16 perguntas para introduzir você ao conhecimento sobre Direitos Animais



Antes de descer a lenha nos defensores dos Direitos Animais, pare e pense: por que eles defendem direitos para os animais não humanos?

Muitas pessoas de fora do veganismo e da defesa dos Direitos Animais vêm reagir com irritação raivosa quando se deparam com alguma notícia, por exemplo, de ações diretas contra pesquisas em animais não humanos ou protestos de veganos contra a pecuária e a indústria de alimentos de origem animal. Despejam comentários furiosos desqualificando quem defende os animais, muito embora desconheçam as razões de tais manifestações.
Vendo-se isso, precisamos refletir: qual é o sentido de opinar contra aquilo que não se conhece? Por que criticar aquilo cujas razões por que acontece o indivíduo não procura conhecer ou nem mesmo especular? Por que pessoas descem a lenha em quem defende os Direitos Animais sem ao menos saber por que essa defesa é empreendida?
Pensando-se nessas questões, vale fazer um pedido a quem está tentado a atacar os Direitos Animais e seus defensores a cada mobilização abolicionista: procure conhecer aquilo que critica e por que o objeto de sua crítica acontece ou existe.
Feita a recomendação, convide-se os nossos críticos a pesquisar para responder às seguintes perguntas:
1. Por que a população vegana e vegetariana por consciência está crescendo cada vez mais?
2. Por que há pessoas reivindicando direitos para os animais não humanos?
3. Por que tantas pessoas são contra o uso de animais em pesquisas científicas?
4. Por que tantas pessoas são contra o consumo de alimentos de origem animal?
5. Por que não há a mesma massa de pessoas reivindicando também direitos para plantas?
6. Os Direitos Animais têm fundamentação racional, mista de razão e emoção ou apenas emocional? Justifique.
7. Você acha absurdo o fato de haver pessoas reivindicando direitos para animais não humanos? Se sim, por quê?
8. Quais os fundamentos científicos e filosóficos da reivindicação de direitos para os animais? Eles fazem sentido? Por quê?
9. Qual os fundamentos ético-morais que nos permitem explorar e matar animais para fins como o de consumo?
10. O que diferencia essencialmente, fora a categoria de ser explorado (raça, espécie, sexo, orientação sexual etc.), a hierarquia moral especista das hierarquias racista, machista, homofóbica, transfóbica, capacitista, xenofóbica etc.?
11. A cadeia alimentar a que os humanos pertencem é inflexível ou pode ser flexibilizada com a substituição de determinados alimentos?
12. De onde os veganos obtêm seus nutrientes?
13. Vegetais são boas fontes de nutrientes?
14. Quais são os nutrientes que não são encontrados em lugar nenhum fora os alimentos de origem animal? Nomeie-os – não vale dizer, por exemplo, “alguns aminoácidos” ou “algumas vitaminas”.
15. Consumir carne, laticínios e ovos é um consumo sustentável? Por quê?
16. Por que não ser vegano?

VEGANAGENTE - Robson Fernando De Souza

Existem soluções que tornem ético o consumo de alimentos de origem animal?


Nos meios bem-estaristas, fala-se de “soluções” que tornariam o consumo de alimentos de origem animal algo ético. Duas delas são a bem-estarização da pecuária, com a expansão das criações “felizes”, caipiras ou orgânicas de animais, e a substituição da pecuária pela caça.

Abaixo abordo cada uma delas, mostrando que essas “soluções” no fundo não tornam os animais menos escravos ou seres realmente livres. Dois trechos extraídos do livro que venho escrevendo sobre veg(etari)anismo:

Criações “felizes”, caipiras ou orgânicas são uma solução plausível?

Muita gente se pergunta: E se eu passar a consumir “carne feliz”, leite orgânico e/ou ovos caipiras, de fazendas onde os animais vivem soltos e são bem tratados? Ao se ter esse questionamento, parte-se da premissa de que, sendo eliminadas as violências mais chocantes, como espancamentos, privação total de soltura e desmamas forçadas, seria possível haver um consumo “ético” de alimentos de origem animal.

Sob o ponto de vista do bem-estarismo, é razoável que se recorra não mais a qualquer venda de carnes, laticínios e ovos, mas sim apenas às vendas de produtos provenientes de fazendas extensivas que tratem “bem” os animais criados, dê-lhes um mínimo de “afeto”, evite os “maus tratos” comuns às criações em grande escala e os abata com métodos ditos “humanitários”. Mas o olhar abolicionista percebe que a “ética” dessas fazendas é uma farsa. Os Direitos Animais deixam evidente que as violências que se supõe serem evitadas em fazendas pecuárias bem-estaristas não são o problema principal, mas sim somente as consequências mais explícitas daquele que é o fundamento de tudo: a escravidão animal, o ato de tratar animais como escravos, sob propriedade dos seres humanos.

Fundamentalmente falando, mesmo as fazendas bem-estaristas também consideram os animais meras fontes de produtos. Mas como fontes que requerem algum zelo e “manutenção” e devem ser bem cuidadas. Mesmo que haja supostamente um pouco de “dedicação” e “afeto” a eles, no fundo esses animais continuam sendo tratados como nada mais que matéria-prima viva. Não estão ali por caridade, mas sim com um propósito de exploração.

Os animais sob domínio dos bem-estaristas não nascem e existem como fins em si mesmos, sujeitos e senhores de suas próprias vidas, proprietários exclusivos de seus corpos. Não nascem simplesmente para viver uma vida autônoma e dependente apenas da Natureza não humana. Nascem sim com uma função predeterminada, que não diz respeito a seus interesses próprios: a de fornecer alimentos aos seres humanos – em outras palavras, servir aos humanos e serem-lhes submissos ao interesse comercial.

Os pecuaristas bem-estaristas, aos olhos das pessoas menos informadas, parecem reconhecer que os animais que criam desejam viver e não querem sofrer. Mas esse “reconhecimento” não é uma concessão de direitos, e sim apenas uma maneira de “otimizar a produção” e, ao mesmo tempo, cativar consumidores que dizem “amar” ou “respeitar” os animais mas ainda não conhecem o ponto de vista abolicionista.

Os animais em si não têm seu direito de serem livres e autônomos reconhecidos. Pelo contrário, permanecem tendo suas vidas limitadas espacialmente por cercas e temporalmente pela idade “de abate”. Continuam impedidos de viver sem que outros lhes imponham o espaço que devem habitar e o limite de tempo no qual serão obrigatoriamente mortos.

Ressalte-se também que, sendo criados por pecuaristas interessados em vender suas carnes, peles, vísceras e/ou secreções, não estão livres da vontade deles de acabar com suas vidas quando estiverem na idade “de abate” ou tiverem passado de sua “vida útil”. A “carne feliz” não existiria se não houvesse em criações bem-estaristas o encaminhamento dos animais ao abate, ainda que este seja feito de formas supostamente indolores ou “com menos dor possível”. De qualquer jeito, com ou sem causação de sofrimento explícito, abater é matar, e matar é negar de forma violenta que a vítima continue viva. É recusar-lhe o atendimento de dos interesses dos animais de viverem o máximo possível e continuarem vivos e fisicamente íntegros.

E além disso, a produção de leite “orgânico” e ovo “caipira” não difere da produção de leite e ovos convencionais no que se refere a matar suas “produtoras” quando elas tiverem passado da idade “produtiva”. Nem se priva de eliminar os machos recém-nascidos que, não tendo serventia aos criadores, são vistos como “peso morto”. Sustentar todas as fêmeas “aposentadas” e os machos “sem serventia” até que morressem de morte natural oneraria o caixa da fazenda com gastos com alimentação, água, infraestrutura física e combustíveis e, assim, inviabilizaria a lucratividade das criações de animais soltos. Por isso a vida animal nesses ambientes é vista como tão “descartável” quanto a vida dos animais confinados em granjas e fazendas industriais.

Algumas pessoas, incluindo gente novata no veganismo, ainda se esforçam em argumentar que haveria uma espécie de pacto entre os senhores e as crias: o criador lhes proviria proteção contra predadores e condições confortáveis de bem-estar, em troca do leite, dos ovos e também da carne dos criados. Porém, essa linha de raciocínio acaba não fazendo sentido, uma vez que os animais criados não puderam escolher entre aceitar ou recusar esse “pacto” e aqueles que dizem protegê-los de predadores naturais nada menos são do que seus próprios futuros predadores ou matadores. Em suma, tal “pacto” é algo unilateral e imposto e não provê qualquer proteção verdadeira, logo não pode ser considerado realmente um pacto nem ter qualquer suposto benefício reconhecido.

Observando-se a pecuária pautada no “bem-estar animal” sob o olhar abolicionista, percebemos que ela tenta convencer os consumidores de que seria possível fazer os animais os servirem em “melhores condições”, mas no final das contas não sai do seu propósito essencial, aquele que acompanha desde as fazendas “felizes”, orgânicas ou caipiras até as mais violentas fazendas-fábrica: obrigar animais não humanos a servirem os humanos, mediante clausura em uma propriedade, sem que possam aceitar, recusar ou se defender. Em outras palavras, escravidão com bem-estarismo também é escravidão, e não se torna ética apenas por parecer visualmente mais aceitável.



E a caça em ambiente natural seria uma solução?

Muitas pessoas se perguntam se, já que a pecuária, mesmo em sua variante bem-estarista, e a pesca não são éticas em nenhuma ocasião, valeria a pena obter carne de animais caçados em ambientes naturais. Partem da premissa de que pelo menos os animais caçados não estariam sendo escravizados como na pecuária e estariam sendo mortos no pleno esquema ecológico da relação de predação. Estaríamos agindo como outros animais, caçando para obtermos nossa alimentação, logo, não estaríamos faltando com a Ética nem tratando os outros animais como nossa propriedade. Mas essa visão sobre a caça como “alternativa” à pecuária também tem problemas éticos, assim como severas limitações ambientais e de demanda alimentícia.

No aspecto ético, a caça como suposta alternativa é na verdade uma versão terrestre e em menor escala da pesca, trazendo consigo todos os problemas inerentes a esta. Não dependemos mais, enquanto sociedades modernas, da caça, e matar animais em meios silvestres implica considerar que os ambientes naturais são meras fontes de matéria-prima, uma jazida de carne a serviço dos seres humanos, tal como a pesca trata os rios, lagos e mares como meras “minas” de carne branca. E também, sendo uma forma de assassinato de animais desprovida de uma necessidade extrema (como autodefesa e preservação da vida humana), caçar ante a existência de alternativas que não demandam morte animal é tão antiético quanto pescar e mesmo criar animais para abate.

Já as questões ambiental e de demanda alimentícia se combinam: é absurdo acreditar que a caça poderia satisfazer uma demanda de bilhões de seres humanos sem promover danos ambientais extremamente severos, extinguindo em pouco tempo a fauna “caçável” e causando desequilíbrios ecológicos catastróficos. Ainda mais numa realidade, como a atual, em que as extensões de ecossistema de fauna abundante estão bastante reduzidas em comparação com alguns séculos atrás e cada vez mais espécies de animais de médio ou grande porte estão ameaçadas de extinção ou mesmo sendo extintas. Se a caça nos moldes atuais, que atende a uma demanda muito baixa – e cada vez menor – de carne, já vem ameaçando severamente uma quantidade mais que considerável de espécies animais, uma caça em larga escala para fins de alimentar populações modernas extinguiria a grande maioria dessa fauna em pouquíssimo tempo.

Portanto, não existem alternativas alimentares éticas que envolvam morte proposital de animais.

VEGANAGENTE - Robson Fernando De Souza

Indo além do ovolactovegetarianismo




O vídeo nº 16 do Canal Veganagente é uma mensagem de incentivo às pessoasprotovegetarianas para que percebam que também há problemas éticos em se consumir alimentos como laticínios, ovos e mel, mesmo quando a pessoa já deixou de comer carne. Ele foi inspirado nesse vídeo do vlog Uma Abelha, no qual a vlogueira declara ter parado de comer carne mas admitiu não ter dado ainda os passos seguintes rumo ao veganismo.

Meu vídeo mostra dados e fatos importantes sobre as violências inerentes à pecuária por trás da produção de leite e ovos. Também indica um link rico em informações sobre a violência da apicultura que fornece o mel. Complementa um vídeo de janeiro de 2013sobre escravidão e mortes na produção de leite e ovos.

Assista ao vídeo abaixo (ou direto no YouTube). Se você ainda é ovolacto, esse vídeo pode tocar você. Se já é vegetarianx (tendo abolido das refeições todos os alimentos de origem animal) ou vegan, convido você a compartilhá-lo para que pessoas que ainda não saíram do lacto, ovo ou ovolactovegetarianismo assistam e tomem conhecimento daquilo que possivelmente ainda não sabem.






Links referenciados no vídeo:

Links que ainda hoje (01/12/14) funcionam, na descrição do vídeo “Escravidão e mortes na produção de leite e ovos”:

O amor que transcende o sabor



por Vitor Esprega

Quando resolvi aderir a uma dieta vegetariana vegana, não imaginava o quanto isso poderia ser recompensador e divertido em minha vida! Que seria diferente eu já sabia, mas divertido, nem passou pela minha cabeça. Quando digo divertido, do latim divertere, “mudar de direção”, quero expressar o quanto me adaptei a essa nova realidade de forma leve e alegre, ao invés de rebelde e sofrida.

O veganismo é um estilo de vida que escolhe não consumir alimentos que contém ingredientes de origem animal, produtos que são testados em animais e serviços que explorem os animais. Se você quiser entender os motivos que me fizeram tomar esta decisão, recomendo assistir os documentários Terráqueos e A Carne é Fraca, encontrados facilmente no YouTube.

Mas o verdadeiro motivo pelo qual deixei de consumir produtos de origem animal foi o amor pelos animais! E, então, decidi que a vida deles era mais importante do que o prazer momentâneo do meu paladar.

Quando eu era criança, amava animais. Todo aniversário na hora de cortar o bolo e fazer um pedido, ainda não realizado, eu pedia um animalzinho de estimação! Eu também tinha livros e livros sobre animais e suas mais variadas espécies as quais eu lia e relia sem me cansar. Além disso, eu pedia ao meu pai desenhar animais e recortar para eu poder brincar com eles.

Quando criança eu queria ser zoólogo para poder cuidar dos animais e, quando meus pais me falaram que no Brasil “não tinha futuro” nessa área e ganhava-se pouco (não me pergunte como eles sabiam disso ou se foi por senso comum), pulei instantaneamente para a veterinária. Mas a vida urbana e os contatos com a sociedade vão nos deixando cada vez menos sensitivos e interessados pelo coletivo e acabei optando pela publicidade. Tudo bem, foi um caminho maravilhoso traçado até aqui!

Voltando ao período pós-adesão ao veganismo, a diversão começou na gôndola do supermercado, onde precisei, de início, ler os ingredientes de todos os produtos alimentícios industrializados, porque quase 90% deles leva leite ou ovo. O ovo é um dos meios (mais inconsequentes, diga-se de passagem) de dar liga aos alimentos e o leite é um dos fatores mais viciantes da indústria alimentícia. Aí você descobre que até no adoçante em pó vai leite!

Afinal, nada melhor do que ter uma sociedade viciada em produtos industrializados que contém caseína e beta casomorfina, que estasiam nosso cérebro para termos menos capacidade de discernimento, além de corantes e conservantes que destroem a vitamina B12 produzida naturalmente pelo nosso próprio corpo para gerar uma falsa dependência do consumo da carne para repor esses nutrientes. Mas enfim, não é meu intuito focar nessa parte nutricional neste artigo.

Bem, a diversão se estendeu na busca de novas opções e sabores nas receitas e restaurantes que não utilizam produtos de origem animal. E então agradeci por morar em São Paulo! Há uma variedade razoável de estabelecimentos que oferecem cardápio vegano total ou parcial e restaurantes ovo-lacto-vegetarianos (pessoas que se denominam vegetarianos, mas continuam consumindo derivados animais) que reservam uma parte de seu cardápio também para vegetarianos veganos. A criatividade na cozinha também conquista.

Minha noiva de início aderiu apenas ao ovo-lacto-vegetarianismo, mas, ao presenciar uma apresentação do Oberom, um palestrante que fala sobre veganismo e Yoga, onde teve contato com a realidade sobre o sacrifício dos bezerros para a produção do coalho do queijo e a aniquilação cruel de pintinhos machos por não serem de interesse da indústria dos ovos, ela também decidiu aderir ao estilo de vida.

Mas a parte mais divertida é a prática social. O filósofo alemão Schopenhauer, descreveu que, o ser humano ao se deparar com a verdade diante de uma de suas ilusões cotidianas, passa por três estados: ridicularização (ironias, piadas, descriminações), opressão violenta (verbal ou física) e, por último, aceitação (mesmo que não aderindo a verdade para si). E não é que ele estava certo? Percebi que muitas pessoas ao meu redor começaram a ridicularizar e brincar com a prática. Outros, mais respeitosos questionavam, curiosos, o porquê da transformação e não entendiam as questões dos derivados.

Com muito respeito, explicava a todos eles e tentei, nem sempre conseguindo, não ser chato ao expor todas as comprovações sobre os argumentos e justificativas embasadas nas falsas alegações da mídia, influenciada pela indústria alimentícia e farmacêutica, as quais eu também acreditava e me pautava.

Alguns entendiam e refletiam, mas voltavam para os prazeres da carne. Outros alteravam seu humor e faziam brincadeiras provocativas. Depois disso, por eu manter-me com base no amor e respeitar a todos aqueles que não concordaram com a minha opção, comecei a ganhar alguns mimos e paparicos. E chegou o momento da aceitação.

Minha mãe começou a fazer receitas sem procedência animal deliciosas e diferenciadas. Minha tia preparou bolos veganos em duas festas de aniversário. Um grande amigo meu preparou um jantar vegano em sua casa para que pudéssemos celebrar juntos. Meus amigos aceitaram que preparássemos receitas para compor nossos momentos de comemoração e alguns experimentaram os pratos e, em sua maioria, gostaram (quando não deixávamos o pão de alho sem queijo queimar na grelha! rss).

Quando você pensa que os desafios acabaram, vem mais um balde de pesquisas e investigações a serem feitas! Comemorava cada descoberta, sabendo que minhas atitudes daquele momento para frente contribuiriam para um mundo melhor! Cosméticos, produtos de limpeza, sabonetes, desodorantes, shampoos, pastas de dente, entre outras coisas, em sua maioria, são testados em animais!

Fui atrás então de informações para saber se era realmente necessário e, para minha surpresa, muitas grandes empresas nacionais e internacionais não realizam sequer algum tipo de teste em animais. Então porque a maioria das indústrias continua a praticar esta insanidade? E porque o governo permite isso? Quais são seus interesses? Perguntas que não têm respostas racionais.

Então, comecei a ir atrás de produtos sem crueldade para substituir aqueles que mantinham essas técnicas insensíveis de testes. Descobrindo até mesmo que havia um selo, que algumas marcas já estão aderindo, de “cruelty free”. É possível você também reduzir seu impacto a partir de agora, optando por consumir cosméticos, produtos de limpeza e de higiene não testados em animais, que podem ser encontrados nesta listagem da PEA – Projeto Esperança Animal.

Enfim, falei bastante sobre minha trajetória destes seis meses de veganismo e a diversão em me jogar em um universo tão novo! Mas e a recompensa? A recompensa é uma vida mais saudável fisicamente, mais equilibrada emocionalmente, mais coerente racionalmente e, espiritualmente, com propósito pautado no amor, respeito e compaixão pelos seres sencientes.

Gratidão e sinta-se abraçado(a)!

Dormir em cama de fezes?

Eu? Após horas e horas de trabalho escravo, puxando uma carga superior ao meu próprio peso, sem água, sem comida, sem descanso, cheio de feridas, cicatrizes ou atrofias causadas por esforço repetitivo danoso, sou levado para minha “baia”. E lá, como recompensa por ter puxado você em passeio turístico, tenho como cama as fezes e a urina de noites e noites anteriores, que não foram retiradas dali por quem me usa, me explora, me gasta, me tortura e escraviza.

Você chega do trabalho na maior exaustão. O dia todo correndo de lá prá cá, puxando cargas acima do seu peso, do depósito para a vitrine, retirando cargas das prateleiras e levando para o depósito. Sem descanso. Sem poder sentar-se sequer.

Imagina, então, o prazer que é deitar-se e deixar que a circulação ocorra de modo a lhe trazer a cada célula dos músculos, nervos, tendões e ossos a endorfina necessária para limpar o ácido lático formado pelo desgaste, pelo uso repetitivo, enfim, pelo esforço que, naturalmente, seu corpo não evoluiu para fazer todo dia o dia todo.

Após esse dia de trabalho, que é exatamente igual a todos os outros dias do seu trabalho escravo, colocam você em um cubículo de dois por três metros, no máximo, sua cela, sua sala, seu quarto, sua copa, sua varanda e seu bacio, sem bacio, claro, só o piso mesmo. E lá você descansa. Certo?

Errado. Você é um animal senciente. Isso significa que você tem todos os seus sentidos bem evoluídos e além deles uma memória emocional que não o deixa esquecer-se do que os seus sentidos já lhe mostraram ser ruim para seu corpo e tormento para sua alma. Você tem consciência de tudo o que deixam ficar ali nessa cela, bacio e sala, quarto e copa, varanda e garagem, onde o aprisionam durante as noites, quando o tiram das cangas nas quais passou o dia a puxar cargas de lá para cá e de cá para lá, sob sol, chuva, vento, secura, com fome, calor, frio, sede e dor. Muita dor.

Feridas estragam sua pele. Sobre elas, põem cangas, amarram cordas, fixam traves de madeira, engatam apetrechos de ferro para conter você. Você não tem escapatória. Seu calvário é a atrofia diária de seu espírito de cavalo.

Agora você está “em casa”. Hora de descansar. Por que não aproveita e se deita, finalmente, para deixar seus músculos exauridos sentirem por um minuto a leveza do descanso? Vai ficar assim, de pé, a noite toda, só para provar que é forte, que aguenta o dia de escravo e a noite em permanente vigilância?

Trabalha em dois turnos? Um, puxando cargas humanas, outro fazendo plantão na porta de sua “casa”, com medo de que alguém o venha “roubar” e lhe privar dessa mansão e da vida maravilhosa que lhe deram?

Por que não descansa, afinal?

Queria muito descansar. Muito mesmo. Mas se você trabalha, como eu, o dia todo em pé, sem poder sentar-se ou deitar-se, ao chegar em sua casa, você pode deitar-se em sua cama, após aquele banho que leva pelo ralo as sujeiras, o suor e outras coisas menos visíveis ao olho humano, mesmo ao “olho que vê”.

Eu? Após horas e horas de trabalho escravo, puxando uma carga superior ao meu próprio peso, sem água, sem comida, sem descanso, cheio de feridas, cicatrizes ou atrofias causadas por esforço repetitivo danoso, sou levado para minha “baia”. E lá, como recompensa por ter puxado você em passeio turístico, tenho como cama as fezes e a urina de noites e noites anteriores, que não foram retiradas dali por quem me usa, me explora, me gasta, me tortura e escraviza.

Como posso deitar para descansar, se em vez de palha tenho uma cloaca? Sofro com todos os desgastes, da coluna que já não está mais em seu lugar nem tem mais seu perfil saudável, à pele que está em chagas, pelo atrito com aqueles apetrechos que atrelam em meu corpo todo dia o dia todo, roçando e raspando meus pelos até que a área fique em carne viva, que você chama de ferida.

Sofro com tudo o que fazem contra meu corpo e com o tormento de jamais poder dar asas ao meu espírito, voando pelas pradarias. E minhas noites são passadas, assim, em vigília, com os cascos imersos nas fezes e na urina ácidas, deixadas ali por dias e dias. Não posso deitar-me ali, porque então a acidez destruirá outras áreas do meu corpo também, e amanhã serei atrelado a artefatos de ferro, madeira, cordas e couro, para puxar esse troço que chamam de charrete, no qual as turistas adoram embarcar. Elas passeiam puxadas por mim. E eu, mal forças, tendo.

Quando elas deitarem em seus lençóis limpinhos no apartamento de luxo do hotel, terei sido levado para aquela mansão de dois por três, casa, copa, banheiro, quarto, sala, varanda, eu terei sido levado para essa cloaca carregada de fezes e urina, para “descansar”.

Passarei a noite em vigília, não porque não goste de deitar-me para o descanso, mas porque não evoluí para dormir no colchão de urina e excrementos que me oferecem essas turistas que adoram passear puxadas por mim e dormir em camas limpinhas com suas parceiras ou parceiros após o “cansaço” do passeio.

Se é possível haver algum perdão? Toda gente que me faz tanto mal está sempre a se perdoar, a se locupletar com os prazeres que têm em me explorar e matar. Assim, gastaram todo o perdão que havia no mundo. E, se me exploram, torturam e matam, de onde arrancaria eu o perdão para o que me fazem? Estou exaurido. Em todos os sentidos. Quero a minha liberdade e o meu descanso, antes. Depois, se forças ainda tiver, pensarei em algum perdão. Não para tudo, nem para todos, certamente, não!

*Texto originalmente publicado na Fanpage do livro Galactolatria, Mau Deleite

ANDA - SÔNIA T. FELIPE

Cavalo deitado ao seu lado é cavalo feliz!



Alexander Nevzorov, o maior estudioso de cavalos, que aboliu a monta em sua Nevzorov Haute École, porque montar lesa os tecidos do lombo do animal e não acrescenta superioridade ou dignidade alguma ao animal que o monta, afirma que ter um cavalo a deitar-se nas proximidades de qualquer outro animal, mas especialmente dos predadores humanos, é a forma de o cavalo dizer que confia nessa pessoa, que não tem medo dela, que se sente seguro em sua companhia, na sua presença.

O cavalo é um animal de fuga, não de luta, nem de competição, nem de bravatas, já o reconhece o “domador de cavalos sem punição” que, incoerente e maldosamente ordenou que três peões brasileiros punissem cavalos para fazer um filme no qual ele se mostra salvador e não punidor de cavalos, Monty Roberts.

Competição, confronto, monta, tudo isso os humanos impingem aos equinos, violando seu éthos. O cavalo resolve seus problemas de confronto afastando-se da cena, a menos que esteja numa disputa sexual.

Ele prefere, acima de tudo, manter sua liberdade e tudo o que a ameaçar será deixado para trás, por esse animal. Por isso, quando se vê ameaçado de perder o bem mais precioso, sua liberdade, ele foge. E é somente para ater-se a essa fuga que ele evoluiu sua musculatura, para escapar-se de tudo o que o ameaça, fere, lesa e viola seu corpo.

Mas, por conta de sua anatomia, o cavalo tem dificuldade em pôr-se de pé rapidamente. Por isso, quando não se sente seguro, quanto sente medo, quando está ferido ou exausto, e seu temor de ser apanhado ou aprisionado aumenta ainda mais, o cavalo dorme de pé, razão pela qual vemos tantos cavalos caírem mortos atrelados a essas malditas charretes ou carroças carregadas. Eles não se deitam quando se sentem fracos, pois, na natureza, deitar-se enfraquecido é chamar os predadores para os devorar. Então, o cavalo segura em pé até cair, literalmente, morto!

Cuidar de cavalos? Precisa aprender a linguagem deles, baseada no bem mais precioso que essa espécie de espírito tem, a liberdade, e na vulnerabilidade psicológica, emocional e fisiológica, sua capacidade de perceber com o corpo toda e qualquer alteração no ambiente natural ou social que lhe traz desconforto, mal-estar, dor, tormento e pânico.

A égua ou o cavalo é um animal senciente no mais alto grau, tanto na capacidade de sentir dor, quanto na consciência de tudo o que a pode causar. Sem entender isso em cada cavalo e o modo como cada indivíduo construiu sua memória de vida, não há como cuidar de cavalos.

O que devemos restituir a elas e a eles? Sua liberdade de cerceamentos que ameacem sua estabilidade emocional. Liberdade de qualquer estímulo doloroso, seja na boca, no lombo ou nas patas. Monta zero. Sela zero. Freio zero. Tração zero. Comida velha zero. Fome zero. Sede zero. Prisão zero. Irritação zero. Agressão zero. Abolição de todas as “tradições” que historicamente nada mais são do que “traições” ao espírito equino, feitas pela doma milenar.

Zerando essa fatura, devolvemos o que roubamos deles há milênios. A égua e o cavalo precisam reconstituir a confiança de estar no mundo na presença humana sem ser atada ou atado a qualquer artefato, sem ter qualquer peso para tracionar, sem ter as carnes esmagadas por traseiros sedentários sovando seus tecidos ao longo da coluna ao ritmo do galope.

Deitar-se, assim, ao lado de um ser humano, é o ato ou o gesto mais grato e amoroso que um equino pode realizar. É sua linguagem para expressar paz, confiança, para expressar o reconhecimento de sua igualdade espiritual.

Uma imagem de presépio, essa! Você merece estar na presença desse animal, Patricia Fittipaldi. O animal sabe quem é você. Você a libertou dos tormentos de uma carroça de Petrópolis.

ANDA - SÔNIA T. FELIPE

Direcionando a luz para o próprio prato


Agropecuária não é sinônimo de produção de carnes. Ela não esconde para debaixo do tapete a produção de leites e de ovos, quem faz isso são os ambientalistas e muita gente que se diz vegetariana e se locupleta com o que é expropriado das fêmeas avinas e bovinas.

Para mostrar a causa da falta de água, ambientalistas põem um banner gigante sobre uma área desmatada, com os dizeres: “A falta de água começa aqui”.
Acho sempre curioso como os ambientalistas jogam para bem longe do seu prato animalizado a causa da falta de água. Que tal todos eles pararem de ingerir queijos, iogurtes, manteiga, ghee, leites animais, bifes e omeletes? Que tal toda gente parar de só citar “a carne” quando fala do desmatamento e quando se refere à pecuária? Agropecuária não é sinônimo de produção de carnes. Ela não esconde para debaixo do tapete a produção de leites e de ovos, quem faz isso são os ambientalistas e muita gente que se diz vegetariana e se locupleta com o que é expropriado das fêmeas avinas e bovinas.
Proporcionalmente, o consumo de leite e derivados é mais devastador do planeta e causador [leia-se: causa a dor] no inferno ao qual as vacas e vitelos são jogados, do que a carne, mas ninguém quer falar disto, pois de ética ninguém quer falar. A corrupção moral sempre está nos outros, nunca na gente mesma.
O desmatamento, este do qual falam os ambientalistas, começa no prato de todos os onívoros e ovo-lacto-vegetarianos. É preciso trazer o banner escrito com os dizeres: “a falta de água começa aqui” para cobrir o prato de comida animalizada. Quem sabe, assim, os ambientalistas conseguem ajudar a desvelar as consciências indolentes e autoindulgentes?
Tragam o foco da luz para o lugar da perda; para iluminar atos e decisões dietéticas, em vez de procurar o objeto perdido onde há um poste de luz bem plantado, mas bem longe de nossa responsabilidade e escolhas dietéticas diárias. A Amazônia e o Cerrado devastados para atender à criação de animais para consumo humano estão espelhados todos os dias em todos os atos dietéticos nas grandes e pequenas cidades. Do pão com leite ao macarrão com ovos, sem esquecer dos churrascos e das pizzas quatro queijos. Aqui está a causa da falta de água no planeta. Ela não vai passar. A menos que adotemos a dieta abolicionista vegana.
ANDA - SÔNIA T. FELIPE