Vegano não pisa em ovos, por Ellen Augusta Valler de Freitas

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Foto: Marcio de Almeida Bueno
No ônibus, alunos falam mal dos professores. “O professor explica mal, não sabe a matéria,” etc. E a partir dessa conversa, seguiu-se um show de ‘eu acho’ sobre os black blocs, completamente equivocado, desinformado. Todos fazem questão de ter opinião, mesmo sem saber sobre o quê. Na gráfica, o ‘pitboy’ suspira e diz que sua esperança é que “a ditadura volte logo”, pois o Bolsonaro lhe representa! E o que ele diz sobre as pessoas é bem o que ele pensa mesmo. E não vou repetir aqui as barbaridades que disse, porque ainda tenho medo de encontrar quem o acompanhe, depois que um artigo meu, relacionando direitos humanos e direitos animais, causou alvoroço em alguns canais.
A senhora que o ouvia com atenção, falou que “viveu muito bem na ditadura e que nada do que as pessoas dizem” aconteceu com ela. Na televisão, ela relembra, “nunca passou a violência que existe hoje”. Justamente nessa época em que relembramos a marca que a ditadura deixou no país, causando um atraso político, social e uma alienação incurável.
A mulher, maioria numérica, vai deixando coisas importantes para trás, muitas vezes por motivos inexplicáveis, como o fato de ter um namorado… como se isso a impedisse de pensar. Ela sofre os efeitos do machismo há séculos, e transmite a seus filhos. Andei notando que há pessoas religiosas que sabem menos sobre suas próprias religiões do que eu, a ateia. Se num assunto importante para elas, desconhecem detalhes ou o essencial, imagino que no resto, como na política, por exemplo, elas devem ser completamente manipuláveis.
Por que não parar de beber? Por que não decidir pelo veganismo? Se você já está sabendo, já leu e tem consciência do que é a exploração dos animais, por que não deixar de fazer parte desse jogo, de vez?
Os preconceitos nascem da falta de leitura – não só de livros, mas leitura da vida, dos fatos, e me espanto quando vejo isso em jovens, que aplacaram a revolta e aceitaram o ‘bom senso’.
É preciso, sim, ser radical, quando necessário e quando não necessário. O sentido dessa palavra nada tem a ver com a conotação ‘reaça’ que as pessoas usam para lhe desmotivar quando você toma uma atitude totalmente sua, usando o seu cérebro e sem se importar com os famosos e inúteis ‘caminhos do meio’, que só servem para desestabilizar e atrapalhar seu desenvolvimento. Quando você toma a sua atitude, essa palavra vem a calhar e você faz o que é certo. Muda da noite para o dia, se assim conseguir. E não pergunta mais nada a ninguém. Gente até com doutorado nas mãos, mas nem sempre na cabeça, tem a mania de usar essa palavra, que na época da ditadura aqui no Brasil, ecoava em todas as paredes. Essa palavra costuma tolher a liberdade, não dê importância a ela.
A insegurança e os pontos de partida são caminhos naturais. A demora ou as fases são naturais, mas é preciso ser, de vez em quando, radical. Ou sempre, se você quiser! No sentido de que precisamos sim, abolir de nós mesmos certos comportamentos, quando nocivos, de vez.
Não precisamos respeitar padrões impostos, só porque nascemos com eles. E isso se aplica muito bem ao que comemos e bebemos.
Cada pessoa tem ritmos e ciclos, isso é completamente respeitável. E é óbvio que também devemos ouvir os sábios, se você tiver a sorte de conhecer um.
Mas, se você é daqueles que sabe quando dar um salto, não hesite.

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