A cultura das charretes e os maus-tratos a cavalos, por Gilberto Pinheiro

A consciência desenvolvida do ser humano atual determina a reforma e restauração de paradigmas, inclusive, relacionados aos animais. Na verdade, a vida é um constante devir, o que era há um segundo, logo depois já se modificou. Vida é ação e, consequentemente, reação. Negar isso é dizer não ao real e verdadeiro.
À luz dos fatos, um dos grandes desafios dos defensores dos animais é conscientizar a sociedade que precisamos respeitar a vida deles e que não cabe ao ser humano maltratá-los. A subjugação do animal pelo ser humano vem de longe, sendo um atavismo cultural irresponsável, pois uma pergunta fica sempre sem resposta? – quem outorgou ao ser humano o livre-direito para decidir qual o animal que morrerá para alimentá-lo ou servi-lo como força de trabalho??? Nunca obtive resposta!
A cultura das charretes e os maus-tratos a animais
A utlização deles, em alguns casos, faz parte até da cultura, que são as charretes, tão comuns em Paquetá, bairro tradicional do Rio de Janeiro, assim como Petrópolis e outras cidades espalhadas pelo Brasil. A legislação que ampara os animais, infelizmente, permite a utilização de cavalos como tração, puxando esses veículos. Todavia, há legislação específica impondo regras e limites: oito horas no máximo de trabalho, assim com descanso, ótima alimentação, baias que deem liberdade e conforto aos animais e a presença de veterinário para o atendimento a eles.
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Em Paquetá a lei não é respeitada. Há pouco tempo, um dos cavalos estava tão enfraquecido e com contundente corte no pescoço que fora abandonado por seu dono. Denúncias de maus-tratos levaram veterinários e autoridades ao local e o animal foi levado para o Centro de Zoonose, tratado com respeito e hoje está praticamente curado, vivendo livre na Fazenda Modelo, em Pedra de Guaratiba, espaço pertencente ao município do Rio de Janeiro, criado exatamente para essa função, acolher animais abandonados e maltratados.
Petrópolis
Em Petrópolis, volta e meia, vê-se animais desnutridos puxando charrete e alguns desmaiam de fome e maus-tratos. Portanto, não é mais possível aceitar-se a condição de abandono e precariedade no tratamento animal. Os tempos são outros e estamos no terceiro-milênio, época de renovação de valores e mudança de paradigmas e, somente educando, com palestras nas escolas, redações temáticas sobre a causa e lei punitiva contra os infratores, resolveremos essa questão e muitas outras. A impunidade não pode ser espelho para a causa animal.
O Brasil é o país das grandes contradições – ao mesmo tempo que é extremamente religioso, paradoxalmente, é negligente com seus animais.
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Eu ministro palestras em escolas sobre a causa animal e percebo o grande interesse dos alunos e vontade aguçada por um futuro melhor para eles.

Daqui para a frente, haverá mudanças fundamentais, pois é impossível à medida que nos conscientizamos, aceitarmos e desleixo e a submissão dos animais para a serventia humana. Precisamos rever todos os conceitos sobre eles, ainda mais agora, quando sabemos que eles são seres sencientes, segundo a própria Ciência e manifesto assinado por 25 neurocientistas, sob a coordenação do cientista canadense Philip Low que reconheceu a capacidade de os animais mamíferos terem consciência e emoções, cunhando a frase – agora,não podemos mais dizer que não sabíamos.
Triciclo com tração mecânica substituindo as charretes
Não é sensato fecharmos os olhos para a dura realidade dos animais. Pessoas esclarecidas não aceitam os mausculo com tração mecân-tratos e o caminho da luz é o respeito à vida animal. Em Paquetá a “tradição” é regra assim como o desrespeito aos animais. Há opção viável como veículos ou triciclos com tração mecânica. Por que então usar charretes puxadas por animais em precárias condições em nome de uma tradição e um inaceitável conservadorismo cultural? O tempo passa e exige mudanças e não devemos ficar presos a valores do passado em detrimento de seres vivos que sofrem tanto por causa da indústria de turismo. A mudança de paradigmas é necessidade inexorável.
Pelo fim das charretes em todo o Estado do Rio de Janeiro e, consequentemente, em todo território brasileiro. Basta de maus-tratos, afinal, o bem a todas as manifestações de vida é a meta afiançável a ser alcançada e é indispensável que se acabe com o holocausto dos animais.
Sobre o autor
Gilberto Pinheiro é jornalista, músico, ex-apresentador do programa Terceiro-Milênio, programa de rádio web veiculado nas dependências da Universidade Cândido Mendes, campus Méier, dando ênfase à causa animal, entrevistando autoridades,professores universitários, cientistas e ativistas. Ministra palestras sobre a causa em escolas e outros locais públicos, inclusive, religiosos.

ANDA

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