Não aponte esse dedo incoerente na minha direção, po Ellen Augusta Valler de Freitas


The crew circling and pointing
São frequentes ocasiões em que um dedo em riste vem em minha direção para dar ‘conselhos’ e se espanta quando percebe que não nasci ontem. São os tipos que apontam o dedo com um cigarrinho na ponta, mas chamam os veganos de apoiadores da monocultura. Como se os veganos fossem mesmo apoiadores da monocultura, e como se o cigarro não fosse um absurdo, em termos de escravidão humana, trabalho infantil, monocultura, oligarquia, enfim. A pecuária foi apontada neste ano pela ONU como origem de boa parte do trabalho escravo adulto e infantil, exposição a situações cruéis e degradantes, e a bancada ruralista prontamente quer redefinir o que é trabalho escravo, sob pena de perder boa parte da mão de obra usada normalmente sob os olhos omissos de muita gente.
Na educação, costumo usar a ‘terapia de choque’, que é confrontar o indivíduo com o entorno onde vive, ou seja, com a realidade, para confirmar se o blablablá realmente é coerente com seu modo de viver. “Você está sentada em um restaurante junk food mas está me acusando de não ser natureba? Não deveria você ser natureba e não estar aqui, já que eu sou vegana por motivos puramente éticos?”.
É o comedor de carne, de ovos e principalmente de laticínios ‘preocupadíssimo’ com minha saúde, com a Coca-Cola, com a soja – mas ele mesmo consome produtos industrializados, compra cerveja da Coca-Cola, consome mais soja que os veganos, pois ela está em toda a cadeia alimentar e na pecuária.
Eu que estou tentando ter uma vida mais centrada, focada em princípios, tenho que ouvir sermão de quem visivelmente está errado e doente. Acho que essas pessoas só sabem fazer propaganda dessas empresas, pois mostram a incoerência e o vício, que é o que elas querem em seus clientes.
Não sou santa, e jamais pretendo ser. Não me interessam discursos de esquerda pseudolibertários, pois lá dentro do esquema sabemos das amarras existentes e dos preconceitos incuráveis. Menos interessante, ainda, são os discursos ‘reaças’ da direita. E o tal ‘caminho do meio’, o ‘não vamos ser radicais, né, gente?’, é detestável pois só é dito por pessoas rancorosas que provocam discórdias, e depois vêm com esse papinho de ‘vamos nos amar mais’, mas lá no fundo semeiam tempestade.
Prefiro a liberdade de agir conforme meus princípios, sabendo dizer ‘não’ quando realmente for efetivo e sabendo calar a boca de oportunistas que querem ‘te salvar’ do teu ‘erro’ de se importar com os animais.
Apenas aceito palpite de quem realmente tem propriedade para falar. Estes falam pouco, mas, quando falam, ensinam. E até mesmo na Gramática, só aceito críticas de linguistas e filólogos, pois quando um texto não agrada aos olhos e à consciência, a primeira coisa que alguns fazem é apelar para a ‘crítica’ ao Português. Isso para os que leem além do título

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