Cães são mortos cruelmente e servidos em lanchonete no Rio de Janeiro

Contra as pessoas e animais

Em declaração ao jornal, a procuradora Guadalupe Louro Couto relembrou o flagrante e disse que toda equipe de fiscalização ficou horrorizada. “Já vi muita coisa ruim, principalmente em trabalhos que realizei em fazendas do Mato Grosso. Mas o que encontrei naquela pastelaria foi o pior de tudo”.

“Para começar, havia uma cela, como se fosse uma cadeia, com grades e cadeado, montada dentro da lanchonete, onde o trabalhador ficava encarcerado. Além disso, ele convivia com o cheiro dos cachorros mortos, que ficavam ao lado dele”, contou. “Eu não aguentei. Quando senti o cheiro, comecei a passar mal e pedi para sair do estabelecimento. Ao abrimos as caixas de isopor, vimos os cachorros congelados. Ficamos perplexos. Foram vários os crimes cometidos ali”.

Trabalho escravo

O imigrante mantido no local foi inserido em um programa de proteção a testemunhas. A vítima era obrigada a trabalhar de graça das 5:30 às 23, todos os dias. E era agredida com queimaduras de cigarros, pauladas e chibatadas.

O jovem chinês teria recebido uma proposta salarial de R$ 2.000 para trabalhar no Brasil. A moradia e alimentação seriam pagas pelo empregador. Ao desembarcar no Aeroporto Galeão-Tom Jobim, todavia, teve os seus documentos confiscados e foi informado que trabalharia sem receber por 3 anos para repor o preço da passagem.

O caso é semelhante a outros investigados pelo Ministério Público do Trabalho. Dos três inquéritos abertos desde 2013 e encaminhados à Justiça Federal, um está concluído e dois em andamento. As indenizações às vítimas do esquema totalizam cerca de R$ 200 mil.

Prisão


Van Ruilonc, de 32 anos, era dono do estabelecimento onde os cães eram mortos e foi condenado a 8 anos e 6 meses de prisão por tortura qualificada e crime de redução a condição análoga à de escravo. Ele já cumpre pena no Complexo do Gericinó.

Apesar de negar inicialmente, o comerciante admitiu saber que o abate de cães é ilegal no Brasil, mas disse que a prática é comum em propriedades chinesas do Rio de Janeiro.

O seu estabelecimento ficava no bairro Parada de Lucas.

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