Aprenda a ler e seja um ativista melhor

Foto: Marcio de Almeida Bueno
Os escândalos envolvendo empresas ligadas à carne e fornecedores de leite podem ser novidade para o público, que já esqueceu o que aconteceu ontem, mas para quem acompanha as questões da causa animal estas notícias não causam espanto. São comuns e correntes. Não é a primeira vez que se descobre leite contaminado, carne podre, excessos desta ou daquela substância, muitas delas proibidas na Europa mas largamente usadas aqui, onde o consumidor ainda não aprendeu a ler rótulos nem a fazer boicotes. Infelizmente.
Ler um rótulo não é apenas tomar conhecimento do que ali está escrito. É tentar descobrir, por exemplo, o que se esconde atrás da frase ‘pode conter’, ou daquela conhecida ‘contém traços de’, e a lista dos traços muitas vezes ultrapassa mais de dez ingredientes de origem animal. Mesmo diante disso, muitas pessoas ignoram esse aviso e seguem comprando esses produtos. Pura preguiça, já que existem muitos outros sem traços. Para mudar algo, é necessário saber sobre o assunto, conhecer leis e regras o máximo possível, e não apenas se entregar a pacotes de biscoitos ou outras bobagens ‘aprovadas nas redes sociais’.
No decorrer dos dias, nem sempre temos tempo disponível e certas coisas não podemos evitar. A filosofia de vida que é ser vegano inclui também saber e obter informações sobre as coisas, para não ficar repetindo lendas urbanas ou sem conhecer as mudanças que ocorrem todos os dias. Empresas são vendidas, compradas, fazem testes em animais, depois desistem de fazê-los, mudam rótulos e criam novas marcas, adicionam ingredientes, fundem-se, mimetizam-se. Também adquirem ‘selos’ duvidosos, para que o consumidor-autômato, que apenas coloca o produto no carrinho, pense que aquilo faz o bem. Veganos são pessoas comuns que podem não ter tempo, mas é importante não se acomodar. É preciso ser rigoroso consigo mesmo, para poder cobrar do mundo as mudanças, mesmo que no mundo elas sejam poucas, lentas ou incoerentes. Pensadores geniais já disseram isso em melhores palavras do que estas, e eles sabiam o porquê.
Um grande frigorífico possui diversas marcas de produtos alimentícios e de higiene, por exemplo, e estas marcas são bastante difundidas em redes sociais como ‘veganas’ e ‘sem ingredientes de origem animal’. As empresas tais não mentem quando dizem que não fazem testes em animais, mas não informam que a renda destes produtos vai diretamente para o grande frigorífico. E não precisam informar, pois basta entrar no site da empresa para descobrir isso.
E não é aqui neste artigo que você vai descobrir que empresas são essas. É buscando no pai Google (ou em outros buscadores), pesquisando e lendo rótulos. Existem diversos sites falando disso, e as mídias sociais não são a única fonte fidedigna de informação que existe.
Aprender a ler não é apenas saber Português. É entender nas entrelinhas, é buscar informações e fazer comparações, ter senso crítico e divulgar numa boa, sem brigas e sem ranços. Não se ganha nenhum centavo insistindo em consumir produtos com traços, produtos de empresas que fazem testes e afins, até por que o que elas querem é justamente isso: consumidores fiéis, sem senso crítico, que de quebra já fazem propaganda grátis quando teimam em consumir e divulgar as marcas.

ELLEN AUGUSTA VALER DE FREITAS - ANDA

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