Alimentos de origem animal podem vir com resíduos de drogas veterinárias

Uma caixa de medicamento vazia perto de uma gaiola de aves numa granja. Foto: Manan Vatsyayana/AFP/Getty Images

A maioria das pessoas já ouviu falar das empresas de medicamentos Pfizer, Eli Lilly e Merck. Mas podem não ter ouvido falar de empresas de drogas animais como Fort Dodge, Elanco ou Intervet e sobre as drogas que fazem. A “farmácia animal”, a divisão de drogas animais nas empresas de drogas, tende a operar fora do radar público. Primeiro, porque as pessoas que comem alimentos cultivados com seus produtos não são seus clientes reais e segundo porque os aditivos, hormônios, aceleradores de crescimento, medicamentos antiparasitários, fungicidas e as vacinas que usam fazem as pessoas perderem o apetite.
Mas a farmácia animal é uma enorme máquina de receita que vende drogas às toneladas, muitas vezes sem prescrição ou aprovação veterinária necessária, e isso gera uma fonte interminável de pessoas doentes. Ao contrário da farmácia “humana”, a farmácia animal requer pouca publicidade ou marketing contra drogas concorrentes, questionamento médico e ligações de venda e raramente enfrentam escândalos de saúde pública que possam chegar a seus governos.
Uma das razões para o crescimento da farmácia animal é que a criação industrial intensiva contemporânea está voltada para a produção máxima de cada “unidade” animal por espaço confinado. Por exemplo, antes as galinhas eram abatidas com 14 semanas de idade quando pesavam cerca de 1 kg, mas em 2001 elas passaram a ser abatidas com sete semanas quando pesavam entre 2 e 3 kg. Esta eficiência contínua exige grande uso de drogas de crescimento na produção e drogas para tratar e prevenir doenças causadas pela superlotação, estresse e imobilidade.
Poucos consumidores poderiam nomear uma droga animal utilizada para produzir o alimento que comem porque os nomes não aparecem nos rótulos (e prejudicariam muito as vendas se aparecessem). E mesmo que o movimento orgânico-alimentar e a preocupação com a vaca-louca tenham feito as pessoas pensarem sobre o que “sua carne” come, elas ainda não perguntam que drogas o animal ingeriu.
Por exemplo, quem gostaria de comer um animal tratado com o antibiótico tilmicosina? O rótulo da droga, destinado ao criador, diz: “Não é para uso humano. A injeção desta droga em seres humanos tem sido associada com mortes.” O rótulo da Tilmicosina inclusive tem um número de telefone de emergência impresso diretamente no recipiente, bem como uma nota dizendo aos médicos o que fazer no caso de alguém injetar-se acidentalmente (está escrito: “O sistema cardiovascular é o alvo da intoxicação e deve ser acompanhado de perto. A intoxicação cardiovascular pode ser devida ao bloqueio da via de cálcio.”).
No entanto, a tilmicosina é amplamente utilizada em alimentos para animais e ainda aparece no leite de vacas “leiteiras” tratadas, segundo uma reportagem recente de uma emissora de Ohio, EUA.
Um relatório de 2010 da Secretaria de Inspeção Geral (OIG) norte-americana descobriu que a supervisão do gado conduzida pelo Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS) era uma farsa – com alguns resíduos de drogas ignorados, outros não testados e carne claramente contaminada deixada no fornecimento de alimentos. Entre as drogas encontradas na carne liberada ao público estavam: penicilina; os antibióticos florfenicol, sulfametazina e sulfadimetoxina; o medicamento antiparasitário ivermectina; o droga anti-inflamatória não-esteroide flunixin; e metais pesados.
Quatro instalações tiveram o valor espantoso de 211 violações de resíduos de drogas, mas violadores reincidentes são amplamente tolerados pelo serviço de inspeção, diz o relatório. Noventa por cento das violações de resíduos de drogas veterinárias são encontradas em vacas “leiteiras” e bezerros, acrescenta o relatório.
É evidente que a ausência de drogas listadas nas embalagens dos alimentos não significa que as drogas estão ausentes no produto. E quando a farmácia animal diz que as drogas são administradas para a “saúde” do animal, na verdade, é para a “saúde” da receita dos produtores de carne.
Fonte: Epoch Times

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