Branquinha

A mamãe veio contar uma história que eu achei bárbara e queria compartilhar com vocês. Foi assim:
A Solange, amiga da mamãe, costuma passar por um parque para ir ao trabalho. Um dia, ela viu uma gatinha branca, de olhos azuis, que nunca havia visto antes por ali. Perguntou para um guarda, para outro, e ninguém sabia de quem era a bichinha. O parque proíbe a entrada de animais, então, ninguém a poderia ter levado para passear ali.
Logo concluiu que a gata havia sido abandonada. Chegou perto da gatinha e a bichana, toda dengosa, aproximou-se e pediu carinho. Um xodó. Solange continuou o caminho para o trabalho, mas não parava de pensar na gatinha. Perguntou para os colegas da empresa se alguém não poderia adotá-la. Ninguém podia. Um tinha cachorro bravo, outro morava com os pais.
À noite, choveu, e ela pensou mais ainda na gata enfrentando chuva e frio. No dia seguinte, até evitou passar pelo parque só para não ver a gatinha. Então, ligou para minha mãe perguntando o que fazer. A mamãe logo se lembrou do episódio do carroceiro e repetiu para Solange o que a Tia Vera havia dito a ela: “Solange, para um animal, não importa o que você pensa ou sente. Para ele, importa o que você faz. Por que você não faz o que está ao seu alcance fazer? Pense em um passo de cada vez. Leve-a ao veterinário, veja se está com algum problema de saúde, e continue procurando por adoção. Você pode até conversar com a direção do parque e colocar uma casinha em um cantinho para que ela fique abrigada enquanto isso. E, é claro, levar ração e água todos os dias”. A Solange seguiu o conselho e disse no trabalho o que ia fazer. Outros colegas resolveram ajudar financeiramente a pagar consulta, remédio e uma delas se dispôs, inclusive, a acompanhá-la com a gatinha até o veterinário. Quando estavam saindo, chegou uma mais uma colega que disse que também queria ir porque adorava gatos e tinha três bichanos.
Na clínica, tudo estava bem com a gatinha – que ganhou o nome de Branquinha - sempre calma e doce durante toda a consulta. Tinha um comecinho de sarna e descobriram que ela já estava castrada. Na hora de levá-la, a última colega que havia chegado decidiu: “Ah, não vou deixá-la no parque. Eu não posso ficar com ela pra sempre, porque já tenho três e estou sem espaço, mas posso ficar como um lar temporário até que ela consiga adoção”. E assim foi. A turma do trabalho dividiu as despesas e a Ivana ficou com a gatinha. Colocaram anúncio em sites e compartilharam fotos no Facebook. Não é que no dia seguinte uma pessoa conhecida da Solange quis ficar com a gata? E no final, acabou sendo uma adoção especial, porque descobriram que a gatinha era surda.
Essa história é legal, né?* E aconteceu mesmo.
Quantas vezes ficamos imóveis e omissos, pensando mais no que não podemos fazer do que naquilo que realmente podemos fazer?
Quando começamos algo de bom, outras pessoas acabam se envolvendo. É um pouco o que esse vídeo mostra:


*baseado em fatos reais

Indicação de vídeos :
Fulaninho, o cão que ninguém queria. Instituto Nina Rosa – projetos por amor à vida. Brasil, 18 min., 2001.

Criando um amigo. Instituto Nina Rosa – projetos por amor à vida.
Olhar e Ver. Instituto Nina Rosa – projetos por amor à vida. Brasil, 15 min., 2000.

Indicações de sites:
Olhar animal: www.olharanimal.net
Cachorro Perdido: www.cachorroperdido.com.br
SAVA: www.sava.org.br/
Centro de Adoção - Natureza em Forma: www.naturezaemforma.com/centrodeadocao/