O carnismo como ideologia reacionária


Possivelmente em crescimento como nêmese da rápida expansão da população vegetariana e vegana brasileira, o carnismo se mostra como uma autêntica ideologia reacionária, defendida por pessoas idem que literalmente não querem largar o osso que vem nas carnes. É conservador em todos os sentidos políticos da palavra, tendo em vista a manutenção da ordem de opressão contra os animais não humanos e do privilégio dos humanos de, protegidos pela lei, não serem tratados como propriedade de outrem, e também a “proteção” ordeira dos onívoros contra um suposto caos que seria causado pelas mudanças radicais defendidas pelos Direitos Animais.
E também, como toda boa ideologia conservativa, costuma ser defendida por uma maioria raivosa e uma minoria que tenta argumentar com calma mas não deixa de desferir ataques contra a ideologia de esquerda que é o vegano-abolicionismo. Essa minoria de “soldados de elite”, representada por lobistas pró-carne (como a Weston A. Price Foundation, entidade carnista mais reconhecida da atualidade) parece (só parece) tender a racional, mas abusa das falácias, manipulações e preconceitos para desinformar os incautos, enquanto os “soldados rasos” vomitam ofensas e ódio contra veg(etari)anos, ou piadinhas idiotas tratando com galhofa uma causa séria como o abolicionismo animal, nas redes sociais e blogs.
E é basicamente assim que a argumentação carnista “funciona”: na base de uma grande variedade de falácias; na baixaria; nas crenças fantasiosas que as ciências, das biológicas às humanas, refutam com facilidade; no ataque não só à ideologia adversária, mas também às pessoas que a defendem; na distorção de fatos, desde notícias até estudos científicos, de modo a parecerem que inviabilizam o veganismo e a libertação animal.
Por causa disso as pessoas mais leigas sobre veganismo acabam caindo nos contos carnistas e passam a ver os veganos como fanáticos histéricos que odeiam onívoros e matam crianças de desnutrição. E quanto mais gente acreditando nisso, mais a salvo os lucros dos pecuaristas e das indústrias ovolacto-frigoríficas estarão a curto e médio prazos e mais lentamente o veganismo avança em sua conquista de mentes e corações.
Deve-se deixar claro também que, tal como todas as demais ideologias conservadoras, o carnismo vem para proteger e beneficiar os poderosos contra a perda dos privilégios que hoje lhes representam lucro e riqueza, e é ingenuamente defendido por quem é induzido a acreditar que quem tem dinheiro tem razão.
E usa a mídia como defensora de seus interesses, vide propagandas que fetichizam o consumo de carne e laticínios e reportagens que distorcem o veganismo – ora relativizando o valor ético do veganismo “divulgando-o” como se fosse um mero movimento alternativo de valores opcionais e esotéricos, ora mencionando deficiências nutricionais supostamente intrínsecas ao vegetarianismo.
E um outro ponto muito importante é que sua dominância entre a sociedade representa, tal como todas as demais correntes ideológicas de direita, a manutenção da restrição de direitos aos privilegiados (os humanos onívoros) e a cassação daqueles que vêm sendo pouco a pouco conquistados para os dominados (os animais não humanos e os humanos veg[etari]anos).
O carnismo deve, portanto, ser encarado como aquilo que é: uma ideologia reacionária que, como uma recusa expressa ao reconhecimento dos Direitos Animais em nome da manutenção de uma ordem injusta que beneficia alguns indivíduos, precisa ser peitada e refutada de modo que as portas sejam abertas para a sonhada libertação animal.

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