TRÁFICO DE ANIMAIS SILVESTRES Por Márcio Bontempo

(Imagem: Reprodução/Midia Max News)

Comércio

O resultado da ação do homem no mundo animal está pondo em risco a vida no planeta com a redução da biodiversidade. São centenas de espécies já extintas e outras ameaçadas de extinção - não somente pelo consumo da carne de animais silvestres, mas pelo hábito de querer tê-los como animais de estimação. Por isso, no Brasil, araras, papagaios, borboletas, jabutis, macacos, passarinhos, aranhas, escorpiões, cobras e tantas outras espécies da fauna silvestre brasileira vêm sendo vítimas de um comércio ilegal que movimenta cerca de 2 bilhões de dólares por ano - aqui e lá fora. O tráfico de animais é a terceira atividade ilícita mais lucrativa, depois do tráfico de drogas e armas.

Anualmente cerca de 12 milhões de animais são ilegalmente retirados das matas brasileiras e vendidos em diversas cidades do país. Nesse tipo de atividade, a perversidade em relação aos bichos é por vezes extrema, conforme pudemos constatar.

Captura

Os traficantes de animais silvestres, além de caçarem, pagam crianças para capturarem borboletas e passarinhos, que depois são transportados em condições absurdamente desumanas, muitas vezes sob o efeito de anestésicos e drogas que os mantêm quietos. Cada animal retirado da natureza enfrenta crises de depressão geradas por solidão, o que os faz perder a própria identidade.

Para garantir a "beleza" do artesanato feito com asas de borboletas, os machos são mergulhados, ainda vivos, em um tipo de solvente de tinta, que elimina os parasitas. Alguns criadouros atuam como pontos de "lavagem" de animais contrabandeados.

Apesar da lei

Para capturar um filhote de macaco os traficantes não hesitam em matar a mãe. Eles têm pressas arrancadas e são dopados para parecer mansos. Apesar da portaria 117/97-N, de 15.10.1997, em que o Ibama legaliza a venda de animais silvestres apenas para criadouros credenciados, o tráfico ilegal continua.

As autoridades ambientalistas consideram o "comércio ilegal de animais" uma forma de tráfico. Ao nosso ver, contudo, qualquer negócio que envolva seres vivos deve ser ilegal. Ao admitir a hipótese de um "comércio legal", estamos contribuindo, de um modo ou de outro, com o consumo de carne, com o aprisionamento de animais, e conseqüentemente, com a degradação ambiental.

Carne animal

Atualmente, diante das inúmeras evidências e estatísticas, determinando que o consumo de carne é um ato antiecológico, seja de animais criados para o abate, ou capturados nas selvas, deve-se evitar incluir carne animal - qualquer que ela seja - na nossa dieta.

Não basta afirmar como fazem as autoridades ambientais brasileiras, que, depois do desmatamento, a maior ameaça a fauna é o seu comércio ilegal. Tanto o Ibama quanto os demais órgãos afins, além dos ecologistas, devem saber que a captura animal com fins comerciais é apenas uma parte do problema. Os seres humanos continuam consumindo carne animal silvestre e esta é a atividade que mais devasta as florestas.

Sim, os homens comem animais silvestres e muitos outros. Basta conhecer um pouco seus curiosos hábitos alimentares para se ter uma idéia dos vários tipos de carnes e de seres que os humanos são capazes de consumir. O estudo serve também para confirmarmos o desrespeito, a insensibilidade e o pouco caso com que são tratados os animais, nossos irmãos.

Fonte:- adaptado de "Alimentação para um Novo Mundo", Márcio Bontempo

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