TRÁFICO DE ANIMAIS, Carta de Marcelo Pavlenco



São quatorze anos lidando com animais silvestres. Comecei dedicando uma ou duas horas semanais ao assunto, hoje são seguramente de doze a vinte horas diárias; acredito que já conheça um pouco sobre o tema.

Conheci gente, muita gente. Gente que fica, gente que passa, gente que foge, gente que nem se aproxima... conheci gente que me disse que "lugar de árvore é no mato e não na cidade"... conheci gente que não precisaria de forma alguma se envolver em uma ONG como a SOS Fauna, mas teve GARRA, DETERMINAÇÃO, CORAGEM e outros adjetivos semelhantes - o mais importante deles: CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA!

Quando iniciei este trabalho imaginei que tudo fosse florido, que as coisas funcionassem como manda a Lei, ahhh, a Lei, esta também é falha.

Tinha medo até da própria sombra, aprendi a dominar este sentimento, não foi fácil, mas aprendi a dominar.

Sabem, o último Natal, foi o menos farto materialmenteque me lembro ter tido em toda
a minha vida. Em contrapartida, houve um enriquecimento espiritual imenso, arrumei amigos, cumpri tarefas e alcancei objetivos, isto é mais que fartura, e além disso, tenho uma família maravilhosa, que entende tudo isso, tenho amigos maravilhosos também, que ajudaram a alcançar estes objetivos.

Um grande abraço a todos!
Marcelo

O Tráfico de animais silvestres no Brasil

Poucos sabem e menos pessoas ainda se interessam em saber, em conhecer a respeito
deste triste e lamentável problema que, nos dias de hoje, de forma muito acelerada, vem dizimando nossa biodiversidade.

A realidade sobre o tráfico de animais silvestres - que opera dentro do território brasileiro - infelizmente é desconhecida pela maior parte da população. A mídia - que teria papel importante no sentido de divulgar amplamente a verdade do que ocorre - em muitas ocasiões, distorce a realidade, "vendendo o mesmo peixe que comprou", sem se preocupar muito em divulgar informações verdadeiras sobre o assunto em questão.

Todas as semanas, MILHARES DE ANIMAIS SILVESTRES chegam em São Paulo e Rio de Janeiro, além de outras capitais que também são grandes pólos consumidores de fauna seqüestrada de nossas florestas. Infelizmente não podemos mais dizer que este ou aquele estado é que sofre maior seqüestro de fauna, pois para os traficantes de animais, basta que haja animais na natureza - não importa onde e nem a distância que tenham que percorrer com estes animais - o que manda é o lucro fácil.

Feiras do rolo

Somente em São Paulo e na Grande São Paulo - área de trabalho da SOS FAUNA até o momento - operam mais de VINTE FEIRAS DO ROLO todos os finais de semana. Em algumas destas chegam a ser comercializados mais de MIL animais (em sua grande maioria aves), ao ar livre, para quem desejar ver a "mercadoria" e posteriormente comprar.

Como se não bastassem as feiras, ainda existem os depósitos clandestinos de vida silvestre, estes geralmente estão instalados em residências alugadas, próximas à moradia do traficante;
agem desta forma para tentar evitar um possível flagrante.

Primeiros socorros

Mais triste ainda é o que ocorre com estes animais depois de apreendidos pelos órgãos competentes, (quando isso ocorre). Os primeiros socorros a estes animais são precários.
Inúmeras vezes aves ficam em delegacias de policia aguardando o desdobramento dos procedimentos legais. Faltam alimentos, medicamentos, cuidados especiais, higiene, conhecimento, enfim, FALTA TUDO!!! Faltam principalmente locais que recebam estes animais, onde saibam cuidar dos mesmos e que acima de tudo operem 24 horas
por dia. Quem paga esta conta, sem dúvida são os animais que ali aguardam serem socorridos; o preço é alto... sua VIDA!

Óbitos


Desde o dia em que a SOS FAUNA iniciou procedimentos de primeiros socorros nas apreensões que participa, as taxas de óbito têm sido baixíssimas, prova que isso deve ser feito, ou seja, já deveria estar sendo feito há muitos anos.




Não concordamos com as notícias veiculadas pela mídia e por algumas ONGs que: para cada DEZ animais capturados na natureza, apenas um sobrevive. DEFINITIVAMENTE ISSO NÃO EXISTE. Para o traficante de animais, estes representam moeda, e moeda não pode ser perdida.

Reintrodução

Um fato triste, é que a grande maioria dos animais apreendidos JAMAIS RETORNA à sua região de origem. Nossos governos ainda não evoluíram o suficiente para compreender a importância deste trabalho.

Carta de Marcelo Pavlenco, Presidente da S.O.S Fauna, Órgão de Defesa da Fauna e Flora Brasileira.

INR

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