tem razão.
E usa a mídia como defensora de seus interesses, vide propagandas que fetichizam o consumo de carne e laticínios e reportagens que distorcem o veganismo – ora relativizando o valor ético do veganismo “divulgando-o” como se fosse um mero movimento alternativo de valores opcionais e esotéricos, ora mencionando deficiências nutricionais supostamente intrínsecas ao vegetarianismo.
E um outro ponto muito importante é que sua dominância entre a sociedade representa, tal como todas as demais correntes ideológicas de direita, a manutenção da restrição de direitos aos privilegiados (os humanos onívoros) e a cassação daqueles que vêm sendo pouco a pouco conquistados para os dominados (os animais não humanos e os humanos veg[etari]anos).
O carnismo deve, portanto, ser encarado como aquilo que é: uma ideologia reacionária que, como uma recusa expressa ao reconhecimento dos Direitos Animais em nome da manutenção de uma ordem injusta que beneficia alguns indivíduos, precisa ser peitada e refutada de modo que as portas sejam abertas para a sonhada libertação animal.

Vinte dúvidas multidisciplinares sobre a carne in vitro


No ano passado foi apresentado ao mundo o primeiro hambúrguer feito de carne in vitro (aqui referida pela sigla CIV), produzida em laboratório. Mas, como era de se esperar, ela vem dividindo opiniões, tanto sobre seu conteúdo nutricional como sobre as condições de sua produção em larga escala.
Eu pessoalmente tenho muitas perguntas a fazer sobre essa carne, que promete diminuir cada vez mais a exploração animal na pecuária mas ainda inspira muitas interrogações. Abaixo estão as dúvidas que tenho até este momento:
1. Quais as condições para a CIV ser produzida em larga escala, inclusive a ponto de substituir a demanda pela carne natural?
2. Como comunidades rurais simples terão acesso à CIV?
3. Existe alguma chance de se produzir CIV de forma independente, barata e não capitalista? Ou então, pelo menos haverá a possibilidade de produção de CIV por empresas locais e de porte não grande? Ou sua demanda consumidora terá que inevitavelmente se submeter a grandes corporações, tal como a maioria de quem consome soja e outros grãos hoje é refém do agronegócio?
4. O que garante que a CIV não será alvo de patenteamento por parte de alguma corporação de biotecnologia que vá tentar tomar para si os direitos sobre a sua produção?
5. O que garante que não haverá a modificação genética das células usadas na sintetização da CIV? Em outras palavras, correremos risco de presenciar uma invasão de CIV transgênica nos supermercados?
6. E quanto às chances de falsificação? Como o indivíduo vai se assegurar que não estará comprando carne natural, vinda de matadouros, anunciada como se fosse CIV?
7. Quais as chances de a CIV ser vegana, ou seja, não envolver testes de segurança em animais não humanos nem conter qualquer ingrediente de origem animal?
8. Quais as garantias de segurança alimentar sobre a CIV, ou seja, relativas à sua acessibilidade em termos de preço e facilidades de abastecimento?
9. Considerando-se que a matéria a compor a CIV não será criada do nada – implicará a conversão de alguma matéria-prima em células musculares e adiposas -, e não está claro qual será a origem de cada uma de suas matérias-primas – vegetal, mineral, microbiana ou animal, considerando-se todos os possíveis ingredientes -, quais serão as matérias-primas primordiais da CIV?
10. As matérias-primas da CIV virão de latifúndios? Ou a CIV poderá ser produzida localmente a partir dos produtos de uma ou mais roças ou fazendas de pequeno porte?
11. Quais as garantias de que a produção em massa de CIV não envolverá exploração humana e não irá desviar uma fração grande demais da produção agrícola vegetal para sua matéria-prima?
12. Quais as garantias de que a produção de CIV não será mais uma mão na roda para corporações perniciosas, como as alimentícias, farmacêuticas, automobilísticas (que produzem caminhões de transporte de alimentos), e para latifundiários que, desinteressados na libertação animal-humana-ambiental, irão mudar de ramo da pecuária para a produção dessa carne, nem implicará o fortalecimento do poder político dessas empresas e pessoas?
13. Qual a chance de a CIV não ameaçar provocar a cisão entre a causa vegana e as causas ambientais e humanitárias, visto que seus criadores dizem que ela vai representar a diminuição da pecuária e dos impactos ambientais da mesma mas ainda não parecem ter dado garantias de que não vai implicar mais exploração humana, mais capitalismo na vida das pessoas e um aumento no impacto ambiental da agricultura?
14. A produção de cada quilo de CIV implicará o gasto de:
a) quantos quilos de proteína vegetal?
b) quantos litros de água?
c) quantos kilowatts de energia elétrica?
d) quantos metros quadrados de terra agriculturável, de forma indireta (dividir o rendimento da CIV em quilos/hectare/ano pela quantidade de quilos)?
15. Há alguma garantia desde já de ser seguro o consumo humano e não humano (animais domésticos) de CIV?
16. A CIV vem com composição diferente das carnes naturais, ou virá com as mesmas taxas de gordura saturada, colesterol, proteína excessiva etc.? E quanto ao risco de, quando for assada ou frita, gerar aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, substâncias cancerígenas geradas quando se assa um pedaço de carne (pelo menos vermelha)?
17. Os riscos de se contrair câncer, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, demência e outras doenças com a CIV são os mesmos que a carne natural ou substancialmente menores?
18. Considerando-se as crescentes associações entre o pH do organismo humano e a ocorrência ou ausência de doenças, existe algum dado de qual será o pH da CIV? Ela será alcalina como a maioria dos vegetais ou ácida como as carnes comuns?
19. O que nos garante que não haverá “n” substâncias bizarras na composição da CIV, como conservantes, estabilizantes, aromatizantes e corantes artificiais?
20. Quais as garantias de que a CIV será um alimento saudável, e não mais um entre tantos alimentos de efeitos duvidosos ou nocivos à saúde humana cujo consumo é associado a doenças e ao aumento do uso de medicamentos e das internações hospitalares?
Responder a essas dúvidas é essencial, para que saibamos que a CIV será realmente uma opção de alimento saudável, sustentável, democraticamente acessível e livre de exploração humana, e não mais um entre tantos outros alimentos ruins para a saúde, para o meio ambiente e para a integridade humana e bons para a perpetuação da glória das corporações.