Questão de Coerência e ética



Por Deolinda Eleutério*


Eventos organizados para salvar cães e gatos não podem oferecer alimentos derivados da exploração e uso de outras espécies de animais. Em eventos em prol de animais a alimentação precisa ser vegetariana estrita, pois é incoerente pedir ajuda para salvar umas espécies enquanto se oferece cadáveres bem temperados e "produtos" derivados de outras espécies de animais que são usados e sacrificados para servirem de alimento. Isto depõe contra a seriedade do movimento de defesa dos animais. 


A coerência sobre os atos de protetores e defensores dos animais é cobrada pela sociedade e pela mídia constantemente. As pessoas onívoras que comparecem a um evento para ajudar cães ou gatos resgatados de maus tratos devem ter a oportunidade de experimentar uma refeição que não seja derivada da cruel exploração que sofrem os animais considerados "de consumo". Isto é difícil? Não. Na mesma ferramenta usada para divulgar "eventos em prol de cães e gatos", encontram-se centenas de receitas veganas. É só clicar. Há uma revista (dos Vegetarianos) nas bancas com receitas de alimentação vegana temática. Há vários chefs de couisine veganos que prestam esse serviço. 


São problemas diferentes que envolvem as várias espécies de animais, e é preciso escolher em que segmento cada protetor acha que pode atuar, mas não pode deixar de estender o círculo da compaixão a todos os animais. Cães e gatos sofrem com abandono e maus tratos. São vítimas da falta de políticas públicas para o controle populacional. São vítimas do comércio ilegal e desenfreado e das pessoas que os consomem como animais de companhia e estimação. Bois, vacas, frangos, galinhas, porcos, peixes etc, são considerados - depois de torturados e mortos - alimento para a espécie humana. Estes não se encontram abandonados pelas ruas mas também é preciso resgatá-los do paradigma de que são animais cujas VIDAS nada valem a não ser para extração de suas carnes, leite e ovos. 

Então, por questão de coerência e ética, em eventos em prol de animais a alimentação deve ser vegetariana estrita - sem carnes ou outros produtos que tenham origem na exploração, sofrimento e morte de animais. Ser vegetariano estrito e vegano é difícil? Não para quem já viu cenas de abatedouros, galpões de criação e pocilgas e, se não viu, pode imaginá-las. Mas, se ainda assim o círculo da compaixão tiver dificuldade para se formar, basta imaginar cães e gatos sendo criados e abatidos para o consumo de suas carnes. 

Para ser vegano é preciso mudar hábitos e isto pode ser difícil numa sociedade especista que baseia a produção de alimentos na exploração dos animais. Há que ter atenção constante, conhecimento, informação e disciplina. Veganismo é um caminho que cada pessoa - que se compadece do sofrimento de todos os animais - deve trilhar a seu tempo buscando conhecimento sobre alimentação e outros produtos de uso que não derivem do sofrimento e da exploração de animais.

*Deolinda Eleutério é Ativista pelos Direitos Animais, Terapeuta Holística (faz atendimentos para animais desde 2001) e organiza o site informativo www.gatoVerde.com.br em defesa dos Direitos Animais desde 2004.

“Os animais existem por seus próprios propósitos e interesses e não para o uso e exploração que os humanos fazem deles.”

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