A vingança não é justa nem ética!, por Sônia T Felipe

Todos os dias lemos notícias sobre humanos tratando animais com crueldade, abandonando-os, negligenciando cuidados devidos a eles, torturando-os, explorando-os, abusando de sua vulnerabilidade física, devastando o ambiente natural no qual os animais precisam viver, matando-os para churrascos, em diversões e todo tipo de violência que se pode imaginar. Todos os dias lemos sobre isso e nos deparamos com as imagens horrendas desse holocausto sem fim.
Também lemos todos os dias comentários de internautas clamando por vingança. Praguejando contra os humanos cruéis e violentos. Desejando o mesmo para eles. Esses textos mostram uma terrível identificação das pessoas com o sujeito violento, não no sentido em que elas o abominam por fazer o que faz, mas no de se colocarem, com seu ódio e ferocidade, exatamente no lugar emocional e moral do outro que dilacera o corpo dos animais indefesos.
Se promulgamos os princípios da ética abolicionista vegana, queremos que as práticas institucionalizadas da maldade contra os animais, contra todos os animais sejam finalmente extintas da face da terra. Mesmo sabendo que isso não acontecerá por mágica, nem por magia, é isso que almejamos. Que um dia nenhum ser senciente sofra qualquer intervenção em seu corpo com o propósito de feri-lo para dar satisfação a qualquer outro humano.
Desejar ver uma pessoa violenta sendo violentada é desejar que no corpo dela sejam feitas feridas para que ela sinta a dor e sofra tanto ou mais do que sua vítima sofre ou sofreu com seu abuso ou agressão. Se pensamos e sentimos assim, nos identificamos com os violentadores. Repetir sua façanha não nos liberta da cadeia da maldade, pelo contrário, nos enreda na malha do gozo unilateral com a dor do outro.
Custa ensinar às pessoas que causar dor e sofrimento a um animal, não importa a espécie, é um ato abominável para o animal que sofre a interferência humana, e para o humano que se reproduz como ser violento? Custa muito trabalho pedagógico.
Muitos estão nesse momento sofrendo todo tipo de abuso físico no lar, proveniente da mãe ou do pai, ou de um deles com a cumplicidade do outro. Não é desejando que esse pai e essa mãe sofram o mesmo tipo de abuso que vamos corrigir a mentalidade concebida na forma hierárquica especista elitista. A saída ética é mostrarmos aos humanos vítimas da violência que essa existirá enquanto eles compartilharem o sentimento da raiva, do ódio e da vingança com aqueles que as torturam. Dá revolta ler notícias de violência contra os animais? Dá. Como lidar com isso? Fazendo algo para defender os animais, sem acrescentar ainda mais violência à cena. Essa é a virada que todos somos chamados a fazer para eliminar da nossa cultura a violência somatofóbica que a domina.

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