A IMPORTÂNCIA DE SER VEGANO, por Angel Flinn e Dan Cudahy

“Se um homem busca diligentemente uma vida justa, seu primeiro ato de abstinência é de alimentos de origem animal.” -LeoTolstoy

Intelectualmente, a maioria de nós concorda que causar danos desnecessários é injustificável – sejam as vítimas humanas ou não. Contudo, de alguma forma, a maioria das pessoas que acredita nessa ideia está disposta a fazer vista grossa a tais danos quando eles próprios recebem algum tipo de vantagem – sejam os benefícios em forma de alimentos, posses, vaidade ou diversão.

Infelizmente, porque a violência generalizada contra animais sob a forma de “agricultura”, “pesquisa” e até mesmo “entretenimento” é sancionada pela sociedade e seus sistemas jurídicos, a maioria das pessoas tende a não estar disposta a ver esta brutalidade pelo o que ela realmente significa e sair do condicionamento profundo que possibilita tais atrocidades.

É verdade que mais e mais pessoas estão começando a falar sobre os muitos abusos abomináveis que ocorrem dentro da indústria animal, e o movimento para “melhorar as condições” destes animais continua a ganhar popularidade. Contudo, cada uma das práticas terríveis que os defensores dos animais protestam veementemente contra – confinamento intensivo, inseminação forçada, separação entre mãe e filho, castração, corte de chifre, corte de rabo, corte de bico, “mulesing”, corte de pata, escaldamento vivo, muda forçada – todos esses procedimentos horríveis, e muitos mais, existem porque um número crescente de consumidores humanos continua a criar demanda para produtos de origem animal. Numa indústria em que seres sencientes são vistos como unidades econômicas – máquinas de fazer dinheiro – é inevitável que essa violência seja vista como um meio aceitável para o fim de fornecer produtos que geram lucro.

De qualquer forma, mesmo se cada uma das práticas acima mencionadas fossem abolidas, ainda seria imoral e injustificável usar outros seres sencientes como recursos. No mundo de hoje, alternativas veganas estão disponíveis para todos propósitos significativos para os quais usamos os animais* atualmente. Um número crescente de pessoas está adotando o veganismo como uma solução para os problemas que nós experenciamos como indivíduos e como sociedade – desde as nossas inúmeras crises de saúde, a nossa emergência ambiental, até a questão da escalada da violência – todos os quais nos faz viver, em algum grau, com medo do futuro.

Enquanto este movimento de emancipação dos animais cresce em tamanho e força, um exemplo poderoso está sendo dado pelos indivíduos que se recusam a ter qualquer envolvimento na opressão brutal de inocentes que chamamos de ‘indústria animal’. Homens e mulheres no mundo todo – simplesmente vivendo como veganos – estão demonstrando que não há nenhuma justificativa moral para causarmos danos aos animais.

*Observação: Apesar de produtos de origem animal serem utilizados em certos itens que estão sem alternativas ao consumidor – tais como computadores e pneus de carro – existem alternativas que podem ser facilmente utilizadas nessas fabricações.

Algumas pessoas podem tentar justificar o consumo de produtos de origem animal por motivos de saúde. No entanto, um número crescente de profissionais da área médica começa a perceber que não apenas as dietas de origem vegetal são nutricionalmente completas, mas que, na verdade, elas são mais nutritivas e muito menos tóxicas do que as dietas de origem animal. Além disso, o público está começando a perceber que muitos dos perigos principais associados à dieta – doenças cardíacas, câncer, acidente vascular cerebral, obesidade, diabetes, e muitos, muitos mais – são exacerbados pelo consumo de produtos de origem animal e podem, na verdade, ser evitados através da adoção de uma dieta vegana.

De acordo com a maior organização do mundo de profissionais de alimentação e nutrição, a American Dietetic Association (“ADA”): “…Dietas vegetarianas apropriadamente planejadas, incluindo dietas vegetarianas estritas ou veganas, são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem fornecer benefícios à saúde na prevenção e no tratamento de certas enfermidades… Dietas vegetarianas bem planejadas são apropriadas para indivíduos durante todas as fases do ciclo de vida, incluindo gravidez, lactação, infância e adolescência e para os atletas.”

Em outras palavras, a posição oficial – muito convencional – da ADA é que incluir produtos de origem animal na dieta não é apenas desnecessário, mas pode, na verdade, ser prejudicial para a nossa saúde.

E quanto aos outros usos de animais? Couro, lã, seda, pelugem, peles, artigos de higiene pessoal, cosméticos, entretenimento, esporte, a grande maioria da nossa experimentação – todos estes usos são claramente desnecessários sob qualquer conceito coerente da palavra “necessário”, já que há alternativas veganas disponíveis para todos eles.

O veganismo não é uma filosofia radical — é uma base moral que é consistente com as convicções que a maioria de nós já possui. O veganismo é uma simples questão de abster-se de participar do uso desnecessário e nocivo de seres sencientes. Como a maioria das pessoas é naturalmente contra a violência desnecessária, tornar-se e permanecer vegano não é uma questão de alterar qualquer uma das nossas convicções morais básicas; simplesmente exige que estejamos dispostos a mudar os hábitos que desenvolvemos e que nos impedem de viver de acordo com nossos princípios.

Cada um de nós tem sido condicionado pela propaganda de uma sociedade altamente especista – uma cultura em todo o mundo que é extremamente preconceituosa contra os interesses dos animais que não tiveram a sorte de ter nascido neste planeta na forma humana.

No entanto, cada um de nós tem o poder de se libertar dessa doutrinação. Tornar-se vegano é simplesmente reconhecer e aceitar quem realmente somos – é a oportunidade de nos tornarmos quem nós seríamos se ninguém nunca tivesse nos ensinado que é certo dar as costas aos direitos e necessidades dos nossos companheiros animais e que é certo ignorar a dor deles se isso nos proporciona prazer.

O veganismo é um sacrifício? De modo algum. Pelo contrário, é cada escolha não vegana que sacrifica nossa própria bondade inerente. Uma vez que você tomar a decisão de viver constantemente com seus valores, as recompensas – sob as formas de um corpo mais saudável, mente mais clara e consciência mais pacífica – serão tanto profundamente aparentes como uma fonte de alegria contínua.

Mas mesmo se o veganismo exige a desistência de alguns de nossos alimentos favoritos, itens de vestuário adoráveis e hábitos preciosos, essas questões realmente importam? A instituição da escravidão e o tratamento de seres sencientes como ‘coisas’- sejam humanos ou não humanos – são inerentemente e gravemente injustos. As mudanças que o veganismo exige de nós e as recompensas que o veganismo traz são irrelevantes para a verdadeira questão moral:

É o sabor de um alimento específico, ou a forma como você se sente em seu favorito par de sapatos ou seu casaco de inverno, mais importante do que a vida e a liberdade de outro ser vivo, senciente?

Angel Flinn é diretora de divulgação da Gentle World – uma organização educacional sem fins lucrativos, cujo principal objetivo é ajudar a construir uma sociedade mais pacífica, educando o público sobre as razões de ser vegano, os benefícios de vida vegana, e como fazer a transição.

Dan Cudahy é autor de Unpopular Vegan Essays: Ensaios Impopulares Relacionados à Violência Popular Causada ao Inocente.

Este artigo foi publicado originalmente em 8 de julho de 2011 no site Care2 e também no site Unpopular Vegan Essays.

Tradução: Vera Regina Cristofani

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