O Carrapato Abolicionista, por Sônia T Felipe


As pessoas comem carnes de todos os tipos de animais, de todas as cores possíveis. E comem também laticínios feitos com leites animais. E foram forçadas a crer que se não comem carnes e laticínios não obtêm as tais das proteínas, que estão abundantemente distribuídas no reino vegetal, servindo muito bem a quem adota a dieta vegana. Dito isso, vamos o ponto de hoje.
Um carrapato pica a pessoa galacto-carnista e ela fica com algo que ele põe em seu sangue, detonando a capacidade do organismo desse humano de digerir as matérias animais que ela põe em seu estômago. A reação alérgica é forte. A pessoa tem tudo na mão para escolher livrar-se de vez da dieta maléfica. Mas não o faz. Por quê?
Porque os cientistas financiados pelas indústrias das carnes e dos leites animais, obviamente, já criaram um "remédio" para a pessoa que se torna alérgica a carnes e laticínios tomar quando sofrer a picada do tal do carrapato. Assim, mesmo agredindo violentamente seu próprio organismo, a pessoa continua a comer carnes e laticínios e a dar dinheiro para a empresa que produz o remédio antialérgico a esses alimentos animalizados. 
O mesmo está a acontecer com as pessoas cujo organismo já não produz a lactase, a enzima capaz de quebrar as moléculas do açúcar do leite, a lactose, separando a glicose da galactose. A pessoa sem lactase não digere o leite de vaca ou os laticínios feito com ele. 
Mas, analogamente ao que fazem as pessoas picadas pelo tal do carrapato abolicionista animalista, as intolerantes à lactose correm para a farmácia e compram a tal da lactase. Tomam a enzima para poderem lamber um sorvete feito com leite de vaca. Não fazem nada para que as sorveterias ofereçam sorvetes sem leite de vacas. Nada mesmo. E não deixam de ingerir laticínios. Insistem em agredir as vacas, e, por consequência, agridem seu próprio sistema imunológico. Depois sofrem de tudo que é mazela causada pelo leite e seus derivados e passam a maior parte do dia ocupadas com os distúrbios causados pela incapacidade de digestão dos laticínios: inchaço no estômago, azia, gases, fermentação, intestino preso, ou diarreias, dor de cabeça, sinusite, amigdalite, cistite, otite, asma, pegam gripe três vezes por mês, vivem cansadas, mal-humoradas e dormem super mal, etc e tal.
Quem merece tanto tormento só para teimar em comer o que agride seu corpo depois de ter sido obtido agredindo o corpo de um animal de outra espécie?

Olhar Animal

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Sônia T. Felipe, doutora em Teoria Política e Filosofia Moral pela Universidade de Konstanz, Alemanha (1991), fundadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Violência (UFSC, 1993); voluntária do Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis (1998-2001); pós-doutorado em Bioética - Ética Animal - Univ. de Lisboa (2001-2002). Autora dos livros, Por uma questão de princípios: alcance e limites da ética de Peter Singer em defesa dos animais (Boiteux, 2003); Ética e experimentação animal: fundamentos abolicionistas (Edufsc, 2006); Galactolatria: mau deleite (Ecoânima, 2012);Passaporte para o Mundo dos Leites Veganos (Ecoânima, 2012); Colaboradora nas coletâneas, Direito à reprodução e à sexualidade: uma questão de ética e justiça (Lumen & Juris, 2010); Visão abolicionista: Ética e Direitos Animais (ANDA, 2010); A dignidade da vida e os direitos fundamentais para além dos humanos (Fórum, 2008); Instrumento animal (Canal 6, 2008); O utilitarismo em foco (Edufsc, 2008);Éticas e políticas ambientais (Lisboa, 2004); Tendências da ética contemporânea (Vozes, 2000).
Cofundadora da Sociedade Vegana (no Brasil); colunista da ANDA (Questão de Ética) www.anda.jor.br; publica no Olhar Animal (www.pensataanimal.net); Editou os volumes temáticos da RevistaETHIC@,www.cfh.ufsc.br/ethic@ (Special Issues) dedicados à ética animal, à ética ambiental, às éticas biocêntricas e à comunidade moral. Coordena o projeto: Ecoanimalismo feminista, contribuições para a superação da discriminação e violência (UFSC, 2008-2014). Foi professora, pesquisadora e orientadora do Programa Interdisciplinar de Doutorado em Ciências Humanas e do Curso de Pós-graduação em Filosofia (UFSC, 1979-2008). É terapeuta Ayurvédica, direcionando seus estudos para a dieta vegana. 

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