MOÍDOS VIVOS - Campanha denuncia a crueldade por trás da fabricação de maionese

hellmans-592x399
Alface, tomate e alguns pintinhos ao redor. Isso parece formar um bom sanduíche? Se não, pode ser que você queira tirar a maionese, porque a ONG Farm Forward está mostrando a dura realidade que está exatamente por trás da Hellmann’s e da Best Foods. Um novo vídeo produzido pela Farm Forward mostra que para fazer um sanduíche com maionese, os filhotes são moídos vivos.
“Infelizmente, essa é uma prática comum usada por toda a indústria de ovos nos EUA,” explicou Ben Goldsmith, diretor executivo da Farm Forward. Os ovos são encubados e, assim que os filhotes machos nascem, eles são rapidamente descartados justamente por não terem nenhum uso.
Desde que a maionese passou a ter ovos em sua receita, a prática de matar aves com um dia de vida foi adotada por ambas as marcas. Mais de um milhão de pintinhos são mortos todo ano.
A solução é optar por maioneses veganas, sem ovos e livres de crueldade.

Do que é feita a salsicha?


Uma das perguntas mais enigmáticas sobre o que o ser humano consome: do que é feita a salsicha?

No vídeo abaixo você vai acompanhar todo o processo que faz deste um dos “alimentos” mais controversos de todos os tempos. Depois de saber como é feita a salsicha, talvez nunca mais você olhe para o cachorro-quente com os mesmos olhos.


Leia as embalagens das salsichas no supermercado!
Vamos analisar, por exemplo, os ingredientes da Salsicha Hotdog 500g, da Perdigão.
(você pode verificar no site da empresa.)
Carne mecanicamente separada de aves, Carne suína, Água, Carne bovina, Proteína de soja, Sal, Amido, Pimenta, Alho, Regulador de acidez: lactato de sódio (INS325), Aromatizantes: aromas naturais (com pimenta, coentro, noz moscada e antiumectante: dióxido de sílicio (INS551i)) e aroma de fumaça, Estabilizantes: triopolifosfato de sódio (INS451i) e pirofosfato de sódio (INS450i), Conservador: nitrito de sódio (INS250), Realçador de sabor: glutamato monossódico (INS621), Antioxidante: isoascorbato de sódio (INS316), Corantes: ácido carmínico (INS120) e urucum (INS160b). NÃO CONTÉM GLÚTEN.
O último ingrediente destacado, o INS120 (ou corante carmin de cochonilha, ou ácido carmínico) é obtido a patir da trituração de pequenos besouros de origem mexicana. O “caldo” que sobra é um vermelho forte usado por algumas empresas em iogurtes, bolachas, sorvetes e outros alimentos para realçar a cor. Fique ligado!
Há alternativas.
Procure salsichas vegetais, veganas. São muito mais limpas e saudáveis. Você pode continuar com o seu cachorro-quente sem comer esse lixo que é a salsicha tradicional.

Vista-se

AJUDE O INSTITUTO NINA ROSA




Instituto Nina Rosa produz material educativo sobre educação humanitária, defesa animal, consumo sem crueldade e veganismo desde 2000.
 Precisamos atingir a meta de R$ 40.000,00 para custos de novas ilustrações, diagramação, revisão, projeto gráfico e principalmente impressão dos exemplares, além de custear os envios e as recompensas.
Contamos com a sua ajuda e sua divulgação para incentivar jovens e crianças a serem tomadores de decisões conscientes!


O exemplo é a mais poderosa e eficiente abordagem educativa. A Educação Humanitária vem complementar a educação formal oferecida pelas escolas. É uma metodologia que ensina crianças e jovens a serem pensadores críticos e criativos, inspirando respeito e emponderando-os a serem tomadores de decisões conscientes.
A Educação Humanitária aborda valores positivos que, quando internalizados, vão definir as escolhas do indivíduo durante toda a sua vida. É baseada na informação e sensibilização para o despertar da compaixão, solidariedade e ética, contribuindo para uma sociedade mais justa e pacífica.
Com o intuito de preparar as crianças e jovens para este desenvolvimento o Instituto Nina Rosa – projetos por amor à vida lançou este projeto para captar fundos para o lançamento da edição brasileira do livro “So, you love animals” da Zoe Weil, pioneira no campo de Educação Humanitária e cofundadora e presidente do Institute for Humane Education nos EUA.

“So, you love animals” em tradução livre “Então, você ama os animais” ensina crianças e jovens a partir de 9 anos, sobre o que está acontecendo com outras espécies, permitindo-as a abrir o coração sobre a realidade em que eles se encontram.
Contêm informações sobre todos os tipos de animais: de companhia, aqueles usados em entretenimento, alimentação, experimentação e da vida selvagem. É um livro envolvente de aproximadamente 200 páginas que vai ajudar jovens e crianças com fatos, jogos, dramatizações, experiências e atividades emocionantes, capacitando-os a fazer a diferença e a se tornarem mais humanitários.
SAIBA MAIS
http://www.catarse.me/pt/soyouloveanimals



O engodo bem-estarista (Dr. phil. Sônia T. Felipe)


Com certeza, conforme queixa-se um ativista abolicionista logo cedo em sua página, é melhor lidar com os carnistas do que com os bem-estaristas. Concordo. 

Os carnistas não enganam a si mesmos. Elas e eles sabem e admitem que comem carnes e tudo o mais que é tirado dos animais. Comem carne porque foram condicionados a isso, e porque vivem sob a intimidação medicinal de que se não comerem carnes e laticínios não terão as famosas proteínas e o bendito cálcio. Então, seguem essa dieta animalizada por medo de adoecer ou de perder as forças. Vivem aterrorizados com a ideia da abolição desses famosos ou famigerados aminoácidos e minerais que, diga-se de passagem, estão muito e fartamente representados na nossa dieta abolicionista vegana. Mas eles não podem saber disso, porque os meios de comunicação de massa não fazem programas responsáveis para mostrar que há substitutivos vegetais para todos os aminoácidos e minerais (ferro e cálcio), até de melhor biodisponibilidade.

Já os bem-estaristas (pessoas que já estão cientes da dor e do sofrimento dos animais e se dizem condoídas com seu tormento) estão sempre buscando pretextos para se manterem no seu bem-estar dietético, fugindo como dá da decisão abolicionista que afetaria todos os seus manjares feitos com carnes, leite, ovos e mel.

Não bastasse a defesa ferrenha do seu bem-estar e sua posição comodista no que se refere a manter no prato todos os alimentos de origem animal, mesmo sabendo que usar animais como matérias alimentares não é eticamente louvável numa sociedade fartamente suprida de grãos, cereais, frutos, frutas, leguminosas, tubérculos e folhas verdes, ainda por cima usam os animais como máscara para suas ações, dizendo que se preocupam com eles, quando apenas sentem é vergonha de comer suas carnes, leites e ovos, mas os comem alegremente quando veem um rotulozinho escrito "orgânico". Acham que há carne feliz, leite feliz e assim por diante. Não há.

Não existe ovo feliz, carne feliz nem leite ou queijo feliz, a menos que tudo isso seja feito sem passar pelo uso, exploração e morte de qualquer animal.

Pode-se usar a palavra carne para designar a de soja, a de caju ou mesmo qualquer outra matéria sólida, tipo pedaços de coco seco (que costumo comer no almoço, pois sozinho ele tem todos os aminoácidos que formam a base da cadeia proteica), ou outros alimentos que se assemelhem, apenas em sua textura, à carne de animais e requeiram mastigação firme. Queijos podem ser feitos, e já o são, tendo por base os leites vegetais e outras matérias amiláceas, ou como são os queijos veganos (mandioquejo) que fazemos com batata baroa e polvilho, óleo e temperos para compor sabores vários que superam de longe o gosto dos queijos feitos com leite de animais.

Do mesmo modo, não existe batom feliz, shampoo feliz, nem analgésico feliz, se tudo continua a ser testado em animais sempre que apresentar novo ingrediente em sua composição. Nada pode ser produzido tendo por base o bem-estar ou a felicidade de seres sencientes, afetados diretamente pelos testes de toxicidade, mutagenicidade e letalidade.

Não há e nunca haverá bem-estar num ser preso em aparelhos de experimentação, enjaulado em laboratórios, por mais que esses sigam as normas internacionais de manejo. Somos todos animais sencientes. E basta imaginarmo-nos sendo sequestrados e levados para um lugar desses, recebendo doses de tudo que é substância que jamais colocaríamos em nossa pele, boca ou estômago voluntariamente. Mesmo que recebêssemos comidinha balanceada, água e temperatura ambiente invariável (bem-estar), onde estaria o bem que teriam surrupiado de nós ao nos confinar nesse local?

Por que ainda há quem pense que falar do bem-estar animal é defender os interesses dos animais? Não é. Quando alguém defende o bem-estarismo está a defender seu bem-estar, esse conforto de continuar com a díaita (palavra grega que designa modo de viver) que não requer a abolição de nenhum uso dos animais para seu benefício, mas inventa a história de que se os animais forem "bem tratados" está tudo legal. Pode estar legal. Aliás, o que não nos faltam são leis bem-estaristas, justamente porque elas não abolem nada, só legalizam, legitimam, reforçam o uso dos animais para tudo que é finalidade. Enfim, a pessoa pode achar legal. Mas não é ético. Nenhum animal nasce para servir a qualquer propósito humano a não ser que o propósito dessa vida seja o de uma vida humana. Então os outros animais que não nascem na configuração humana devem ficar de fora, em paz.

Só os cházinhos da vovó eram felizes e curavam praticamente tudo: de indigestão à insônia, sem jamais terem sido testados em animais. E vovó usava batom, maquiava-se, usava talcos (a que tive a alegria de conhecer nasceu em 1891) e perfumes. E tudo isso jamais havia sido testado em animais. Não se pensava em por substâncias tóxicas em nada que fosse para aplicar no corpo. E quando uma pessoa tinha reação de vermelhidão ou coceira, ela não usava aquele produto e pronto. Hoje, mesmo com milhões de animais sendo mortos para testagem de tudo o que se inventou para maquiar a cara humana, ainda há reações alérgicas e a pessoa também tem que parar de usar aquele produto.

Então, os testes devem sim, ser feitos caso a caso. E para isso não precisa prender as mulheres ou homens em um laboratório, nem forçá-los a ingerir quantidade imensas dos ingredientes tóxicos ou passar esses produtos ou ingredientes nos olhos deles a ponto de deixá-los cegos.

Cada loja deveria ter um testador disponível para cada produto final vendido ali. E se eu quiser um produto, passo lá, uso uma gota dele na pele atrás da orelha (aprendi isso no consultório de uma dermatologista, quando lhe disse que desde há vinte anos nunca usei o tal do filtro solar porque quando o apliquei pela primeira vez tive alergias feias no rosto) e sigo para o cinema, para as compras ou para um lanche. Se não houver reação alérgica nos próximos minutos ou horas, provavelmente esse produto é tolerado por minha pele. Volto no dia seguinte e o compro.

E quanto a substâncias venenosas que poderiam causar estragos fatais no médio e longo prazo? Minha pergunta é: diante das centenas de milhares de ingredientes já conhecidos e testados, por que pensar que precisamos de um tão venenoso que possa produzir câncer? Para quê? Para exibir um tom falso de pele, de lábios, de cílios?

Ora, os animais não têm nada a ver com essas vaidades humanas. Então, quem precisa muito e quer muito usar substâncias esdrúxulas em sua pele, que as aplique por conta e risco, que se ofereça como cobaia das grandes indústrias para testagem dessas substâncias potencialmente tóxicas ou lesivas.

E bem-estarista acha que testando tudo isso nos olhos, pele e estômago dos animais é algo que possa ser feito mantendo o bem-estar do animal. Não é. Só mantém o bem-estar da consciência da consumidora ou do consumidor, que compra tudo isso sem pensar na agonia pela qual os animais passaram para produzir tanta futilidade.

Do mesmo modo que não haverá fim da caça ao elefante (por conta do marfim), enquanto não houver o fim da compra de qualquer joia ou objeto feito com o marfim, a vivissecção não acabará enquanto as pessoas não se conscientizarem de que não é ético manter um papo bem-estarista para justificar o consumo de produtos de beleza ou de higiene que acarretam dor, sofrimento e extermínio de todos os animais usados longe das nossas vistas para testagem.

Se abolirmos o consumo de tudo que é cosmético testado em animais, as empresas logo logo adotarão testagens não animalizadas em cada um desses produtos. Mas, enquanto houver consumidora comprando inconscientemente tudo isso, elas sempre farão corpo mole na busca de métodos substitutivos ao uso de animais para testagem de produtos de todo tipo. Pare a compra. As empresas se moverão. Continue comprando. As empresas se acomodarão. Simples assim. É assim que funciona. Cada um busca o seu bem-estar. E os animais não têm proveito algum do bem-estar nosso.


__________________________________________________________________

Sônia T. Felipe | felipe@cfh.ufsc.br
Sônia T. Felipe, doutora em Teoria Política e Filosofia Moral pela Universidade de Konstanz, Alemanha (1991), fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência (UFSC, 1993); voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis (1998-2001); pós-doutorado em Bioética - Ética Animal - Univ. de Lisboa (2001-2002). Autora dos livros, Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais (Boiteux, 2003); Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2006); Galactolatria: mau deleite (Ecoânima, 2012); Passaporte para o Mundo dos Leites Veganos (Ecoânima, 2012); Colaboradora nas coletâneas, Direito à reprodução e à sexualidade: uma questão de ética e justiça (Lumen & Juris, 2010); Visão abolicionista: Ética e Direitos Animais (ANDA, 2010); A dignidade da vida e os direitos fundamentais para além dos humanos (Fórum, 2008); Instrumento animal(Canal 6, 2008); O utilitarismo em foco (Edufsc, 2008); Éticas e políticas ambientais (Lisboa, 2004); Tendências da ética contemporânea (Vozes, 2000).
Cofundadora da Sociedade Vegana (no Brasil); colunista da ANDA (Questão de Ética) www.anda.jor.br; publica no Olhar Animal (www.pensataanimal.net); Editou os volumes temáticos da RevistaETHIC@,www.cfh.ufsc.br/ethic@ (Special Issues) dedicados à ética animal, à ética ambiental, às éticas biocêntricas e à comunidade moral. Coordena o projeto: Ecoanimalismo feminista, contribuições para a superação da discriminação e violência (UFSC, 2008-2014). Foi professora, pesquisadora e orientadora do Programa Interdisciplinar de Doutorado em Ciências Humanas e do Curso de Pós-graduação em Filosofia (UFSC, 1979-2008). É terapeuta Ayurvédica, direcionando seus estudos para a dieta vegana. 


Não temos que "andar pelados", nem "comer folha de alface" por sermos veganos! (Dr. phil. Sônia T. Felipe)


Ontem postei um vídeo mostrando a tosquia de ovelhas para extração da lã que cobre e protege seus corpos. Alguns comentários ensejam o texto de hoje.

E quanto aos comentários "agora vou ter que andar pelado", se nem lã posso continuar a usar, realmente, poupe-me! Há centenas de tecidos e materiais compostos sem derivados de animais. E eles são muito mais confortáveis e higiênicos do que a lã animal.

Se alguém acha ainda que dependemos da lã das ovelhas para nos aquecer, está muito atrasado. Está tão atrasado no conhecimento do que existe no nosso tempo que precisa fazer algumas paradas de leitura antes de prosseguir sua biografia.

Seguir pensando que tem os mesmos limites que os seus bisavós tiveram, em um tempo onde não tinha nada a não ser o corpo do outro animal para aquecer os humanos, é andar literalmente para trás e querer ser "tataravô de si mesmo", quer dizer, pensar com a cabeça limitada de quatro gerações antes da atual.

Isso vale para "vestir lã de ovelhas", "comer carnes", "ingerir laticínios". Tem gente que nasce em um tempo que lhe dá toda liberdade para se livrar do peso moral de ser injusto com os outros animais, mas escolhe exatamente continuar a ser isto: injusto. Escolhe. Não é forçado não. Escolhe. E quer ser estimado por sua escolha, pois acha que essa escolha é a única forma de "honrar a tradição". Há tradições que são verdadeiras "traições" dos humanos para com os animais.

Nossos avós, bisavós e tataravós foram forçados pela miséria do seu tempo a fazer essas coisas. Mas o trabalho deles, a inteligência deles nos deixou como legado o conhecimento dos alimentos ricos em proteínas, minerais e vitaminas, todos de origem vegetal, que nos fazem dispensar o consumo de alimentos animalizados. O trabalho das gerações anteriores e também os da nossa própria geração inventou tecidos para agasalhar e aquecer que nunca antes na história humana haviam sido inventados.

E tudo isso existiria para que nos fixemos nos padrões morais antigos, do tempo em que não havia "escolha" possível, nem para comer, nem para se divertir, nem para se vestir ou enfeitar-se?

Nossa responsabilidade, hoje, advém justamente da "liberdade para escolher". E ela não nos diz que se a temos então devemos seguir "vivendo como os nossos pais", porque então não fazemos uso da liberdade de escolha, seguimos uma moral imposta por eles a nós.

A liberdade nos diz que se não escolhemos o que poupa outros animais da dor e do sofrimento, respondemos por essa dor, tormento e morte deles em nossas biografias. A liberdade não é fazer só o que queremos, muito menos fazer com prazer o que nos condicionaram a fazer. É também fazer o que devemos. E devemos aos animais a libertação do jugo ao qual os condenamos.

Se não tivéssemos recursos para seguir uma dieta vegana saudável, nos vestirmos sem causar danos ou roubar dos animais o que o corpo deles produz para eles, e nos divertirmos sem usar seres inteligentes de outras espécies como objetos dessa diversão, então estaríamos em uma era bem escura, fria, miserável e moralmente limitada, como o foi a dos nossos antepassados. O fato é que não estamos nessa era. E somos a primeira geração da era na qual essa verdade veio à tona.

Não temos mais desculpas para seguir fazendo aos animais o que vimos fazendo há milênios. A era da escassez material acabou. Não se justifica mais agora a mesquinharia moral. Estamos na era do desperdício, da mesquinharia moral. Desperdiçamos nossa oportunidade de nos tornarmos éticos em relação aos seres que não podem se defender de nossas ações. E desperdiçamos as vidas de trilhões de animais, com nossa voracidade de tomar de seus corpos, vivos ou mortos, tudo, tornando tudo isso mera mais-valia, como se fôssemos os únicos seres dignos do sopro do viver. Não somos.
http://peta.vg/1gnn



________________________________________________________________________________

Sônia T. Felipe | felipe@cfh.ufsc.br
Sônia T. Felipe, doutora em Teoria Política e Filosofia Moral pela Universidade de Konstanz, Alemanha (1991), fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência (UFSC, 1993); voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis (1998-2001); pós-doutorado em Bioética - Ética Animal - Univ. de Lisboa (2001-2002). Autora dos livros, Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais (Boiteux, 2003); Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2006); Galactolatria: mau deleite (Ecoânima, 2012); Passaporte para o Mundo dos Leites Veganos (Ecoânima, 2012); Colaboradora nas coletâneas, Direito à reprodução e à sexualidade: uma questão de ética e justiça (Lumen & Juris, 2010); Visão abolicionista: Ética e Direitos Animais (ANDA, 2010); A dignidade da vida e os direitos fundamentais para além dos humanos (Fórum, 2008); Instrumento animal(Canal 6, 2008); O utilitarismo em foco (Edufsc, 2008); Éticas e políticas ambientais (Lisboa, 2004); Tendências da ética contemporânea (Vozes, 2000).
Cofundadora da Sociedade Vegana (no Brasil); colunista da ANDA (Questão de Ética) www.anda.jor.br; publica no Olhar Animal (www.pensataanimal.net); Editou os volumes temáticos da RevistaETHIC@,www.cfh.ufsc.br/ethic@ (Special Issues) dedicados à ética animal, à ética ambiental, às éticas biocêntricas e à comunidade moral. Coordena o projeto: Ecoanimalismo feminista, contribuições para a superação da discriminação e violência (UFSC, 2008-2014). Foi professora, pesquisadora e orientadora do Programa Interdisciplinar de Doutorado em Ciências Humanas e do Curso de Pós-graduação em Filosofia (UFSC, 1979-2008). É terapeuta Ayurvédica, direcionando seus estudos para a dieta vegana. 


"Livre de crueldade", a migalha de um direito que deve ser integral, à vida . Por Dr. phil. Sônia T. Felipe



Sobre a expressão "cruelty free" (livre de crueldade) ainda tenho o que escrever. Aqui antecipo apenas que essa expressão não quer dizer que o produto seja vegan, ou, usando o conceito ético, abolicionista. 

Cruelty free está longe de ser um produto sem uso de ingredientes de origem animal, sem exploração do animal, sem morte do animal. Pense bem e profundamente no que isso significa. Esse é outro nó no rolo de arame farpado da luta abolicionista.

Por isso que conceitos bem-estaristas nunca nos levarão à abolição animalista. Se pensamos com meios-termos, temos um resultado pífio, sempre.

E os animais estão cansados de afirmarmos que é melhor que eles tenham nossas migalhas, do que nada. Não se trata de dar migalhas, fazer miseráveis concessões a eles. Eles têm tanto direito ao direito integral à vida e à liberdade que seu tipo específico de vida requer, quanto nós o temos. Há migalhas que não fazem a menor diferença para o resultado final, a derrota, por exemplo. Basta pensar no 7 x 1 da Alemanha contra o Brasil, no último dia 8 de julho 2014. Quem acha que aquele unzinho miserável resulta em algum benefício para a seleção brasileira?

Proibir os mercadores de açoitar os afrodescendentes no Pelourinho jamais levou à libertação desses seres humanos. Não vamos iludir as pessoas de que nossas migalhas para os animais já lhes bastam.

Quem se contenta com migalhas, que as aplique sobre si mesmo, e então me diga se está feliz com a migalha que merece. Os animais não merecem migalhas. Merecem tudo. Como nós. E já nos falta muito perdão com tanta lei faz de conta que consideramos uma "maravilha" para eles.

Queria ver as pessoas no lugar dos animais para medir seu "grau de satisfação" com leis meia-boca, caso elas fossem inventadas por seres com poderes e artimanhas para nos pegar e submeter a testes tóxicos, dolorosos e letais de todo tipo. É muito fácil se achar bonzinho com tamanho cinismo e mesquinharia. Vamos parar de afirmar que é "melhor a migalha" do que "nada"?

Fui outro dia a uma loja famosa, Cruelty Free, cuja proprietária morreu há uns dois anos, de câncer. Bem, ela foi a primeira, se não estou mal informada, a abrir uma linha de produtos cruelty free no mundo: Body shop.

Li os ingredientes de quase todos produtos expostos, buscando algo que fosse vegano. Não encontrei. Tudo ou quase tudo continha derivados de animais. Dizem que o leite de cabra usado é de "cabras felizes". Queria ver mulheres sendo ordenhadas por uma indústria que usasse o leite delas para fazer cosméticos, e então medir seu "grau de satisfação" com a ordenha "feliz".

O ser humano aplica conceitos aos animais que não aplicaria para si mesmo. É preciso sair dessa dormência moral, desse "sono em berço esplêndido"... o prejuízo está cada vez maior, 7 x 1 contra os animais. E o 1 está sendo apregoado como "ganho" para os animais. Já escrevi: o bem-estarismo nada mais faz do que manter as pessoas no conforto do seu bem-estar consumista de tudo o que é produzido à custa dos animais, seja com gozo em lhes causar dor (algo que realmente só os piscopatas sentem), seja sem gozo na dor que causam a eles.

Portanto, quase todos os produtos são produzidos sem "crueldade", porque esse conceito é subjetivo e diz respeito não ao que o animal sofre, mas ao sentimento de quem o machuca.





Sônia T. Felipe | felipe@cfh.ufsc.br
Sônia T. Felipe, doutora em Teoria Política e Filosofia Moral pela Universidade de Konstanz, Alemanha (1991), fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência (UFSC, 1993); voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis (1998-2001); pós-doutorado em Bioética - Ética Animal - Univ. de Lisboa (2001-2002). Autora dos livros, Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais (Boiteux, 2003); Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2006); Galactolatria: mau deleite (Ecoânima, 2012); Passaporte para o Mundo dos Leites Veganos (Ecoânima, 2012); Colaboradora nas coletâneas, Direito à reprodução e à sexualidade: uma questão de ética e justiça (Lumen & Juris, 2010); Visão abolicionista: Ética e Direitos Animais (ANDA, 2010); A dignidade da vida e os direitos fundamentais para além dos humanos (Fórum, 2008); Instrumento animal(Canal 6, 2008); O utilitarismo em foco (Edufsc, 2008); Éticas e políticas ambientais (Lisboa, 2004); Tendências da ética contemporânea (Vozes, 2000).
Cofundadora da Sociedade Vegana (no Brasil); colunista da ANDA (Questão de Ética) www.anda.jor.br; publica no Olhar Animal (www.pensataanimal.net); Editou os volumes temáticos da RevistaETHIC@,www.cfh.ufsc.br/ethic@ (Special Issues) dedicados à ética animal, à ética ambiental, às éticas biocêntricas e à comunidade moral. Coordena o projeto: Ecoanimalismo feminista, contribuições para a superação da discriminação e violência (UFSC, 2008-2014). Foi professora, pesquisadora e orientadora do Programa Interdisciplinar de Doutorado em Ciências Humanas e do Curso de Pós-graduação em Filosofia (UFSC, 1979-2008). É terapeuta Ayurvédica, direcionando seus estudos para a dieta vegana. 

CILADA - Brasil vai validar métodos alternativos ao uso de animais em pesquisa

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea) publicou nesta sexta-feira (4), no Diário Oficial da União, resolução normativa que reconhece no país métodos alternativos ao uso de animais em pesquisas científicas.
A intenção principal é reduzir a quantidade de diferentes espécies de animais usadas como cobaias em laboratórios.
A medida acontece nove meses depois que dezenas de ativistas invadiram o laboratório do Instituto Royal e levaram vários animais do complexo, alegando maus-tratos em experimentos.
Segundo o texto do D.O., é considerado alternativo “qualquer método que possa ser utilizado para substituir, reduzir ou refinar o uso de animais em atividades de pesquisa”.
A resolução categoriza os procedimentos alternativos em "validados", quando há reconhecimento internacional, e "reconhecidos", quando recebem a aprovação do Concea.
O órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia é o responsável por regulamentar experimentos com animais no país.
A normativa informa ainda que as instituições interessadas em validar métodos alternativos ao uso de animais terão que estar associadas à Rede Nacional de Métodos Alternativos e que os procedimentos terão de ser reconhecidos pelo Concea, com a ajuda de estudos colaborativos internacionais “publicados em compêndios oficiais”. 
A aprovação deverá ocorrer em plenárias promovidas pelo Conselho e, após o reconhecimento, as instituições terão até cinco anos para substituir o método original pelo alternativo.
O Brasil não possui hoje um órgão para validar métodos alternativos ao uso de animais em pesquisas científicas, apesar de ser proibido por lei o uso de animais quando há outros meios de se chegar ao mesmo resultado.
Em março, o plenário do Concea decidiu que ocorrerá a substituição progressiva por métodos alternativos que começarão a ser validados no Brasil.
Lei de Acesso à Informação

Um relatório do governo obtido pelo G1 por meio da Lei de Acesso à Informação mostra ainda que, apesar de 230 instituições possuírem autorização para utilizar animais, apenas dez entidades buscam alternativas a esses métodos. São os dados mais recentes de que o governo dispõe no Concea em questionário realizado entre outubro e novembro de 2012.
Segundo o conselho, realizam pesquisas alternativas o Instituto Butantan (SP), Universidade Federal do Paraná (UFPR), Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (USP/RP), Instituto Adolfo Lutz, Fiocruz (BA), Instituto Sírio Libanês, Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo do Campus de Ribeirão Preto (FCF-USP-RP), Fort Dog Saúde Animal, Laboratório Nacional de Biociência (LNBio) e Centro de Pesquisa Ageu Magalhães --as quatro primeiras também realizam pesquisas com animais.
Métodos alternativos disponíveis

- Medicamentos e cosméticos na pele
Testes que buscam identificar a ação de medicamentos ou produtos cosméticos na pele ou nos olhos já possuem métodos validados que substituem o uso de animais.
Para avaliar a irritação cutânea e a corrosividade de determinada substância em contato com a pele, não são mais necessários testes que expõem coelhos ou outras cobaias ao produto. Esses estudos podem ser feitos em pele humana reconstituída, ou seja, tecidos produzidos em laboratório por meio de cultura de células.

A aplicação desse método ainda apresenta um obstáculo no Brasil: o material utilizado na produção da pele reconstituída é importado e tem validade de apenas uma semana.
- Temperatura
De acordo com a organização britânica “Fundo para a Substituição de Animais em Experimentos” (Frame, na sigla em inglês), outro teste alternativo disponível é o que avalia se determinado produto é capaz de provocar o aumento da temperatura corporal. Se antes a única possibilidade era o uso de coelhos, hoje existe uma tecnologia para realizar esse experimento no sangue de voluntários humanos.
Ainda segundo a Frame, testes de fototoxicidade, que verificam se o produto torna-se prejudicial quando a pele é exposta ao sol, também podem ser feitos sem o uso de cobaias vivas. Nesse caso, uma cultura de células de camundongos é exposta ao produto e à luz ultravioleta.
- Testes virtuais
Modelos computacionais também podem substituir animais em testes para verificar a toxicidade de uma substância ou de que maneira ela será metabolizada pelo organismo. Isso pode ser feito pela análise de moléculas por programas de computador que permitem compará-las com dados referentes a outras moléculas.
Alternativas ainda mais ambiciosas, como a simulação do funcionamento de um órgão completo, estão em desenvolvimento pelo "Instituto Wyss de Engenharia Inspirada pela Biologia", ligado à Universidade de Harvard. O instituto desenvolve microchips capazes de simular a reação dos órgãos humanos a determinados produtos ou microorganismos. Segundo Presgrave, porém, a alternativa ainda não está disponível no país.

G1
Nota
Temos visto muitas pessoas comemorarem esta notícia, e fazem isso sem saber que a Resolução do CONCEA vem para reforçar o retrocesso proposto pelo PL 6602/13, que foi prometido pelo autor como o fim dos testes em animais para cosméticos e acabou sendo o projeto de lei que regulamenta o sofrimento imposto aos animais, além de extender esse sofrimento por cinco anos após o reconhecimento de CADA tecnica alternatica, O QUE HOJE É CRIME de acordo com a Lei de Crimes Ambientais.
Saiba mais aqui