Abolição da tradição: moral não-especista, por Sônia T. Felipe


Há tanta coisa ruim levando o nome de tradição que daqui a pouco chamar algo de tradicional vai virar  sinônimo de xingamento. Então, chega de tradição! Está mais do que na hora de prezarmos a evolução! Nossa mente não aguenta mais tanto fungo moral. E fungos também são responsáveis por alergia. Tradição já começou a produzir “alergia moral”. Nosso sistema imunológico está cada vez mais afrontado com tanta tradição embolorada.
Vamos arejar um pouco nossa mente, abolir essas tradições todas e deixar que entre um pouco de luz nesses porões e sótãos onde confinamos nossos valores morais desprezando animais. Exemplos de tradições mais que emboloradas: vaquejada, cavalhada, farra-do-boi, rodeios, circos com animais, puxadas de cavalos, touradas, zoológicos, gaiolas de pássaros, jaulas, galpões de criação de animais, animais usados para tração, animais usados para extração, animais em confinamento completo, animais cortados em bifes, animal descarnado para extração da pele, animal usado em testes químicos, animais usados em rinhas, animais usados para alimentação.
Tudo isso e tantos outros usos são “tradicionais”. E, por serem costumes de longa data, então, são éticos? Não. Não são. Por que não? Porque em nenhum desses casos os interesses genuínos dos animais, como o interesse em viver e escolher o que fazer de sua liberdade, usando sua mente específica, foram ou são respeitados. Então, está mais do que na hora de abolirmos as tradições imorais.
Se alguém, ao ler este texto, discorda do seu teor, faça um teste, colocando-se no lugar do animal citado em cada um dos exemplos. Componha a cena e responda: se fosse colocado ali nessa cena, obrigado por castigos vis a compor a cena, maltratado antes, durante e depois da cena, concordaria em participar dela? Não? Então é só responder: e o animal, quando é que consentiu nisso tudo?
Não há ética em nenhuma interação cujo poder de iniciar ou inibir a interação esteja colocado apenas em uma das partes. No caso das tradições animalizadas, apenas os seres humanos detêm o poder para iniciar ou para interromper a interação à qual submetem os animais. Se os humanos não se abstêm definitivamente dessas interações maléficas aos animais, não nos podem exigir que consideremos éticas tais tradições. Neste caso específico, o da relação humana com não-humanos, o único caminho ético é o abolicionista. A exemplo do que já concluímos em relação à imoralidade do racismo e do machismo, agora precisamos aprender o que falta saber para entendermos a imoralidade do especismo.
ANDA

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