CFMV cria regras para venda e doação de animais em todo o Brasil



Considerando que a exposição, a manutenção, a venda e a doação de animais em estabelecimentos comerciais são práticas comuns no Brasil, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) decidiu estabelecer princípios e normas que garantam a segurança, a saúde e o bem-estar dos animais que estiverem sob o cuidado de pet shops, parques de exposição e feiras agropecuárias, por exemplo. O objetivo é garantir que os serviços sejam prestados de acordo com as boas práticas veterinárias.

Relacionadas também a procedimentos de higiene e estética, as diretrizes deverão ser seguidas pelos médicos veterinários que atuam como responsáveis técnicos nos estabelecimentos que exercem atividades peculiares à Medicina Veterinária. "A Resolução 1069/2014 vem para padronizar a forma de atuação desses profissionais em todo o país. A partir do próximo dia 15 de janeiro, quando a resolução entrar em vigor, os responsáveis técnicos estarão respaldados por uma norma nacional para que possam orientar os estabelecimentos comerciais de exposição, manutenção, higiene, estética, venda e doação de animais, e exigir deles as adequações necessárias", explica o presidente do CFMV, o médico veterinário Benedito Fortes de Arruda.

Contato restrito com os animais
De acordo com as novas diretrizes, uma das orientações do médico veterinário deve ser pela restrição do acesso direto da população aos animais disponíveis para comercialização. "O contato deve acontecer somente nos casos de venda iminente. Essa medida pode evitar, por exemplo, que os animais em exposição sejam infectados por possíveis doenças levadas nas roupas das pessoas", exemplifica Arruda. Segundo o presidente do CFMV, os filhotes submetidos a algum tipo de estresse podem ter sua imunidade comprometida, tornando-os vulneráveis a diversos tipos de doenças.

Instalações adequadas

Os donos dos estabelecimentos comerciais também devem ter em mente que os animais necessitam de espaço suficiente para se movimentarem. "Há casos em que vários animais são alojados em espaços pequenos, sem cama para deitar nem água suficiente para beber, sem alimentação adequada. É bom lembrar que situações de maus-tratos não são apenas um ato doloso, mas também culposo", esclarece Arruda. 

Ferir, mutilar, cometer atos de abuso e maus-tratos aos animais podem acarretar em detenção de três meses a um ano, além de multa. É o que prevê a Lei de Crimes Ambientais, de nº 9.605/1998. Por isso, a importância dos médicos veterinários, já que somente eles têm condições técnicas para prestar os devidos esclarecimentos que garantam a saúde e a segurança dos animais. “Em casos de descumprimento da Resolução CFMV 1.069/2014, os profissionais devem comunicar o fato ao Conselho Regional de Medicina Veterinária, que tomará as providências necessárias,” finaliza.

Imunização

O secretário-geral do CFMV, o médico veterinário Marcello Roza, também aponta outro ponto importante da Resolução 1.069/2014. "De acordo com as novas regras, os responsáveis técnicos deverão assegurar que os animais a serem comercializados estejam vacinados, de acordo com os programas de imunização", afirma. Segundo ele, muitas vezes, acontece de uma ninhada ser comercializada sem estar vacinada. “Esses são animais muito jovens e, se não estiverem imunizados, podem acabar se contaminando (com algum tipo de doença)”, esclarece.

Responsabilidade técnica

De acordo com a Resolução 1.069/14, os responsáveis técnicos também devem assegurar:

- que os animais com alteração comportamental decorrente de estresse sejam retirados de exposição;

- os aspectos sanitários dos estabelecimentos, principalmente para evitar a presença de animais com potencial zoonótico ou doenças de fácil transmissão para as espécies envolvidas;

- que não ocorra a venda ou doação de fêmeas gestantes e de animais que tenham sido submetidos a procedimentos proibidos pelo CFMV, como a onicectomia em felinos (cirurgia realizada para arrancar as garras); a conchectomia e a cordectomia em cães (para levantar as orelhas e retirar as cordas vocais, respectivamente); e a caudectomia em cães, cirurgia realizada para cortar a cauda dos animais;

- que as instalações e locais de manutenção de animais sejam livres de excesso de barulho ou qualquer situação que cause estresse a eles;

- que esses locais tenham um plano de evacuação rápida em caso de emergência;

- a inspeção diária obrigatória que garanta a saúde e o bem-estar dos animais.

Publicada hoje no Diário Oficial da União (DOU), a Resolução CFMV 1.069/2014 entrará em vigor daqui a três dias, ou seja, em 15 de janeiro de 2015. A íntegra da resolução já está disponível no Portal do CFMV.
Mercado em grande expansão no Brasil, com faturamento estimado em cerca de R$ 16 bilhões no ano passado, os pet shops passam a ter uma norma nacional editada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), com orientações sobre procedimentos a serem observados na exposição, manutenção, estética, venda e doação de animais. O objetivo é garantir, com apoio do Médico Veterinário, a segurança, a saúde e o bem-estar dos animais que estiverem sob o cuidado de pet shops, em exposição e feiras agropecuárias, por exemplo. O tema está sendo amplamente debatido na mídia com notícias na Agência Brasil, Jornal do Commércio, Correio da Bahia, Correio Braziliense, Rural Notícias, A Crítica, Diário de Canoas, Portal Brasil, O Povo, Tribuna da Bahia, Monitor Mercantil entre outros.

Confira as matérias publicadas:

Agência Brasil: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2015-01/pet-shops-terao-norma-nacional

Política Livre: http://www.politicalivre.com.br/2015/01/pet-shops-terao-de-manter-veterinario-para-inspecoes-diarias/

Jornal do Commercio – PE: http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/nacional/noticia/2015/01/12/pet-shops-terao-norma-nacional-163895.php

Correio da Bahia: http://www.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/pet-shops-terao-de-manter-veterinario-para-inspecoes-diarias/?cHash=a72099844fdbba4071f9989fa997059f

Rural Notícias: http://ruralnoticias.com/paginas/noticias.asp?p=1212015_CFMVCRIADIRETRIZESDEBOASPRATICASPARACOMERCIALIZACAODEANIMAIS.html

Correio Brazilense: http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica-brasil-economia/63,65,63,12/2015/01/12/internas_polbraeco,465936/pet-shops-terao-de-manter-veterinario-para-inspecoes-de-animais.shtml

A Crítica: http://www.acritica.net/index.php?conteudo=Noticias&id=136435

Aqui Acontece: http://aquiacontece.com.br/noticia/2015/01/12/pet-shops-terao-de-manter-veterinario-para-inspecoes-diarias

Diário de Canoas: http://www.diariodecanoas.com.br/_conteudo/2015/01/noticias/pais/118793-pet-shops-terao-norma-nacional-sobra-funcionamento.html

Portal Brasil: http://www.brasil.gov.br/meio-ambiente/2015/01/publicadas-regras-para-comercio-e-exposicao-de-animais

Tribuna da Bahia: http://www.tribunadabahia.com.br/2015/01/12/pet-shops-terao-norma-nacional-manter-veterinario-para-inspecoes

Monitor Mercantil: http://www.monitormercantil.com.br/index.php?pagina=Noticias&Noticia=164575&Categoria=CONJUNTURA

Jornal do Comércio-RS: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=184225

Com informações do CFMV

Saiba como acalmar animais de estimação que têm medo de fogos de artifício



Confira alguns métodos que podem deixar seu amigo de estimação mais tranquilo no Natal e no Réveillon.


Os animais são um dos mais prejudicados com a queima de fogos durante as festas de fim de ano. Muitos são os donos dos cães e gatos de estimação que buscam dicas para diminuir o sofrimento dos bichinhos.

1. Importante: Nunca punir seu animal, mesmo se ele fizer xixi no tapete, também não tente confrontá-lo ou proteger demais (dando colo, por exemplo), caso contrario você vai incentivar seu cão a ter esse comportamento;

2. Evite fugas: A primeira coisa a fazer nas noites de festa é fechar bem as portas e as janelas. No desespero, cães e gatos tentam fugir, o pânico desorienta o animal, que tende a correr desesperado e sem destino. Animais com certa idade podem sofrer paradas cardiorrespiratórias, convulsões e diversos outros problemas;

3. Crie um refúgio: Coloque seu bicho em um lugar onde ele se sinta seguro. Mantenha a luz acesa e, se ele estiver acostumado, deixe TV e rádio ligado. Converse um pouco, faça carinho e vá visitá-lo de tempo em tempo;

4. Ajude ele a se sentir protegido: Tente diminuir os ruídos, coloque cobertores pesados ou ate mesmo um colchão tampando a janela e outras frestas;

5. Tampões: Alguns veterinários aconselham o uso de tampões de algodão nos ouvidos que podem ser colocados minutos antes e tirados logo após os fogos;

6. Jamais ofereça a comida da ceia: Pode até ser que o peru esteja divino e a maionese seja light. Mas nada de dar ao seu bicho a comida da ceia de Réveillon. Problemas de digestão, somados ao pânico que ele sente dos rojões, podem até levar à morte, em casos extremos. Alimente-o com a ração de costume e ofereça água. Evite até dar biscoitinhos para que ele não associe o fato de ter medo a uma coisa “boa” que ele pode ser recompensado;

7. Solte a coleira: Não deixe seu cachorro ou gato na coleira. Muitos animais, quando presos, morrem por enforcamento, no desespero de fugir dos fogos e rojões. Se precisar isolá-lo, deixe-o fechado num quartinho;

8. Acalme-o: Homeopatia, florais e acupuntura podem diminuir o medo e a ansiedade do seu animal. Mas esses tratamentos devem ser feitos ao longo do ano. Em casos muito graves, converse com o veterinário;

9. Identifique seu animal: Coloque uma coleira com plaqueta de identificação no pescoço do seu cão ou gato, importante para achá-lo no caso de fuga. A coleira do gato deve ser elástica, para que não haja risco de enforcamento ao se prender a um galho ou outro objeto. A plaqueta deve conter o número do seu telefone (residência e celular);

10. Evite brigas: Não deixe muitos cães juntos, pois, excitados pelo barulho, brigam e se ferem gravemente;

11. Distraia seu bichinho: se for possível ficar com eles durante a queima de fogos tente desviar a atenção dele com aquelas brincadeiras que ele mais gosta;

12. Evite acidentes: Retire qualquer coisa que possa ser derrubada, quebrada ou derramada do ambiente que o animal vai frequentar.

Principais consequências do contato com fogos e barulhos altos demais:

- Fugas, perdidos eles podem se afogar, ser atropelados ou mesmo provocar acidentes;
- Mortes, enforcando-se na própria coleira quando não conseguem rompê-la para fugir, ou mesmo ao tentarem passar por vãos pequenos. Atirando-se de janelas, atravessando portas de vidro, batendo a cabeça contra paredes ou grades;
- Ferimentos, quando atingido ou quando abocanham rojão achando que é algum objeto para brincar;
- Traumas emocionais, resultando na mudança de temperamento para agressividade;
- Ataques, contra os próprios donos e outras pessoas;
- Brigas com outros animais com os quais convivem inclusive;
- Mutilações, no desespero de fugir atravessando grades e portões;
- Convulsões em cães de mais idade;
- Quedas de grandes alturas;
- Aprisionamento indesejado em lugares de difícil acesso na tentativa de se protegerem;
- Outra dica interessante foi dada por uma empresa que fabrica produtos para cães. Grave o som de fogos de artifício ou trovão e coloque para tocar em um volume baixo. Enquanto isso, confira a reação do seu bicho e tente distraí-lo com brincadeiras.

Aos poucos e de tempos em tempos, vá aumentando o volume. Se ele voltar a mostrar medo, tente mais tarde. Dependendo do trauma do seu bicho, o processo pode ser longo e requerer uma dose extra de paciência. Mas, no final, o cão irá conviver bem melhor com o barulho dos fogos de artifício.

Fonte: jangadeiroonline.com.br

A dieta vegetariana e a prevenção de cânceres do sistema reprodutor



Atualmente, se aceita que até 80% dos cânceres sejam causados por fatores que podemos controlar: ambiente, tabagismo, dieta, atividade física, consumo de álcool, exposição a radiações, poluição e medicamentos, sendo que a nutrição é um fator determinante para risco ou proteção. Portanto, é importante considerar junto a outros hábitos de vida saudáveis também a opção por uma dieta vegetariana, pois ela é especialmente poderosa como fator de prevenção.

Muitos estudos já demonstraram a relação entre a incidência de câncer e uma dieta rica em produtos animais. As dietas muito ricas em proteína animal estão relacionadas aos cânceres do intestino, fígado, mama e rins e as dietas muito ricas em gordura (com ou sem proteína animal) estão relacionadas à incidência de cânceres de intestino, mama, próstata, e pâncreas. Para citar um exemplo, a revista médica British Journal of Cancerpublicou um estudo realizado com mais de 35 mil mulheres britânicas (sendo 28% vegetarianas) com idades entre 35 e 69 anos. O estudo apontou que aquelas mulheres que consumiam carne vermelha em maiores quantidades tiveram o seu risco de desenvolver câncer de mama aumentado em até 64%.

Isso acontece porque uma dieta rica em carne é mais rica em gordura saturada, o que favorece um aumento na produção do hormônio estrogênio pelo organismo, cujo excesso está diretamente relacionado à incidência do câncer de mama, por exemplo. Além disso, a cocção da carne forma um composto chamado amina heterocíclicaque está relacionado ao desenvolvimento do câncer. As carnes processadas contêm ainda compostos nitrosos que já demonstraram ter o mesmo efeito de promoção do câncer.

Outro estudo, publicado na revista médica Archives of Internal Medicine, também relacionou o consumo de carne vermelha a um aumento no risco de desenvolver o câncer de mama. Esse estudo envolveu mais de 90 mil mulheres com idades entre 26 e 46 anos que foram acompanhadas por um período de 12 anos. As mulheres que consumiam diariamente uma porção e meia de carne vermelha tiveram dobrado o seu risco de desenvolver câncer de mama quando comparadas àquelas que consumiam apenas três porções ou menos de carne vermelha por semana.

Mas as carnes, em especial a carne vermelha, não é o único produto animal que está no banco dos réus quando o tema é o câncer. Um estudo Sueco publicado em 2005 evidenciou a relação entre o câncer de ovário e o consumo de laticínios. Para cada 13 gramas de lactose consumida (equivalente a um copo de leite), o risco de desenvolver câncer de ovário aumentava em 13%. Investigações anteriores demonstraram que a lactose e a galactose (um produto da digestão da lactose) podem ter um efeito tóxico no tecido ovariano. Em um estudo publicado em 2006, o consumo de laticínios foi também relacionado a um aumento no risco de desenvolver o câncer testicular. Este estudo, que foi conduzido na Alemanha e envolveu mais de 1.000 homens, constatou que aqueles que consumiam mais de 20 porções de laticínios por mês tiveram aumentado em 37% o seu risco de desenvolver câncer testicular. O estudo sugere como culpadas a galactose e a gordura presentes nos laticínios. A relação entre o consumo de laticínios e o câncer de próstata também já foi estabelecida em estudos anteriores.

Além de ter potencialmente reduzida a quantidade de substâncias que favorecem o desenvolvimento do câncer, uma dieta rica em alimentos vegetais também possui uma quantidade maior de substâncias que o previnem. Quando falamos em uma dieta rica em alimentos vegetais, entenda uma dieta vegetariana, que por razões óbvias permite incluir na dieta uma quantidade maior de alimentos vegetais se comparada a uma dieta onívora (que inclui carnes). Uma dieta vegetariana atua portanto por duas vias, pois além de reduzir o estímulo nocivo, ainda aumenta a oferta de substâncias protetoras.

Os componentes dos alimentos vegetais podem prevenir o câncer de diferentes maneiras: eliminando os radicais livres e melhorando o sistema imunológico são dois exemplos, além de serem capazes de reduzir a conversão das substâncias cancerígenas à sua forma ativa.

Os fitoquímicos presentes em alimentos vegetais têm um papel importante na prevenção de algumas formas de câncer, especialmente o de mama. A genisteína, encontrada na soja e derivados, é um exemplo destas substâncias de efeito protetor. Já contra o câncer de próstata encontramos um fator de proteção no licopeno, presente em frutas vermelhas como o tomate, a melancia e a goiaba vermelha. Outras substâncias que dão coloração às frutas e vegetais, chamadas de flavonóides (presentes em abundância no suco de uva e no açaí, por exemplo), também protegem as células contra o câncer. Vegetais como o brócolis e o repolho contêm fatores que previnem o câncer ao favorecerem a remoção de substâncias cancerígenas que se acumulam e concentram no interior da célula. Por ser rica em selênio, a castanha-do-Pará fortalece o sistema imunológico e bloqueia a iniciação e promoção de tumores.

Os alimentos vegetais fornecem uma imensa gama de fatores de proteção que vão muito além das fibras, vitaminas e minerais. Os produtos animais, por outro lado, contêm substâncias que são capazes de promover o câncer. Quanto mais rica em vegetais e mais pobre em produtos animais for a dieta, mais próximos estaremos da prevenção do câncer. Uma dieta vegana, balanceada para garantir a boa nutrição e rica em variedade e cores para garantir a proteção, é a tradução de uma dieta poderosa na prevenção do câncer.



A dieta vegetariana e a prevenção de cânceres do sistema reprodutor

Dr George Guimarães, nutricionista especializado em dietas vegetarianas

Atualmente, se aceita que até 80% dos cânceres sejam causados por fatores que podemos controlar: ambiente, tabagismo, dieta, atividade física, consumo de álcool, exposição a radiações, poluição e medicamentos, sendo que a nutrição é um fator determinante para risco ou proteção. Portanto, é importante considerar junto a outros hábitos de vida saudáveis também a opção por uma dieta vegetariana, pois ela é especialmente poderosa como fator de prevenção.

Muitos estudos já demonstraram a relação entre a incidência de câncer e uma dieta rica em produtos animais. As dietas muito ricas em proteína animal estão relacionadas aos cânceres do intestino, fígado, mama e rins e as dietas muito ricas em gordura (com ou sem proteína animal) estão relacionadas à incidência de cânceres de intestino, mama, próstata, e pâncreas. Para citar um exemplo, a revista médica British Journal of Cancerpublicou um estudo realizado com mais de 35 mil mulheres britânicas (sendo 28% vegetarianas) com idades entre 35 e 69 anos. O estudo apontou que aquelas mulheres que consumiam carne vermelha em maiores quantidades tiveram o seu risco de desenvolver câncer de mama aumentado em até 64%.

Isso acontece porque uma dieta rica em carne é mais rica em gordura saturada, o que favorece um aumento na produção do hormônio estrogênio pelo organismo, cujo excesso está diretamente relacionado à incidência do câncer de mama, por exemplo. Além disso, a cocção da carne forma um composto chamado amina heterocíclicaque está relacionado ao desenvolvimento do câncer. As carnes processadas contêm ainda compostos nitrosos que já demonstraram ter o mesmo efeito de promoção do câncer.

Outro estudo, publicado na revista médica Archives of Internal Medicine, também relacionou o consumo de carne vermelha a um aumento no risco de desenvolver o câncer de mama. Esse estudo envolveu mais de 90 mil mulheres com idades entre 26 e 46 anos que foram acompanhadas por um período de 12 anos. As mulheres que consumiam diariamente uma porção e meia de carne vermelha tiveram dobrado o seu risco de desenvolver câncer de mama quando comparadas àquelas que consumiam apenas três porções ou menos de carne vermelha por semana.

Mas as carnes, em especial a carne vermelha, não é o único produto animal que está no banco dos réus quando o tema é o câncer. Um estudo Sueco publicado em 2005 evidenciou a relação entre o câncer de ovário e o consumo de laticínios. Para cada 13 gramas de lactose consumida (equivalente a um copo de leite), o risco de desenvolver câncer de ovário aumentava em 13%. Investigações anteriores demonstraram que a lactose e a galactose (um produto da digestão da lactose) podem ter um efeito tóxico no tecido ovariano. Em um estudo publicado em 2006, o consumo de laticínios foi também relacionado a um aumento no risco de desenvolver o câncer testicular. Este estudo, que foi conduzido na Alemanha e envolveu mais de 1.000 homens, constatou que aqueles que consumiam mais de 20 porções de laticínios por mês tiveram aumentado em 37% o seu risco de desenvolver câncer testicular. O estudo sugere como culpadas a galactose e a gordura presentes nos laticínios. A relação entre o consumo de laticínios e o câncer de próstata também já foi estabelecida em estudos anteriores.

Além de ter potencialmente reduzida a quantidade de substâncias que favorecem o desenvolvimento do câncer, uma dieta rica em alimentos vegetais também possui uma quantidade maior de substâncias que o previnem. Quando falamos em uma dieta rica em alimentos vegetais, entenda uma dieta vegetariana, que por razões óbvias permite incluir na dieta uma quantidade maior de alimentos vegetais se comparada a uma dieta onívora (que inclui carnes). Uma dieta vegetariana atua portanto por duas vias, pois além de reduzir o estímulo nocivo, ainda aumenta a oferta de substâncias protetoras.

Os componentes dos alimentos vegetais podem prevenir o câncer de diferentes maneiras: eliminando os radicais livres e melhorando o sistema imunológico são dois exemplos, além de serem capazes de reduzir a conversão das substâncias cancerígenas à sua forma ativa.

Os fitoquímicos presentes em alimentos vegetais têm um papel importante na prevenção de algumas formas de câncer, especialmente o de mama. A genisteína, encontrada na soja e derivados, é um exemplo destas substâncias de efeito protetor. Já contra o câncer de próstata encontramos um fator de proteção no licopeno, presente em frutas vermelhas como o tomate, a melancia e a goiaba vermelha. Outras substâncias que dão coloração às frutas e vegetais, chamadas de flavonóides (presentes em abundância no suco de uva e no açaí, por exemplo), também protegem as células contra o câncer. Vegetais como o brócolis e o repolho contêm fatores que previnem o câncer ao favorecerem a remoção de substâncias cancerígenas que se acumulam e concentram no interior da célula. Por ser rica em selênio, a castanha-do-Pará fortalece o sistema imunológico e bloqueia a iniciação e promoção de tumores.

Os alimentos vegetais fornecem uma imensa gama de fatores de proteção que vão muito além das fibras, vitaminas e minerais. Os produtos animais, por outro lado, contêm substâncias que são capazes de promover o câncer. Quanto mais rica em vegetais e mais pobre em produtos animais for a dieta, mais próximos estaremos da prevenção do câncer. Uma dieta vegana, balanceada para garantir a boa nutrição e rica em variedade e cores para garantir a proteção, é a tradução de uma dieta poderosa na prevenção do câncer.



George Guimarães
Nutricionista e ativista pelos direitos animais. Dedica-se à pesquisa, aconselhamento e consultoria em nutrição vegetariana em seu consultório e dirige a NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, onde orienta pacientes vegetarianos ou aqueles em transição para o vegetarianismo. Também dirige as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegetariano, que promove cursos e eventos com o objetivo de difundir o veganismo. Também ministra cursos e palestras sobre o tema da nutrição vegetariana e veganismo em universidades e para o público em geral. Sua formação em nutrição vegetariana é composta em parte pela participação em congressos científicos e conferências no exterior. É docente da primeira disciplina de nutrição vegetariana em um curso de pós-graduação e tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Seja no consultório, na colaboração em estudos científicos ou nos restaurantes que dirige, todas suas atividades profissionais são voltadas para a difusão do veganismo. Desde 2006 dirige o VEDDAS, grupo que vem ganhando destaque no movimento de defesa animal. Vegetariano desde os quatro anos de idade e vegano desde 1994.
Membro fundador da Sociedade Vegana.

Dietas vegetarianas e longevidade: vivendo mais e melhor



Eliminar a carne do cardápio aumenta a longevidade? Esta pergunta vem sendo feita por leigos e cientistas há muitos anos. Enquanto há uma série de evidências que apontam para um “sim” como resposta, há muitas considerações a serem feitas antes que possamos afirmar isto com propriedade científica. Isto porque fatores não-dietéticos também afetam a longevidade e a qualidade de vida e com isso um estudo perfeitamente conclusivo ainda está distante de ser desenhado. No entanto, é vasta a quantidade de evidências, tanto históricas quanto científicas, que apontam no sentido de que a exclusão das carnes da dieta humana resulta em maior longevidade associada a uma melhora na qualidade de vida.

A observação de populações que vivem tradicionalmente com dietas compostas por pouca ou nenhuma carne nos traz boas referências de como uma dieta vegetariana pode aumentar a longevidade. Esse é o caso de populações rurais que vivem em áreas geograficamente isoladas que vão desde o Himalaia ao Equador, da Turquia à Rússia. Nessas populações, que adotam uma dieta com pouca ou nenhuma carne, a expectativa de vida ultrapassa facilmente a média de 70 anos atualmente observada nas populações ocidentais. Em contraste, outras populações rurais que apresentam um desenvolvimento tecnológico semelhante como é o caso dos esquimós e de outras comunidades na África, Groenlândia e Rússia apresentam uma expectativa de vida média de apenas 40 anos. Em todas estas podemos constatar um alto consumo de carnes.

A partir da observação de eventos históricos também é possível comprovar como a redução no consumo de carne afeta positivamente a saúde da população. As I e II Guerras Mundiais são um bom exemplo disto. Durante a I Guerra Mundial, cerca de três milhões de dinamarqueses foram forçados a eliminar quase que completamente a carne de suas dietas. O que se observou foi uma redução equivalente de 6.300 indivíduos por ano na taxa de mortalidade durante o período. Durante a II Guerra Mundial, foi a vez dos Noruegueses e Suecos serem colocados à prova. Durante a ocupação alemã que teve início em 1939, observou-se um declínio na taxa de mortalidade semelhante àquela constatada na Dinamarca durante a I Guerra Mundial. Com a normalização da oferta de alimentos a partir de 1943, as taxas de mortalidade retornaram às mesmas observadas antes do início da guerra.

A simples análise da composição das dietas onívora e vegetariana pode ajudar a explicar como a última promove maior longevidade. Entre os principais componentes das carnes encontramos a gordura, especialmente a do tipo saturada. Diversos estudos já relacionaram de maneira bastante direta o consumo excessivo de gordura saturada ao risco de desenvolver doenças cardiovasculares e o diabetes. Alem das gorduras, alguns compostos presentes nas carnes, como os nitratos e a amina heterocíclica, já foram citados como sendo fatores causais para o câncer e muitos estudos já relacionaram o consumo de carne vermelha à incidência de cânceres de cólon, próstata e mama.

Não é difícil estabelecer uma relação entre um peso corporal apropriado e um aumento na longevidade e qualidade de vida. A constatação de uma menor prevalência de obesidade entre a população vegetariana é clara e nada surpreendente, haja vista por exemplo que uma porção de carne pode conter até o dobro de calorias se comparada a uma porção de um substituto da carne (como o tofu ou uma porção de vegetais protéicos). Outro nutriente cuja redução na ingestão pode afetar positivamente a saúde dos vegetarianos é o ferro. Enquanto uma ingestão adequada deste mineral é desejada para a manutenção da saúde, uma ingestão excessiva de ferro pode ter o efeito inverso. Por ser um elemento altamente oxidativo, o ferro é um eficiente produtor de radicais livres, que são compostos relacionados ao processo de envelhecimento e à incidência de doenças cardiovasculares. A carne é especialmente rica no ferro heme, um tipo de ferro que é até 10 vezes mais bem absorvido do que o ferro encontrado nos vegetais, aumentando assim em muitas vezes o seu potencial nocivo quando consumido em excesso.

Os hormônios, antibióticos, pesticidas e metais pesados presentes nas carnes somam-se à lista de fatores que afetam negativamente a saúde e consequentemente a longevidade daqueles que a consomem. Completam a lista as doenças causadas pela ingestão de vírus, bactérias e parasitas, que vão desde as infecções alimentares causadas por E. coli e Salmonella, a gripes aviárias e doenças da vaca louca e cisticercose. As doenças causadas pela ingestão de carne contaminada, muitas delas fatais, podem ser evitadas ou severamente reduzidas quando a carne é excluída do cardápio.

Havendo visto um pouco sobre os mecanismos pelos quais a ingestão de carnes pode reduzir a expectativa de vida e tendo notado alguns exemplos históricos, resta-nos finalmente saber o que nos dizem os estudos científicos sobre o impacto que a dieta vegetariana tem na longevidade. Estudos importantes apontam com resultados bastante significativos em favor da dieta vegetariana. Em uma análise de 6 grandes estudos prospectivos realizados na Europa e nos EUA, totalizando mais de 109.000 pessoas, podemos notar que quase a totalidade deles demonstra uma redução na mortalidade entre os vegetarianos quando comparados aos seus semelhantes onívoros. Um estudo britânico conduzido com 11.000 pessoas aponta para uma redução de 20% nas causas de morte e alguns estudos estadunidenses mostram números semelhantes. Um estudo conduzido na Itália aponta para uma redução de 45% na mortalidade entre vegetarianos e um estudo alemão realizado com 1.904 pessoas aponta para uma redução de 47% na mortalidade para mulheres vegetarianas e 56% para homens. Estes dados atestam para o poder que têm as dietas vegetarianas como instrumento de redução do risco de doenças e o conseqüente aumento na longevidade e na qualidade de vida.

No campo científico, resta-nos ainda investigar qual é exatamente o aspecto que impacta tão positivamente a saúde das populações vegetarianas: seria o estilo de vida que muitas vezes vem agregado a esta opção alimentar, seria a exclusão das carnes da dieta, seria a inclusão de mais vegetais na dieta (quando tiramos as carnes do cardápio, damos lugar para mais vegetais que trazem consigo elementos protetores como fibras, antioxidantes e fitoquímicos) ou seria ainda uma combinação destas três possibilidades? Para quem já é vegetariano, ou para aqueles que desejam se aventurar por este mundo de descobertas tão diversas (filosóficas, sociais, culinárias), as respostas a estas perguntas não são de maior importância nesse momento. Pois independentemente do tempo que levaremos para poder apontar quais são exatamente os mecanismos pelos quais uma dieta vegetariana oferece maior proteção, as evidências científicas demonstram que, por uma diversidade de fatores, esta opção alimentar, quando praticada com critério, reduz significativamente a mortalidade e o risco de doenças, resultando em um aumento na longevidade e uma importante melhora na qualidade de vida.

George Guimarães
Nutricionista e ativista pelos direitos animais. Dedica-se à pesquisa, aconselhamento e consultoria em nutrição vegetariana em seu consultório e dirige a NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, onde orienta pacientes vegetarianos ou aqueles em transição para o vegetarianismo. Também dirige as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegetariano, que promove cursos e eventos com o objetivo de difundir o veganismo. Também ministra cursos e palestras sobre o tema da nutrição vegetariana e veganismo em universidades e para o público em geral. Sua formação em nutrição vegetariana é composta em parte pela participação em congressos científicos e conferências no exterior. É docente da primeira disciplina de nutrição vegetariana em um curso de pós-graduação e tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Seja no consultório, na colaboração em estudos científicos ou nos restaurantes que dirige, todas suas atividades profissionais são voltadas para a difusão do veganismo. Desde 2006 dirige o VEDDAS, grupo que vem ganhando destaque no movimento de defesa animal. Vegetariano desde os quatro anos de idade e vegano desde 1994.
Membro fundador da Sociedade Vegana.

Dietas vegetarianas: primeiras perguntas e a pergunta mais importante



São muitos os motivos que podem levar uma pessoa a optar por uma dieta vegana. Seja esse motivo a saúde, o meio ambiente, a religião ou os animais, a opção sempre causará mudanças em seu hábito alimentar diário, o que impactará a sua saúde. Por esse motivo, todos os veganos, mesmo os que não fizeram essa opção por saúde, devem observar alguns cuidados nutricionais.

A primeira questão que vêm à mente dos iniciantes é com relação à ingestão de proteína. Questionar a proteína em uma dieta vegana é como um reflexo involuntário, haja vista que a nossa sociedade tende a considerar a carne como sinônimo de proteína, o que não é verdadeiro. As proteínas são formadas por aminoácidos e todos os aminoácidos essenciais à nutrição humana podem ser encontrados nos alimentos de origem vegetal. Todos. O termo aminoácido essencial refere-se àqueles aminoácidos que precisam ser consumidos, pois não podem ser fabricados pelo corpo. Uma vez digerida a proteína e transformada em aminoácidos, o corpo não diferencia se esse aminoácido veio de um animal ou de um vegetal, pois a substância final é uma só.

É fato que existem aminoácidos que só estão presentes na carne, mas esses não são do tipo essencial, ou seja, não precisam ser ingeridos, pois há outras vias para a sua obtenção, como por exemplo a sua fabricação a partir de aminoácidos essenciais. Já que as proteínas podem ser obtidas em uma dieta vegetariana, resta saber quais são os alimentos fonte. Castanhas, nozes, amêndoas, sementes (como a de gergelim e a de girassol), feijões, grão-de-bico, lentilha, ervilha, soja e derivados são todos fontes riquíssimas de proteínas. A chave para conseguir todos os aminoácidos essenciais é variar ao máximo esses alimentos, optando a cada dia por duas ou mais fontes e alternando-as a cada dois ou três dias.

O ferro é tido como outro quase sinônimo da carne, mas isso também não é verdadeiro. É fato que a carne é muito rica em ferro, mas isso não significa que ela seja a única fonte útil desse mineral. O ferro pode ser encontrado em todos os alimentos citados acima (fontes de proteína) e ainda nos vegetais verde-escuros, no melado-de-cana e nas frutas secas. O ferro encontrado nas carnes pode ser mais bem absorvido do que o ferro encontrado nos vegetais. No entanto, o ferro encontrado nos vegetais será mais bem absorvido quando o estoque de ferro estiver baixo, ou seja, desde que haja demanda, o ferro encontrado nos vegetais é mais bem aproveitado, o que o caracteriza como sendo uma fonte adequada. Esse fato pode ser comprovado quando constatamos que a incidência de anemia entre a população vegana não é maior do que a incidência de anemia entre a população onívora.

Se comparados aos ovolactovegetarianos, os veganos têm uma taxa de ferro melhor. Isso porque os veganos excluem da dieta os laticínios, que além de serem uma péssima fonte de ferro, ainda prejudicam a absorção do ferro que possa estar presente em outros alimentos que compõem a refeição.

O cálcio é outro nutriente que à primeira vista pode parecer um nutriente de risco, mas essa preocupação se deriva de outro mito semelhante aos anteriores, que é o mito de que o cálcio seja sinônimo de leite, o que não passa de mais uma confusão. Na verdade, se observarmos a natureza, podemos facilmente constatar que o ser humano é o único animal que consome leite depois de passado o período de amamentação. Mesmo se considerarmos apenas a nossa espécie para essa observação, podemos constatar que há poucos séculos nós não fazíamos uso dos laticínios com a mesma intensidade com que fazemos hoje. Muitas civilizações nativas preservam até hoje o hábito de não fazer uso de qualquer laticínio passado o período de amamentação. Sendo assim, de onde a nossa espécie obteve o cálcio ao longo da evolução? Do mesmo lugar de onde os veganos o obtém hoje em dia. O cálcio pode ser obtido de fontes vegetais como as leguminosas, as oleaginosas, os vegetais verde-escuros, o melado-de-cana e as frutas, em especial as frutas secas. Ou seja, o cálcio pode ser encontrado nas mesmas fontes que fornecem o ferro. Desse modo, contando com fontes exclusivamente vegetais, ao ingerir o cálcio o vegano estará ingerindo também o ferro e vice-versa, o que já não ocorre quando as carnes e os laticínios estão presentes, pois ambos se colocam em único extremo: ou são fontes de ferro, ou são fontes de cálcio.

É justamente esse o motivo que explica o fato de os veganos terem um risco muito baixo de desenvolver anemia, pois os alimentos vegetais são sempre muito ricos em ferro e vêm acompanhados do cálcio. Já o leite é um alimento rico em cálcio e pobre em ferro e a carne tem característica oposta, sendo rica em ferro e pobre em cálcio. Sendo assim, para obter ambos o ferro e o cálcio, o onívoro deve consumir dois alimentos diferentes, ambos ricos em gordura, especialmente gordura saturada, e colesterol, além de serem pobres em fibras e substâncias antioxidantes. A conclusão é que para obter esses dois minerais em uma dieta onívora é preciso comer mais calorias, com mais gorduras e sem substâncias protetoras. Já em uma dieta vegana, esses nutrientes podem ser obtidos nos mesmos alimentos, acompanhados de menos calorias, menos gordura e uma abundância de fibras e substâncias com efeito antioxidante.

A única questão nutricional verdadeira para os veganos relaciona-se à vitamina B12, pois essa vitamina, que é produzida por bactérias, de fato não pode ser encontrada nos alimentos de origem vegetal, sendo necessária a sua suplementação na forma de suplemento oral. Isso não denota uma inadequação da dieta no sentido de ela não ser adequada à espécie humana. Ocorre que ao nos distanciarmos da natureza, deixamos de consumir bactérias em quantidade suficiente, o que é bom por vários motivos de saúde, mas em contrapartida prejudica a ingestão da vitamina B12. a solução p[ara esse problema moderno é o uso de uma solução igualmente moderna, que é a suplementação da vitamina, que pode ser obtida de fontes sintéticas.

Quando uma dieta vegana é praticada com critério, temos essas características positivas e o resultado, além de ter garantida a ingestão dos nutrientes essenciais, é a redução do risco de desenvolver doenças crônicas e degenerativas tais como diabetes, obesidade, doenças cardiovasculares e algumas formas de câncer. Na verdade, já faz mais de 20 anos que a investigação científica acerca do tema das dietas vegetarianas deixou de ter como foco as possíveis carências nutricionais e passou a se interessar mais pelos efeitos protetores da dieta vegetariana. Apesar de ainda prevalecer entre o público leigo as questões acerca das carências alimentares na dieta vegetariana, a investigação científica atual já esgotou o tema em sua maior parte, superando a pergunta “é possível ser vegetariano?” para dar lugar à pergunta “por que os vegetarianos gozam de melhor saúde?”.


George Guimarães
Nutricionista e ativista pelos direitos animais. Dedica-se à pesquisa, aconselhamento e consultoria em nutrição vegetariana em seu consultório e dirige a NutriVeg Consultoria em Nutrição Vegetariana, onde orienta pacientes vegetarianos ou aqueles em transição para o vegetarianismo. Também dirige as duas unidades do VEGETHUS Restaurante Vegetariano, que promove cursos e eventos com o objetivo de difundir o veganismo. Também ministra cursos e palestras sobre o tema da nutrição vegetariana e veganismo em universidades e para o público em geral. Sua formação em nutrição vegetariana é composta em parte pela participação em congressos científicos e conferências no exterior. É docente da primeira disciplina de nutrição vegetariana em um curso de pós-graduação e tem trabalhos publicados em revistas científicas de alcance internacional. Seja no consultório, na colaboração em estudos científicos ou nos restaurantes que dirige, todas suas atividades profissionais são voltadas para a difusão do veganismo. Desde 2006 dirige o VEDDAS, grupo que vem ganhando destaque no movimento de defesa animal. Vegetariano desde os quatro anos de idade e vegano desde 1994.
Membro fundador da Sociedade Vegana.

O que é Educação Vegana?



Desde os primórdios a educação faz parte das relações humanas. O ato de educar (educare, educere) é levar uma pessoa humana de um estado psicofísico ao outro, modificando-a, amamentando-a.

Nosso sistema de ensino modifica, conduz a criança e o adolescente no processo de assimilação de nossa herança cultural, nutrindo-os com aquilo que “acham” que é bom transmitir porque faz parte da tradição.

Alguns valores fazem parte do corpo de conhecimentos necessários para se formar um cidadão crítico e autônomo, os mais citados são: justiça e igualdade. Esse é o objetivo de uma grande porção da literatura pedagógica nas últimas duas décadas, formar cidadãos autônomos e críticos, guiados pelos ideais de justiça e igualdade. O que nossos deuses do campo pedagógico, os docentes (em alguns Estados, verdadeiros bóias-frias da educação) e a quase totalidade dos pais não percebem é o perigo que se corre ao ensinar/transmitir um conceito de justiça e de igualdade restrito aos adultos da espécie humana dotados de razão, consciência de si e linguagem.

É para expandir o ideal de justiça e igualdade para além do “reino dos fins”, e formar cidadãos verdadeiramente críticos e autônomos no sentido grego dos termos que nasce a educação vegana.

A educação vegana é a ruptura com um ensino transmissor de um ideal de justiça restrito e excludente, de um ideal de igualdade fechado nos possuidores da posse plena da razão e linguagem como apregoado pela filosofia moral tradicional.

Educação vegana é o ensino do respeito a todos os animais sencientes. É o ensino de um modo de vida ético cujo princípio é a filosofia dos direitos animais, um modo de vida que reconhece a inclusão dos animais não-humanos na comunidade moral, única forma para que seus interesses sejam respeitados.

Educar para o veganismo é levar o individuo humano do estado de heteronomia moral (ou seja, da lei externa a si, criada há séculos pelos exploradores dos não-humanos) para o de autonomia moral, de coerência ética.

Educação vegana é formação de uma nova consciência, de um novo olhar e interação com o mundo que nos circunda. É um ensino pautado no respeito aos interesses dos não-humanos em não terem suas vidas abreviadas, em não perderem sua “liberdade ou autonomia para buscar livremente os meios para sua sobrevivência,” em não serem objetos de propriedade dos humanos. Educar para o veganismo é formar uma nova geração livre do especismo, consciente de que cada animal não-humano é um indivíduo e que possui valor em si mesmo, independente da espécie que pertence.

Diferente de várias pedagogias anti-racismo e anti-sexismo que no mundo prático infelizmente não tem suas teses aplicadas como deveriam, a pedagogia anti-especismo da educação vegana é vivenciada diariamente pelos representantes desse novo paradigma educacional. É uma práxis vegana. Quem se propõe educar para o veganismo, vive o veganismo.

Leon Denis
Professor de Filosofia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo,autor do projeto Arte Suave na escola e co-autor do projeto Mens sana in corpore sano, pioneiro no ensino de Direito Animal e Veganismo em escolas públicas no Brasil.
Membro fundador da Sociedade Vegana.












Educar para o veganismo: enfrentar ou recuar?



"Como introduzir o veganismo em sala de aula?"

Essa é a questão que intriga uma grande parcela de docentes do Ensino Fundamental e do Médio após sua adoção do modo de vida vegano.

Tendo sempre como norte a definição e importância desse modo de vida ético para todos os seres vivos do planeta, a pergunta que me intriga sempre é outra: "como não introduzir o veganismo em sala de aula?"

Ao folhear os livros de Ciências do Ensino Fundamental e os de Biologia do Médio vejo o veganismo em todos os capítulos e penso: "Ah, se eu fosse um biólogo". O mesmo acontece ao folhear os livros de Geografia. Que ciência formidável, é possível demolir o especismo, tanto com a geografia física quanto com a humana, em especial a geopolítica. História! E a História? Em todas as culturas, em todas as épocas, a supremacia do antropocentrismo sufocando o legado estrategicamente escondido das vozes dissidentes. Língua Portuguesa, Química, Artes, Educação Física... Filosofia, a disciplina que ministro, essa eu exploro bem.

Acredito que na maioria das vezes a preocupação maior dos docentes veganos não é sobre que material didático usar, porque isso, é "mamão com aveia" (popularmente se diz "mamão com açúcar", mas como não sou simpático ao uso desse doce veneno, fico com a aveia). Pois, mesmo com material não vegano é possível dar uma bela aula sobre os direitos animais1.

É visível que o que mais preocupa os docentes veganos é a reação dos colegas de trabalho, da direção da escola e dos pais após o tema ter sido introduzido em aula. Minha experiência particular mostra que qualquer tentativa, a mais sutil que seja de falar de veganismo nas escolas de nível médio será recebida com hostilidade por parte dos outros professores e com represália da direção e dos pais.

Professores e professoras, se vocês são veganos de fato e têm consciência dos "desafios do modo de vida vegano"2, que magnificamente foram apresentados pela eticista Sônia Felipe no lançamento da Sociedade Vegana, qual o temor? O que lhes falta? Coragem?

Coragem é uma das principais virtudes ensinadas por muitas das artes marciais orientais. Em Jiu-Jítsu, por exemplo, coragem é representada pela "arte de não andar para trás"3. Na edição 157 da Gracie Magazine há um artigo sobre essa arte de não recuar perante um forte oponente ou obstáculo. Vemos uma foto de um encontro entre um cão husky siberiano e um urso negro numa floresta coberta pela neve. Diante desse hercúleo obstáculo o husky, diferentemente do que muitos de nós faríamos, não recua um passo no seu trajeto. Como o bravo husky defronte o urso negro, o docente vegano deve posicionar-se com uma base sólida diante do gigantismo do mundo escolar especista e não recuar no propósito de educar para o veganismo. Veganismo também é um esporte de combate.

No caminho do husky havia um obstáculo, um grande obstáculo. Na longa jornada do educador vegano também sempre haverá grandes obstáculos. Enfrentar ou recuar? Seguir ou andar para trás?

Não defendo o confronto direto com o corpo burocrático, docentes e pais especistas. Não recuar não é bater o pé contra a oposição aberta ou dissimulada deles, mas não recuar no objetivo de passar o veganismo adiante.

Em outra arte marcial, o Judô, aprendemos a usar a força do adversário contra ele mesmo. Quando digo que mesmo com material didático não vegano é possível dar uma boa aula sobre os direitos animais, falo fundamentado nesse princípio judoca. Como ainda não dispomos de livros didáticos de todas as disciplinas revisadas de modo a

adequar seu conteúdo ao veganismo, retirando-lhes todo o conteúdo especista, cabe ao educador vegano usar o especismo dessa disciplina contra ela mesma. Como? Mostrando a gritante contradição e incoerência do discurso e afirmações especistas. O antropocentrismo não se sustenta lógica, biológica e filosoficamente.

O educador vegano não pode recuar diante da repressão do corpo burocrático escolar, representante dos pais e dos docentes esquizofrênicos morais. Represálias, coações e ameaças surgirão. No entanto, se o objetivo é educar para por fim ao biocidio defendido pela incoerente moral tradicional. O educador deve começar a praticar "a arte de não andar para trás". Comece com o que é fundamental: muito conhecimento sobre a filosofia dos direitos animais. O conhecimento traz coragem e segurança. Educar para o veganismo é ter coragem de desfazer primeiro as próprias pregas, rugas e dobras morais que a tradição nos legou. Sócrates chamaria de "conhece-te a ti mesmo"; depois é só mostrar maieuticamente as crianças e adolescentes o caminho do modo de vida eticamente refletido.

Acredito que a pergunta inicial sobre como introduzir o veganismo em sala de aula, foi respondida.

Notas

1. Esse não ter material vegano para usar na escola não se aplica à filosofia, mas as outras disciplinas.

2. FELIPE, Sonia T. "A desanimalização do consumo humano: desafios da ética vegana". In: http://www.sociedadevegana.org

3. NOGUEIRA, Raphael. A arte de não andar para trás. Gracie Magazine, Rio de Janeiro, 157, p.24, mar. 2010.

Leon Denis
Professor de Filosofia da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo,autor do projeto Arte Suave na escola e co-autor do projeto Mens sana in corpore sano, pioneiro no ensino de Direito Animal e Veganismo em escolas públicas no Brasil.
Membro fundador da Sociedade Vegana.