EDUCAÇÃO SENSIBILIZANTE, por Nina Rosa


Durante o ENDA, relembrei um sentimento presente durante os primeiros Congressos de Bem-Estar Animal no Brasil. O sentimento de ter a chama do coração ativada por estar entre pessoas com propósitos semelhantes, trabalhando pelos animais, cada um a seu modo. Estive presente no ENDA apenas um dia, mas saí animada por ouvir painéis sobre educação, que acredito ser a principal ferramenta para mudarmos, de forma pacífica, eficaz e permanente, a realidade exploratória de que os animais são vítimas.
A educação sensibilizante não é impositiva nem julgadora.  Desperta nas criaturas o que elas têm de melhor e estimula a percepção e exteriorização da compaixão e do respeito por todos os seres. Ela inclui a fé na bondade inerente a todos e procura iluminar e fazer emergir esse sentimento, que, muitas vezes, está desacreditado dentro do ser.
Ela é pacífica sem ser passiva, é uma força não violenta, cujo poder está no exemplo da prática de valores positivos. Incentiva não só a compaixão, mas as ações do Bem.
O atual Dalai Lama nos ensina que “compaixão é colocar-se no lugar do outro”. Sua prática nos leva a nos deslocar de nossa zona de conforto para imaginar, mesmo que por segundos, alguma situação que nos incomoda, vivenciada por outro ser. E ser solidário. E fazer por ele o que gostaríamos que fizessem por nós em situação semelhante.
Discernimento? Sim, sempre. Mas desculpas ou justificativas, não. São elas que nos afastam do coração, centro físico do amor divino.
Dizem alguns pensadores que o oposto do amor não é o ódio, mas sim a indiferença. A indiferença é fria, amorfa, auto-excludente, solitária.  A indiferença não traz paz. Pelo contrário, não há possibilidade de paz sem compaixão, pois somos todos interligados e tudo afeta a todos. Mesmo quando resistimos a reconhecer isso, somos afetados.
Indiferença não significa equilíbrio e compaixão não precisa ser emocional. Para poder realmente ajudar outro ser em situação de risco, podemos fazer tudo o que é necessário tentando ter o mínimo envolvimento emocional possível.
Quando agimos pelo Bem maior sabemos que nunca agimos sozinhos, pois outros seres muito mais experientes e sábios estão por perto, atraídos por nossa irradiação de entrega ao serviço altruísta, nos inspirando e orientando quanto à melhor forma de agir. Desde que nos permitamos “ouvir”, é claro.
O exemplo de ação que segue a voz do coração com discernimento é contagiante, e pode sensibilizar outros seres. E não é isso que todos almejamos? A elevação de consciências em toda a humanidade? Pois.

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