Crescimento do veganismo desperta interesse do mercado


CBN - REVOLUÇÃO DO GARFO

Empresários se deram conta de que o público vegano é promissor e lucrativo. Muitos dos que investiram nesta área viram o negócio mais do que duplicar em pouco tempo. Além de restaurantes e comidas veganas, as vendas de itens de vestuário também só tem crescido.


Por Ricardo Gouveia
Veganos com espírito empreendedor encontraram na sua filosofia uma forma de sustento.
Rosemir Folhas se tornou vegetariano há oito anos e vegano há três, quando resolveu montar a fábrica da Vegano Shoes, no interior de São Paulo. A ideia era produzir e oferecer sapatos sociais que não fossem de couro. Rosemir começou fabricando 200 pares por mês e hoje produz 1,2 mil, além de bolsas, cintos, carteiras e acessórios.
'O mais interessante é a gente trabalhar dentro do que a gente acredita. A gente percebeu a oportunidade e investiu. Mesmo onívoros são preocupados com o meio ambiente e querem usar um produto mais sustentável. Está crescendo muito no Brasil isso e, sem dúvida, a gente conseguiu entrar muito bem no mercado', constata Rosemir.
O portal Vista-se divulga notícias relacionadas ao veganismo. Fabio Chaves criou o site em 2006, para vender camisetas. Mas o negócio cresceu e hoje ele ganha a vida com o comércio digital de vários produtos sem nenhum item de origem animal. Mesmo assim, ele ainda é mais motivado pelo ativismo do que pelo empreendedorismo.
'A gente não tem um perfil de empresa, que tem metas para crescer e outras coisas. Na verdade, pagando as contas é o que conta para a gente. A ideia é fazer crescer mesmo o portal, por mais que seja um serviço que não dê um retorno financeiro. Eu encaro como uma missão', conta Fabio.
A rede de restaurantes Barão Natural, em São Paulo, saltou de uma para quatro unidades em três anos. Guilherme Carvalho foi indicado para fazer uma consultoria para transformar a cozinha do restaurante em vegetariana.
Acabou sendo convidado para virar sócio e transformou a rede em vegana. Viu o faturamento crescer sete vezes nestes três anos.
'A gente descobriu esta forma maravilhosa de impactar a causa, impactar os animais e de oferecer para as pessoas uma alimentação vegana barata, desmistificando a ideia de que comida vegana precisa ser cara. A gente oferece almoço a partir de R$ 9,90 à vontade. Temos muita alegria de divulgar e propagar o veganismo e o respeito aos animais da maneira mais natural possível, que é pela alimentação', afirma Guilherme.
E uma das empresas há mais tempo no mercado vegetariano é a Superbom, criada há 90 anos por adventistas focados em alimentação saudável. Seja qual for a motivação – saúde ou ativismo animal – o mercado cresceu muito na última década.
Os pontos de venda quase duplicaram, chegando a 25 mil pontos, e saíram da região Sudeste para se espalhar pelo Brasil. E, mais recentemente, a empresa mais do que dobrou a variedade de produtos e passou a produzir até queijo vegano.
'Os investimentos aconteceram em virtude da movimentação do mercado. Há seis anos, a linha de produtos da Superbom tinha 47 itens. Hoje nós estamos com 107 itens. Então mais do que dobrou o portfólio nos últimos seis anos', explica o gerente de marketing da empresa, David Oliveira.
Os consumidores do mercado vegano não necessariamente são veganos. Podem ser pessoas que comem carne, mas se preocupam com o meio ambiente ou simplesmente querem aproveitar o preço baixo e a variedade de um restauranteMas os envolvidos com o empreendedorismo concordam em dizer que a crescente oferta de produtos sem itens de origem animal facilita a vida de quem quer adotar uma dieta vegana.



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