“Noé” mostra um ativista vegano como protagonista

1 Em cartaz nos cinemas e cercado de polêmica, “Noé” mostra um ativista vegano como protagonista

Foi lançado nos cinemas brasileiros, na quinta-feira (3), a mais recente versão cinematográfica da clássica história de Noé, personagem bíblico que construiu uma arca para salvar a criação divina de um mundo devastado pela violência entre os homens.
O filme é cercado de polêmicas, já que em alguns países a história apresentada pelo diretor Darren Aronofsky foi considerada muito diferente do que a que está na Bíblia, mesmo meses antes da estreia.
Em passagem pelo Brasil há algumas semanas durante as divulgações do novo filme, o ator e ganhador do Oscar Russel Crowe revelou o que todo ativista pelos Direitos Animais gostaria de ouvir a respeito do longa: “Eu entendo a decisão do diretor de não usar bichos de verdade. Ele é vegetariano e um ativista pela proteção dos animais.” – disse. Crowe é quem dá vida ao personagem central do enredo.
Sabendo que o diretor Darren Aronofsky se importa com a causa animal a ponto de proibir o uso de animais verdadeiros nas filmagens, fiquei muito ansioso pela estreia e fui conferir logo no primeiro dia. Utilizar animais para o entretenimento é uma prática condenada por ONGs do mundo todo há décadas e grandes produções do cinema têm mostrado que é perfeitamente possível fazer cinema sem explorar animais para isso.
Assistindo ao filme pude entender por que ele é tão polêmico. Em vários momentos da trama fiquei em dúvida se o que estava na tela era mesmo uma reprodução fiel de uma história épica ou se era uma versão moderna e metafórica, cheia de efeitos visuais. “Noé” é tudo isso e mais um pouco.
O diretor Darren Aronofsky mostra Noé como um homem justo e sábio, mas também falho e repleto de dúvidas sobre suas decisões. Há momentos em que pensei que o filme descambaria para um Noé completamente insano, mas tudo tinha um propósito e as conclusões do filme ficam mesmo para os últimos segundos.
Fica evidente que Noé e sua família não se alimentavam de nada que venha de animais e condenavam isso, comentando quão estranho é consumir corpos de animais, em uma das cenas. Noé tem uma postura ética em relação aos animais e assume a incumbência de zelar por eles. Ele aparece como um dedicado protetor de todas as espécies de animais, disposto a lutar até a morte contra os homens que querem comer a carne deles, se preciso.
Em um dos momentos mais envolventes - e polêmicos - da história, fica nas mãos e no coração de Noé a decisão de dar continuidade à vida humana na Terra ou deixar que apenas outros animais e plantas aqui permaneçam.
“Noé” é um longa grandioso, intenso, com bela fotografia e, sobretudo, poético e carregado de metáforas sobre a sociedade moderna. Não é um filme indicado apenas para religiosos e merece ser visto no cinema, em tela grande.

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