O Veganismo como Mudança Cultural



Como diversos sites sobre veganismo já registraram, a Hallmark, tradicional empresa norte-americana mais conhecida pelos seus cartões para datas comemorativas, lançou no final do passado um comercial natalino em que apresenta uma família realizando uma ceia totalmente vegana. Tudo parece estar indo bem, até que o vovô pira ao perceber que não há pernil na mesa. Pobre vovô, feliz porco.

Independente do comercial em si, que não consegue evitar as brincadeiras com veganos – um prato com algas marinhas e lavanda? WTF? – o que mais importa é o que ele representa em termos de avanços culturais. A Hallmark não é uma empresa qualquer (são 105 anos de existência e uma receita de quase 4 bilhões de dólares em 2014) e o fato de ter registrado em uma de suas campanhas uma família optando pelo veganismo demonstra que ser vegano já não é exatamente um ponto fora da curva.

Analisando de um ponto de vista maior, optar pelo veganismo é tomar uma posição consciente de mudança da cultura humana, transformando seus valores, tradições, tendências, comportamentos e preferências. E como qualquer mudança cultural, não ocorre da noite para o dia. Não nos alimentamos de animais atualmente devido ao seu valor nutricional ou por não termos outras alternativas. Nos alimentamos de animais porque isso faz parte da cultura vigente. Desde pequenos nos servem carnes, leites, queijos e ovos, e aos poucos nosso paladar vai sendo definido por estes “ingredientes”. Quando crescemos e podemos nos dar conta do que realmente significa usar animais como fonte de alimentos, achamos que é “tarde demais”: aqueles sabores já fazem parte de quem somos, de nossas convivências sociais e, mesmo sem apoiarmos a violência direcionada ao animais, a possibilidade de transformação da dieta nos parece uma mudança muito grande. E isso tratando apenas da alimentação, que é somente uma parte do veganismo.

Felizmente o final desta história não é sempre o mesmo. Os que desenvolvem a motivação necessária acabam sendo os pioneiros, criando a base que permitirá outros também participarem desta mudança cultural. É neste estágio que nos encontramos com relação ao veganismo, onde é cada vez mais fácil tomar parte da ação devido ao esforço dos que já o optaram. Há toda uma cultura sendo criada em torno do veganismo e o resultado disso se dá através de sua aparição cada vez mais frequente no nosso dia a dia. Lembro bem quando assisti Scott Pilgrim Contra o Mundo e apareceu o personagem vegano em cena. Eu ainda era ovolactovegetariano na época, mas ver um vegano em uma grande produção destas me deixou muito feliz. Nesta semana também encontrei o cartaz abaixo no jogo Life is Strange, sendo que uma das personagens principais parece ser vegana – ou ao menos não usa produtos que façam testes em animais. Considerando desenhos, o Apu Nahasapeemapetilon, funcionário do Kwik-E-Mart nos Simpsons, é vegano, assim como a Draculaura, do Monster High. Diversos outros exemplos poderiam ser demonstrados aqui e a propaganda da Hallmark é só mais um caso, comprovando que o esforço dos veganos não está sendo em vão e a mudança já pode ser sentida em nossa cultura.

Ainda estamos muito distantes do mundo que desejamos, mas podemos afirmar com satisfação: o veganismo definitivamente não é mais um ponto fora da curva. =)

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