Não beba mais leite: uma resposta ao site “Beba mais leite”



Nos últimos anos vem aumentando o interesse de pessoas aderindo ao veganismo como conduta ética no que diz respeito, abolicionismo à exploração e compaixão aos animais. Evidências científicas, em todo lugar do mundo, tem concluído que a alimentação vegetariana estrita (sem ovos, laticínios, mel e qualquer tipo de carne) trás benefícios ao nosso sistema imunológico no qual, previne de epidemias como a H1N1, gripes ou resfriados, sarampo e atua na prevenção de doenças crônicas como o Mal de Alzheimer, Câncer, Osteoporose, Hipertensão e ainda, benefícios como longevidade, disposição para práticas esportivas, estimulo neurológico, capacidade para memorizar, sono tranquilo e aumento da libido sexual dentre outros benefícios quando a alimentação vegetariana estrita requer a redução ou a eliminação de alimentos refinados, refrigerantes, álcool, embutidos e tabaco. Até porque esses últimos fatores serve de atenção não somente para quem é vegetariano/vegano, mas para quem ainda come carne e laticínios.

Outra contribuição benéfica que a eliminação de laticínios e carnes da dieta trás, é a questão ambiental. Como já estamos “carecas” de saber é que, quem consome carnes (sempre no plural incluindo: peixes, carne de cavalo, suínos, galinhas, bovinos e etc) e laticínios contribui aos impactos ambientais que a agropecuária causa e a agricultura não-familiar que planta soja destinada aos animais da pecuária. Dados mais recentes da INPE mostra que, a pecuária é a atividade mais fortemente correlacionada com desmatamento para os municípios da Amazônia. Na Universidade de Viçosa de Minais Gerais, mostrou em uma pesquisa que salas de ordenha em indústrias de laticínios geram resíduos sólidos, líquidos e emissões atmosféricas passíveis de impactar o meio ambiente, contaminando lençóis freáticos e o solo. Ainda no relatório consta que, o soro é descartado junto a outros efluentes contaminando mananciais e lagos, sendo cem vezes mais poluente que o esgoto doméstico. Devido o processo de clarificação do leite, a contaminação contém resíduos de detergentes e desinfetantes, hidróxido de sódio, ácido nítrico e hipoclorito de sódio. Estudos revelam que, o leite e derivados contém esses resíduos de clarificação no qual contribui para células cancerígenas, sintomas alergênicos e doenças crônicas que podem vir a surgir em longo prazo.

Para quem come qualquer tipo de carne não seria muito diferente, além de rações transgênicas, hormônios e antibióticos que esses animais recebem, porém, sem eficácia alguma (recentemente já temos casos comprovados que o antibiótico Colistina -Polimixina E- perdeu sua eficácia para um potente bactéria que se desenvolveu na pecuária), esse consumo financia a derrubada de matas nativas (onde são muito abastadas de plantas medicinais) para dar espaço ao gado e assim prejudicando a biodiversidade, levando os animais à extinção. A pesca também gera perda de biodiversidade, para quem pensava que comer peixe é algo natural -Que além de ser antiético ou posso dizer que, seria uma ignorância pensar que peixes não possuem sistema nervoso para sentir dor como qualquer outro animal- Mas sabemos, pensar não é o forte deles. Mas, deles quem?

Agora cheguei aonde eu queria, citei apenas a pontinha do iceberg, mas no momento venho dar uma resposta contra ao marketing que a indústria leiteira está fazendo, o site da Beba mais leite, após ter reconhecido as estatísticas aumentando de pessoas se tornando veganas/vegetarianas. Nada mais cômodo que “chutar o balde” à todas as evidências científicas e criar informações falsas para favorecer a indústria leiteira. Eles só não se deram conta que, além das pequenas citações que fiz, estão prestando um grande desserviço à saúde pública. Pois, o ser humano vem evoluindo e já temos uma nova geração que não é capaz de produzir a lactase, enzima responsável para digestão do leite animal. Na própria página do site “Beba mais leite” incentivam os intolerantes à lactose ao consumo do leite, mostrando assim “que a culpa não é do leite”. Além desses pecuaristas que promovem esse site do “Beba mais leite” (entre eles tem: desde políticos de bancadas ruralistas, veterinários que querem passar dieta de propriedade profissional da nutrição, jornalistas sem conhecimento científico e supostos “médicos” no qual eu não encontrei o CRM), refutam e escondem por baixo dos panos as evidências científicas que, o hormônio rBST (Recombinant bovine somatotropin) aumenta de 10 a 15% o IGF-1 no leite (Fator de Crescimento Insulínico). Esse hormônio causa dor desnecessária, sofrimento e angústia, aumento de extremidades (patas), mastite (inflamação da mama), distúrbios reprodutivos e outras doenças e que, ainda está permitido pela Anvisa aqui no Brasil.

Outro fator ainda mais perigoso e criminoso que os marketeiros do “Beba mais leite” escondem através de “fontes científicas” que não tem respaldo de reconhecimento pelo portal de pesquisa científica PubMed, é a enfermidade infectocontagiosa de origem viral A Leucose Enzoótica Bovina (Bovine Leukosis Infection – BLV. A BLV vem contaminando grande parte dos rebanhos da indústria leiteira, essa enfermidade se caracteriza por uma neoplasia do tecido linfoide. A prevalência desta infecção varia em alguns países, sendo 47,8% nos Estados Unidos, 28,6% na Bélgica, 19,7% no Canadá, e no Brasil com a maior prevalência nos estados de São Paulo 36,6%, Rio de Janeiro 54,3%, Minas Gerais 28,4% e Rondônia com 23%.Para quem quer saber mais detalhes deixarei todas as pesquisas ao final deste conteúdo.

Com o reconhecimento do fracasso batendo na porta da indústria leiteira, a tentativa de criar um site como o -Beba mais leite- pagando “médicos” para disseminar informações ideológicas capitalista, não, definitivamente não se importam com a sua saúde quanto com o meio ambiente e a exploração de animais. O -Beba mais leite- nada mais é que uma infowar (guerra de informação em marketing por pecuaristas afetados) para iludir a população de que precisamos obter o cálcio de um animal, querem impedir a evolução original de nossa espécie. Pessoas que só querem dinheiro a quaisquer custas e negam a ciência. Pois, nós somos os únicos mamíferos que continuam a beber leite após o desmame. E o pior de tudo, um leite que roubamos destinado ao bebê animal.

O ser humano é incapaz de absorver o cálcio do leite da vaca e também ficou provado que o leite pode aumentar as perdas de cálcio nos ossos. O leite aumenta a acidez do pH do corpo humano que por seu lado desencadeia uma correção biológica natural. O pH do leite animal varia entre 6,6 e 6,8, sendo assim seria necessário 20 partes alcalinas de alimentos para neutralizar apenas uma parte ácida no sangue. Para combater o ácido alto do leite o nosso organismo retira o cálcio dos ossos para implicar numa proteção de combate a alta acidez, fazendo com que todo esse cálcio do leite seja expulso pela urina. Para o nosso organismo isso é um tamanho prejuízo, pois perdeu todo o cálcio dos ossos e não absorveu o cálcio do leite animal. Mas, isso não acontece para quem segue uma alimentação vegetariana estrita onde conseguirá a obtenção de cálcio através da couve, brócolis, ervilha, feijão, leite de soja, leite de amêndoas, leite de aveia, tofu, grão de bico, lentilha, espinafre, rúcula, ora-pro-nóbis (que também contém proteína e carboidrato) e bananas são um dos “poucos” alimentos vegetais que a natureza nos fornece com quantidades eficientes de cálcio e outros nutrientes que nós precisamos diariamente e que ainda, não irão prejudicar sua saúde levando à hipertensão, obesidade, diabete, osteoporose, diarreia, prisão de ventre tal como o consumo de laticínios e carnes desenvolve para a saúde humana.

“Sabendo tudo isto, percebemos finalmente porque os países com menor consumo de lacticínios são também aqueles que possuem menor incidência de fraturas ósseas na população.

O leite está muito longe de ser saudável. As vacas leiteiras recebem diariamente hormônios de crescimento e de simulação de gravidez para aumentar a produção de leite, bem como antibióticos para diminuir infecções provocadas pelos mais variados mecanismos e químicos a que estão expostas. Estes materiais, obrigatoriamente, contaminam o leite e o seu impacto para os seres humanos que o consomem ainda é desconhecido. Consulte sempre o seu nutricionista.

Todos os dias, acompanhamos notícias sobre a retirada de leite contaminado com formol e outras substâncias nocivas dos mercados, mesmo assim, você resiste em aceitar que o leite é ‘natural’. Quando a medicina fala em intolerância, erroneamente acredita-se e faz todos acreditarem que existem somente os intolerantes e os tolerantes. Mas não é bem assim. Quando o indivíduo é totalmente intolerante não há discussão, mas acontece que todos nós temos algum nível de intolerância, isso varia de indivíduo para indivíduo. Alguns suportam queijos, mas passam mal com leites e assim por diante. O importante é lembrar que as intolerâncias, diferentemente da alergia, não se manifesta na hora e sim pode se manifestar de 2 a 10 dias após a ingestão.

Ok, você ainda está fechando a cara para mim… E se eu te disser que a Universidade de Harvard retirou o leite como um alimento funcional e saudável?! No ano passado a Universidade de Harvard excluiu o leite da lista dos alimentos saudáveis. Outro problema relacionado com o consumo de leite e derivados é a intolerância à lactose. De forma geral distinguimos a Intolerância a lactose como a incapacidade de absorver a lactose. Em torno de 75% da população mundial ocorre a intolerância à lactose, que é uma das principais substâncias (açúcar) do leite. Esta patologia se caracteriza pela falta da ação da enzima lactase, que é responsável por hidrolisar (quebra da molécula pela água) a lactose em glicose e galactose. O que acontece é que parte das pessoas não possuem esta enzima e outra grande parte algum dia não terá também.

A partir dos 4 anos de idade, nosso corpo começa a ter uma diminuição progressiva da produção de lactase, consequentemente cada vez menos este açúcar será bem digerido e bem aceito por nosso corpo. Um estudo realizado no Brasil demonstrou que mais de 27 milhões de habitantes apresentam má absorção da lactose, sendo principalmente por determinação genética. Essa patologia é caracterizada por um conjunto de sintomas clínicos.” (CRM 68874) Dr. Mohamad Barakat, formado pela FMABC-UNIFESP/EPM, Pós-Graduado em Endocrinologia e Metabologia pela IPEMED.

Faço valer as palavras dele as minhas palavras.

Então, é isso. Quando mergulhamos no mundo da ciência, temos que nos preparar diante as desonestidades intelectuais, oportunismos e falta de conduta ética por parte de bancadas irracionais.


Referências:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27383577

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27412694

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27255108

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/27400451 (Staphylococcus aureus in milk and meat)

http://ec.europa.eu/dgs/health_food-safety/committees/scientific/index_en.htm

https://www.drmcdougall.com/misc/2004nl/040200bovinepf.htm

http://www.scielo.br/pdf/cta/v27n2/30.pdf

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4212225/?tool=pmcentrez

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302010000200025

Texto escrito por: Camila Baungartel (Myla Veg) – Estudante de nutrição e naturologia, ativista vegana pela abolição animal e humana.

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