Manifestantes de toda Europa se unem contra a experimentação animal



Foto: Reprodução
De Gannat, na França, a Liverpool. De Zagreb, na Croácia, a Ljubljana, na Eslovênia. De Manchester a Roma. Todas estas cidades receberam no último sábado, dia 19, diversas manifestações contra o laboratório Harlan, pedindo que as experimentações com animais parem.
“Milhares de pessoas iluminaram com tochas as ruas de várias partes da Europa para lembrar, em vigília, as vítimas da vivissecção feita pelo laboratório Harlan, um dos símbolos mundias de tal prática, e para difundir o sonho de uma sociedade livre de toda forma de exploração cometida contra qualquer ser vivo”, explicou Edoardo Valentini, ativista do grupo No Harlan, de Udine, na Itália.
É exatamente nesta cidade que está localizada uma das três instalações da Harlan no país (as outras duas estão em Correzzana e Bresso, norte da Itália) e onde a marcha recebeu mais participantes. Ao final do protesto, foram lidos textos e poemas clássicos de Plutarco, Bentham, Montaigne e Shopenhauer e versos redigidos pelos próprios manifestantes contra a exploração animal.
“A difusão internacional testemunha a maturidade de uma consciência coletiva impensável há poucos anos. A abolição da vivissecção, assim como ocorreu com a abolição da escravidão, não é só mais uma utopia de poucos mas um objetivo compartilhado por um número crescente de pessoas que estão descobrindo o giro milionário de dinheiro que alimenta tal prática e acreditando que o uso de animais é obsoleto do ponto de vista da pesquisa e inaceitável do ponto de vista ético”, disse Valentini.
Na terça-feira, a associação Freccia 45 entregou ao Ministério da Saúde italiano mais de 20 mil assinaturas solicitando que o órgão não autorize mais a multinacional a importar animais para experimentação (a permissão atual vence em 31 de janeiro).
Criada em 1931 em Indianapolis, a Harlan Laboratories é hoje um dos fornecedores líderes em serviços de pesquisa pré-clínica e não-clínica, nos setores farmacêuticos e de biotecnologia, e de modelos para pesquisa (traduzindo, cobaias como coelhos, ratos e até primatas). As instalações da Harlan localizam-se em 12 países diferentes e empregam mais de mais de 3.000 funcionários.
A diretoria da rede de laboratórios enviou o seguinte comunicado ao governo italiano: “Harlan tem grande respeito pelo direito das pessoas de expressar suas opiniões dentro da lei, mas ao mesmo tempo acredita na importância da pesquisa feita em animais no âmbito da ciência médica. Sem isso, a cura de muitas doenças não teria sido desenvolvida e os pacientes e suas famílias não teriam recebido a ajuda que necessitavam. A possibilidade de a sociedade civil prevenir, tratar e curar uma doença, e até mesmo aliviar a dor e o sofrimento, está baseada principalmente no conhecimento alcançado, direta ou indiretamente, por meio de estudos realizados graças aos animais utilizados em pesquisas científicas. A nossa empresa apoia os esforços para reduzir o número de animais usados em experimentos médicos e defende a prática dos 3Rs, porque o respeito e o bem-estar animal são os valores mestres da Harlan e de cada instituição, pública ou privada, autorizada a realizar protocolos de pesquisa com os quais colaboramos. Movimentos contra Green Hill e Harlan não reconhecem a enorme contribuição que os animais representam no âmbito da pesquisa médica, ligando essas atividades a outras meramente comerciais e sem finalidade ética. Se a pesquisa com animais for proibida na Itália, não só trará impacto negativo na economia nacional e em todos os setores dependentes, mas deslocará os estudos para outros países, muitos dos quais não seguem nenhuma regulamentação de conduta em relação aos experimentos com animais. O resultado será negativo não só para a comunidade científica italiana e para todas as pessoas à espera de uma cura adequada, mas também para os animais que recebem tantas demonstrações de preocupação.”
Michela Kuan, responsável nacional da Liga Antivivissecção (LAV), responde: “Sustentar que a pesquisa feita com animais é necessária para o progresso da ciência é uma posição que, no que se refere ao ponto de vista da Harlan, não encontra embasamento científico. Além do mais, não podemos nos esquecer que estamos falando de seres capazes de provar prazer e dor: a experimentação em animais devhttp://www.anda.jor.br/24/01/2013/manifestantes-de-toda-europa-se-unem-contra-a-experimentacao-animale ser abolida acima de tudo por uma questão ética. Sobre o fato de que os estudos serão deslocados para outros lugares, é preciso que cada país dê um passo adiante até chegar ao objetivo final, que é a pesquisa sem o uso de animais. Seria muito mais produtivo para todos se a Harlan se conscientizasse que a ciência está mudando e começasse a investir ativamente em métodos alternativos. De resto, no momento em que se propõe ao mercado um novo método que não envolve o uso de animais novos caminhos podem se abrir, não necessariamente vinculados à utilização para qual tal método originalmente havia sido pensando. A pesquisa do futuro será sem animais. Índia e Japão já entenderam isso e ganharam uma boa fatia do mercado neste setor. A Itália não pode ficar para trás nessa”, conclui.

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