Veganos: um basta ao consumo animal


Na mesa do café da manhã do administrador de empresas Vladimir Ferreira, 32 anos, geralmente estão pão integral com melado de cana ou tomate seco com patê de tofu, suco ou chá. No almoço, arroz integral e feijão, tofu grelhado, batata frita, refogado de legumes com PVT (proteína de soja granulada) e polenta ao sugo. "De verdura eu só como espinafre de vez em quando e gosto muito de couve de bruxelas. Também como quase todo dia macarrão ou lasanha ao sugo, com PVT e brócolis, e de sobremesa, à noite, duas ou três frutas", acrescenta Vladimir, que faz parte do grupo dos veganos há 10 anos.

Diferente do vegetariano, que só consome produtos de origem vegetal, o vegano é aquele que não come carne e nenhum produto de origem animal, como peixes, mariscos, ovos, leite e laticínios. A indústria do vestuário (peles, couro e camurça) também é excluída da vida do vegano, conforme explica Vladimir. "Os veganos boicotam, ainda, a exploração de animais em experiências de laboratórios, nas aulas de vivissecção e no entretenimento humano em circos, zoológicos e rodeios", completa ele, que também é estudante de alquimia e de medicina natural.
Antes de se tornar vegano, Vladimir era vegetariano convicto. "Cresci com a ideia de que podia viver bem sem comer carne e, assim, não patrocinava o sofrimento dos animais nos abatedouros. Eu sempre ouvia falar dos veganos, mas não entendia o porquê deste extremismo. Achava meio absurdo. Quando a internet se popularizou e tive mais acesso à informação descobri que a exploração dos animais vai muito além da carne", comenta. O administrador relata que demorou um pouco para se adaptar ao veganismo, mas conseguiu. "Foi aí que surgiu aquela vontade de fazer algo pelos animais e achei que divulgar a informação era o melhor caminho. Então criamos um site (www.veganos.org), com informações básicas, no qual vendemos camisetas, na esperança de divulgar o veganismo no Brasil."

Vladimir ainda acrescenta que há vários grupos veganos no País, alguns ligados a ONGs, outros atrelados a escolas religiosas e outros ligados à ALF (Animal Liberation Front). "Na cidade de São Paulo, somos um grupo pequeno e independente, com cerca de 15 pessoas. Nosso trabalho se dá principalmente com a venda de camisetas e fazemos, eventualmente, palestras em escolas e centros comunitários sobre o veganismo", ressalta. Segundo ele, os grupos convergem para um mesmo objetivo: o de abolir a exploração dos animais - sejam os de consumo, sejam os utilizados em pesquisas ou em entretenimento.  

Sofrimento animal - Para Vladimir, o veganismo é uma postura ética pessoal, baseada na não-exploração de todos aqueles que são capazes de sofrer e ter emoções. "Em geral, todos pedimos e lutamos por justiça e agimos com a filosofia de respeitar o próximo. No entanto, se pensamos um pouco no que fazemos aos animais, podemos concluir que tudo o que não desejamos para nós, praticamos contra eles: aprisionamento, tortura, exploração e extermínio cruel", analisa. "Se não fazemos isso diretamente, pagamos para alguém fazê-lo, quando vamos ao mercado ou ao açougue e compramos carne. Os veganos descobriram uma coisa óbvia: somos nós, consumidores dos produtos de origem animal, que patrocinamos todo o sofrimento dos animais nos matadouros e fazendas de criação pelo mundo", destaca Vladimir.

Para ele, há condições de ter uma vida saudável no Brasil, sem que seja preciso o consumo animal. "Não acho justo um animal morrer em desespero pra nos alimentar", justifica. No próximo dia 1º de novembro será comemorado o Dia Mundial do Vegano. Em São Paulo ocorrerão passeatas, exibição de vídeos sobre o veganismo na Avenida Paulista, oficina de capacitação de voluntários e festival de cinema em Curitiba, cujo tema é "Libertação dos Animais".

Por Paula Mestrinel Jornal de Jundiaí

Que mundo mostramos às crianças?



Quando passeio pelas estantes da seção infantil das livrarias, ou me ligo nos programas matutinos da TV aberta, ou mesmo quando passo na frente das lanchonetes fast-foods espalhadas pelos shopping-centers, sempre me vem a seguinte pergunta: “Que mundo estamos mostrando às crianças? Estamos ensinando às nossas crianças o respeito, a tolerância, a compaixão?” Talvez o leitor tente responder ao final desse texto. 

Os livros infantis, por exemplo, estão cheios de lições que acreditamos estar passando aos pequenos leitores. O porquinho age, pensa e fala como um ser humano, vive em uma casa com móveis, usa o computador, faz suas refeições à mesa e anda sobre dois pés, exatamente como um ser humano. Esse porquinho, não raras vezes, pode atender pelo sugestivo e “criativo” nome de Bacon, Torresmo ou algo parecido. Esse animal, que de não humano só tem mesmo a aparência, vem falar aos nossos filhos sobre como viver melhor em sociedade.

Alguns educadores podem alegar que esses personagens fazem parte do universo infantil e que elas se veem retratadas nesses personagens. Pode ser, mas será que esses seres sem espécie ajudam a criança a perceber algo de positivo sobre os animais não humanos? É evidente que não, pois colocam o leitor muito distante das características verdadeiras desses animais. Para a criança, o porquinho que ela viu na história hipotética que citei não é o mesmo que vive no chiqueiro, se chafurda na lama e muito menos o porquinho que ela come no jantar. Este, talvez, ela nunca tenha visto.

Se apresentarmos às crianças os animais, sejam eles humanos ou não, com suas características próprias, formaremos adultos mais respeitosos para com todas as espécies. Precisamos mostrar às nossas crianças que, apesar de não sermos todos iguais em aparência, necessidades, gostos, linguagem e tantas outras coisas, somos todos merecedores de respeito e iguais em nosso direito e vontade de viver. 

Da forma como muitas histórias são colocadas, me parece que ensinamos justamente o contrário. Estamos formando indivíduos especistas que só veem as características humanas como merecedoras de respeito. 

Se sairmos um pouco da literatura e passarmos por outros caminhos, vamos perceber muitos outros absurdos. São ursos tomando refrigerante, o frango sentado à mesa saboreando um ser de sua própria espécie, a vaquinha falando sobre como é gostosa sua própria carne e por aí vai…

Quando essas crianças crescerem e se tornarem adultas, é muito provável que continuarão a não conhecer e a não respeitar as características dos animais e elas passarão isso a seus filhos e assim infinitamente. Até quando? Enquanto o boizinho da história for um humano com cara de boi e a galinha fizer tricô segurando perfeitamente as agulhas em suas asas em forma de mãos, estaremos ensinando valores equivocados sobre os animais. 

Até mesmo histórias consagradas como verdadeiros ícones da causa animal como A fuga das galinhas e Procurando Nemo entram nessa lista de equívocos. Mas vamos analisá-los oportunamente em outro artigo.

Claro que existem também muitos exemplos positivos de como mostrar o verdadeiro valor da vida de todos os seres para as crianças e os jovens e pretendo analisá-los nesta coluna também. Por enquanto, fica a pergunta que não vai calar nunca em minha cabeça: “Que mundo estamos mostrando para as crianças e para os jovens? Que indivíduos estamos formando? Pessoas respeitosas ou egoístas? Que veem dignidade em todos os seres ou somente no que lhes são iguais? Afinal, em que universo colocamos as crianças?”. 

Texto de Luciene Cardoso 

É fácil ser vegan!

Pode levar algum tempo para se acostumar com as mudanças da dieta vegan, explorar novos alimentos e desenvolver sua rotina. Felizmente, hoje em dia há abundância de opções vegans prontas no mercado: várias marcas de leite vegetal fortificado, pratos prontos congelados ou enlatados, hamburgers, salsichas, linguiças, almôndegas, margarinas, queijos, patês, maioneses, salgadinhos de pacote, irresistíveis sobremesas como chocolates, sorvetes, chantilis, creme de leite de soja, doce de leite, iogurtes, biscoitos, você escolhe!

Com as substituições adequadas, você descobre que ainda pode desfrutar de suas refeições favoritas: adaptar receitas de família torna-se fácil com a proteína de soja e o glúten, feitos em casa ou comprados prontos. Explore sites de receitas veganas na internet, utilize essa preciosa ferramenta e aproveite para fazer novas amizades e abrir seus horizontes.

  
Há muitas coisas que podemos fazer para tornar o mundo um lugar melhor, e com certeza o veganismo é a maneira mais maravilhosa para contribuir várias vezes ao dia. Não se trata de perfeição ou tentar ser melhor do que os outros, e sim o melhor que podemos ser em nós mesmos, reduzindo ao máximo possível o sofrimento animal. O boicote às indústrias ou a qualquer comércio que explore o sofrimento animal é uma escolha inteligente, associado ao ato de levar essa informação adiante. 

Fazer escolhas é a afirmação definitiva da nossa humanidade, enquanto nessa condição devemos utilizá-la, lembrando que para os animais só importam as coisas que fazemos. 


Seja vegan hoje!


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É suficiente apenas deixar de comer carne?


Se você quer respeitar os animais e decidiu não comer apenas carne, mas tolerar resíduos como queijo e ovos, está sendo incoerente. O animal de indústria vai ser morto ali dentro de qualquer jeito, e morre exausto pela exploração de uma vida inteira. 

A vaca leiteira, por exemplo, é inseminada artificialmente a vida inteira (sem filhos = sem leite) e seus filhotes são abatidos aos 3 meses como vitela/baby beef, e ao final de uma vida inteira de exploração, quando baixa sua produção leiteira, a vaca é mandada para o abatedouro do mesmo jeito. 

As galinhas poedeiras (que põem ovos) passam a vida presas em gaiolas, e no final, o destino também é o abatedouro. É bem pior ser fêmea, o sofrimento é maior do que simplesmente ser assassinada.

Quando se trata de indústria, tudo é feito visando um único objetivo: lucro. Animais são vistos como máquinas, a produção não pode parar: hormônios são injetados para acelerar o crescimento, antibióticos indiscriminadamente utilizados para conter doenças num ambiente caótico lotado de animais pressentindo a morte, e tudo isso vai para dentro do organismo de quem consome os cadáveres ou subprodutos feitos a partir de secreções dos corpos de animais. Conforme Dicionário Michaelis: "cadáver: sm (lat cadaver) 1 Corpo humano ou animal após a morte." 

Nada disso é necessário, se você não quiser. Que sentido tem em se alimentar assim, só porque você não vê o que acontece antes com sua comida? Pessoas que trabalham em ambientes assim são as que mais procuram ajuda psicológica/psiquiátrica, uma vez que são dessensibilizadas pelo sistema. Os consumidores também estão dessensibilizados, deixando-se levar pela propaganda da indústria da carne e pela velha cultura de que carne é bom. Carne não é bom nem para nós, nem para os animais. 

Depende de cada um a mudança no mundo, afinal, quando não houver mais procura, não haverá mais oferta. 


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O que é veganismo?


Veganismo é um estilo de vida em respeito aos animais. 


Assim, um vegan:

  • não come alimentos de origem animal, carnes de todas as cores e tipos, ou que contenham qualquer resíduo: leites, queijos, salsichas, ovos, mel, banha, manteiga, etc;
  • não veste roupas ou sapatos feitos de animais: couro, seda, lã, etc;
  • evita o consumo de cosméticos e medicamentos testados em animais ou que contenham componentes animais na formulação: sabonetes feitos de glicerina animal, maquiagem contendo cera de abelha, xampu com tutano de boi, etc;
  • não apóia diversões contendo exploração animal, como rodeio, circo com animais, rinhas, etc;
  • profissionalmente não trabalha com exploração animal (vivo ou morto), como venda de animais em pet shop, lojas de aquário ou gaiolas para passarinhos, venda de qualquer produto que contenha derivado animal (p.ex. bolsas e sapatos de couro), restaurante que utilize animais ou seus resíduos corporais como comida, dentre outras atividades.

O vegano leva sua vida normalmente, com a diferença de pensar antes nos animais em todas as escolhas, e faz isso unicamente em respeito a eles. É fácil ser vegan! (obs: vegan lê-se vígan, ou aportuguesado: vegano)


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“Noé” mostra um ativista vegano como protagonista

1 Em cartaz nos cinemas e cercado de polêmica, “Noé” mostra um ativista vegano como protagonista

Foi lançado nos cinemas brasileiros, na quinta-feira (3), a mais recente versão cinematográfica da clássica história de Noé, personagem bíblico que construiu uma arca para salvar a criação divina de um mundo devastado pela violência entre os homens.
O filme é cercado de polêmicas, já que em alguns países a história apresentada pelo diretor Darren Aronofsky foi considerada muito diferente do que a que está na Bíblia, mesmo meses antes da estreia.
Em passagem pelo Brasil há algumas semanas durante as divulgações do novo filme, o ator e ganhador do Oscar Russel Crowe revelou o que todo ativista pelos Direitos Animais gostaria de ouvir a respeito do longa: “Eu entendo a decisão do diretor de não usar bichos de verdade. Ele é vegetariano e um ativista pela proteção dos animais.” – disse. Crowe é quem dá vida ao personagem central do enredo.
Sabendo que o diretor Darren Aronofsky se importa com a causa animal a ponto de proibir o uso de animais verdadeiros nas filmagens, fiquei muito ansioso pela estreia e fui conferir logo no primeiro dia. Utilizar animais para o entretenimento é uma prática condenada por ONGs do mundo todo há décadas e grandes produções do cinema têm mostrado que é perfeitamente possível fazer cinema sem explorar animais para isso.
Assistindo ao filme pude entender por que ele é tão polêmico. Em vários momentos da trama fiquei em dúvida se o que estava na tela era mesmo uma reprodução fiel de uma história épica ou se era uma versão moderna e metafórica, cheia de efeitos visuais. “Noé” é tudo isso e mais um pouco.
O diretor Darren Aronofsky mostra Noé como um homem justo e sábio, mas também falho e repleto de dúvidas sobre suas decisões. Há momentos em que pensei que o filme descambaria para um Noé completamente insano, mas tudo tinha um propósito e as conclusões do filme ficam mesmo para os últimos segundos.
Fica evidente que Noé e sua família não se alimentavam de nada que venha de animais e condenavam isso, comentando quão estranho é consumir corpos de animais, em uma das cenas. Noé tem uma postura ética em relação aos animais e assume a incumbência de zelar por eles. Ele aparece como um dedicado protetor de todas as espécies de animais, disposto a lutar até a morte contra os homens que querem comer a carne deles, se preciso.
Em um dos momentos mais envolventes - e polêmicos - da história, fica nas mãos e no coração de Noé a decisão de dar continuidade à vida humana na Terra ou deixar que apenas outros animais e plantas aqui permaneçam.
“Noé” é um longa grandioso, intenso, com bela fotografia e, sobretudo, poético e carregado de metáforas sobre a sociedade moderna. Não é um filme indicado apenas para religiosos e merece ser visto no cinema, em tela grande.

ONU proíbe Japão de caçar baleias na Antártida


A mais alta corte das Nações Unidas concluiu ontem que a caça de baleias praticada pelo Japão não tem finalidades científicas, como o país defende, e ordenou a suspensão imediata dessa atividade ao redor da Antártida - principal área de caça dos navios japoneses. Em uma votação por 12 a 4, o Tribunal Internacional de Justiça em Haia (Holanda) decidiu que as permissões de caça emitidas pelo Japão dentro do Santuário de Baleias do Oceano Austral (ou Antártico) violam regras internacionais de proteção a esses animais, em vigor desde 1986.
Segundo a corte, a caça japonesa tem finalidades comerciais e não científicas. A decisão é final e não cabe recurso. Em sua defesa, o governo japonês sempre argumentou que a caça às baleias tinha finalidades científicas - justamente, para definir cotas sustentáveis de exploração desses animais. Críticos, porém, sempre argumentaram que a prática era mesmo apenas para alimentar os desejos culinários dos japoneses. O consumo de carne de baleia é uma tradição no país.
A ação contra o Japão foi movida pela Austrália em 2010. A corte da ONU argumentou em sua decisão que o número de trabalhos publicados pelo país é incompatível (muito inferior) com o número de baleias mortas supostamente para este fim. Em sua leitura do julgamento, o juiz Peter Tomka disse que o "programa de pesquisa" japonês matou 3.600 baleias minke desde 2005, mas publicou apenas dois trabalhos científicos relacionados à atividade no mesmo período.
Um porta-voz japonês disse que o país lamentava a decisão, mas cumpriria a determinação do tribunal.
Já ambientalistas e países que se opõem à caça de baleias comemoraram a sentença - apesar de o risco de a proibição ser temporária e de não se estender à caça de baleias no Oceano Pacífico. O tribunal deixa aberta a possibilidade de o Japão continuar a matar baleias, desde que a atividade seja replanejada para atender, de fato, a critérios de finalidade científica. Outros dois países - Noruega e Islândia - também caçam baleias, em desacordo com a moratória internacional.