Alerta pelo ativismo contra as semanas pró-alimentos de origem animal


Na tentativa de amplificar ainda mais o consumo de alimentos de origem animal, sob o pretexto de “gerar emprego e renda” e “movimentar/aquecer a economia”, o governo federal e/ou associações pecuaristas vêm fomentando semanas de incentivo ao consumo de determinados itens. Atualmente existem a governamental Semana do Peixe e a privadamente lançada Semana da Carne Suína, e há uma probabilidade muito alta de haver, num futuro próximo, semanas dedicadas a carnes como a bovina, de frango e caprina; aos leites e ovos de animais de diversas espécies e também ao mel de abelha. É mais que necessária a intervenção de um devidamente focado ativismo vegano-abolicionista nas próximas edições dessas semanas.
Em tais períodos, as carnes incentivadas ganham generosos descontos em diversas redes de super e hipermercados e uma diversidade ainda maior de tipos, por exemplo, de carnes suínas e peixes “comestíveis” é divulgada. Como consequência, os consumidores onívoros tenderão a continuar comprando-as, mesmo que elas voltem aos preços anteriores, uma vez que terão apreciado o seu sabor. E por tabela os pecuaristas e pescadores ganham muito mais dinheiro e mais lucros permanentes, graças ao aumento do consumo de carnes auxiliado por essas semanas promocionais.
Fica óbvio para os veganos e vegetarianos que esse tipo de iniciativa condena muito mais animais a nascerem para uma vida de servidão e privações que vai encerrar miseravelmente num abate. Não só perpetua, como também amplifica a escravidão animal promovida pela pecuária, pela pesca e futuramente pela apicultura, expandindo por tabela os já imensos impactos ambientais dessas atividades e a carga de sofrimento antropicamente provocado no planeta.
Isso torna mais que necessário – torna imperativo – que a comunidade veg(etari)ana brasileira invista diretamente contra essas semanas pró-consumo de alimentos de origem animal. Precisamos fazer, por exemplo, a Semana Contra a Carne Suína em oposição à Semana da Carne Suína, assim como uma Semana do Peixe Vivo e Livre em oposição à Semana do Peixe. Todas essas contrassemanas deverão acontecer nos mesmos dias das semanas pró-carne/leite/ovos/mel. Nesses períodos iríamos denunciar todos os podres já descobertos das atividades por trás da produção de cada um desses alimentos. Nos focaríamos nos alimentos promovidos em cada semana.
Por exemplo, durante toda a Semana da Carne Suína/Contra a Carne Suína, haveria uma ação conjunta com blogagens coletivas, tuitaços, palestras e panfletagens nas ruas, nas escolas e faculdades e nos super e hipermercados que façam promoção de carnes suínas. O enfoque seria a denúncia da exploração existente na suinocultura, desde as violências óbvias já repudiadas mesmo pelos onívoros até os aspectos antiéticos menos conhecidos do costume de tratar os porcos como propriedade dos seres humanos.
Também seriam de muita utilidade os alertas sobre os pesados impactos ambientais das fazendas industriais suinocultoras, os males à saúde evidentemente causados ou potencializados pelo consumo de carne de porcos e a superexploração de mão-de-obra na produção e processamento desse alimento.
E os sete dias da Semana do Peixe/do Peixe Vivo e Livre seriam dedicados a revelar ao público a ainda pouco conhecida senciência dos peixes, como eles se beneficiam da liberdade que a aquicultura lhes nega, como e o quanto eles sofrem até a morte quando são retirados da água e como não se torna menos inaceitável que eventualmente sejam vitimados por métodos de “abate humanitário”, como o choque térmico ou a descarga elétrica. Complementando a contracampanha pela vida e liberdade dos peixes, seriam abordados os impactos ambientais da pesca e da piscicultura, assim como o risco à saúde humana da ingestão dos metais pesados que muitas vezes vêm dissolvidos na carne de peixe consumida.
O mesmo deverá se aplicar às semanas que ainda serão futuramente lançadas, como a da carne bovina, da carne de frango, do leite bovino, do leite de cabra, dos ovos de galinha e do mel. As violências intrínsecas à produção de todos esses alimentos, incluindo a violência da forte degradação ambiental por ela causada, precisarão ser denunciadas aos quatro ventos.
Fica então a mensagem: não deixemos mais as próximas semanas de promoção do consumo de alimentos de origem animal acontecerem sob vistas grossas nossas. Se os animais não merecem ser escravizados pela pecuária, pesca e apicultura, o agravamento dessa exploração lhes é ainda mais imerecido. A veg(etari)anosfera brasileira precisa se unir e se empenhar em desmascarar a produção e consumo dos alimentos promovidos nesses períodos, de modo que os pecuaristas e pescadores não só deixem de ver um aumento no seu lucro banhado a sangue e dor, como também comecem a contemplar a decadência de suas atividades baseadas na miséria de seres inocentes.

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